Acordo de Paris carece de engajamento social

Acordo de Paris

 Grupos de empresários marcaram presença na COP22, realizada no Marrocos, que discutiu o Acordo de Paris. Eles defendem a criação de mecanismos de incentivo à economia de baixo carbono

Deivid Souza / Foto: UNFCCC

A palavra dos líderes mundiais sobre o Acordo de Paris ao final da 22ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP22), realizada em Marrakesh, no Marrocos, é de avançar no cumprimento da meta global, que entrou em vigor no início de novembro.

No entanto, um dos destaques da reunião foi o entendimento de que os governos precisam ter mecanismos fortes para envolver empresas, sociedade civil organizada, cientistas e setor privado, entre outros.

“Nossa tarefa agora é construir rapidamente este impulso e avançar na redução das emissões de gases do efeito estufa, bem como promover os esforços de adaptação, apoiando a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, diz o texto.

No Brasil, alguns setores têm se organizado e trabalhado pela regulamentação de mecanismos de controle das emissões de gases do efeito estufa (GEE). Durante a conferência, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) lançou, em parceria com o Carbon Disclosure Project (CDP) e apoio do We Mean Business o estudo Precificação de carbono: o que o setor empresarial precisa saber para se posicionar. “Trouxemos o estudo a público aqui na Conferência do Clima porque as empresas são parte indissociável das soluções em favor da descarbonização da economia mundial e este é um mecanismo que traz maior previsibilidade para seus investimentos e maior competitividade para as soluções empresariais de baixo carbono”, defendeu a presidente do CEBDS, Mariana Grossi.

A União Europeia e cerca de 40 países e 24 territórios subnacionais já precificam o carbono, cobrindo 13% das emissões mundiais, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A apresentação do estudo sobre precificação do carbono é um sinal da presença de empresários na COP22.

Existem três mecanismos principais de incentivo às práticas de desenvolvimento sustentável: incentivos econômicos, regulamentações e cobrança social. Destes, os governos têm um papel essencial por ter condições de regulamentar proibições ou mesmo incentivos econômicos.

Muitas organizações não governamentais consideraram como bem sucedida a conferência, apesar de incertezas relativas ao resultado das eleições americanas.

Ameaças

Durante a COP22, o presidente Michel Temer vetou o estímulo ao carvão mineral, após pressão de vários organismos ambientalistas firmarem posição contra o mecanismo. Mas o Brasil ainda tem outros desafios e precisa ficar atento às estratégias de cumprimento do acordo já que no último ano as emissões de GEE aumentaram 3,5% em relação a 2014.