Artigo: Valor do meio ambiente

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No Brasil, assim como em muitas partes do mundo, o conceito de que uma área de preservação é um espaço não produtivo ainda resiste. Essa concepção contribui para que espaços naturais sejam devastados.

No entanto, esta ideia é fruto de desconhecimento de todos os serviços que os ecossistemas proporcionam à humanidade. Só para citar alguns exemplos, podemos relacionar: provisão de alimentos, água doce, madeira, produtos químicos, e ainda a regulação do clima, controle de doenças, entre outros benefícios que nos servem.

Isso quer dizer que quando uma floresta está em pé, ela cumpre um papel importante, e os beneficiados somos nós seres humanos. Reconhecer o valor destes serviços é, talvez, o primeiro passo para nos conscientizarmos da necessidade de preservar.

Por outro lado, quando descaracterizamos um ecossistema, estamos roubando de nós mesmos serviços que são essenciais à economia e ao bem estar. Recentemente, uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Goiás (UFG) demonstrou a diferença de temperatura entre uma região privilegiada com áreas verdes e outra carregada de concreto e áreas impermeabilizadas. Um exemplo de regulação do tempo.

Mensurar o valor financeiro de uma área ambiental conservada que contribui para retirar toneladas de CO2 do ar é um desafio para especialistas. Felizmente, a ciência já desenvolveu mecanismos para esta tarefa. Hoje é possível trabalhar com a valoração ambiental, ou seja, mensurar o retorno financeiro de preservar.

Se por um lado enxergar o valor dos serviços pode ser algo ainda latente, as cifras dos prejuízos pela ausência deles são notáveis. O Banco Mundial apurou que os grandes desastres ocorridos entre 2008 e 2011 em Pernambuco, Santa Catarina, Alagoas e Rio de Janeiro provocaram perdas de R$ 15 milhões.

Programas copiados de outros países têm chegado ao Brasil para remunerar quem preserva ecossistemas. Além disso, projetos desenvolvidos na Amazônia têm recebido aporte financeiro. A maioria dessas iniciativas consiste em sustentar monetariamente programas de uso sustentável dos recursos naturais.

Estas áreas ainda são pouco representativas frente ao tamanho dos desafios que temos pela frente. Mas são um bom sinal que a ideia que conservação significa prejuízo está perdendo força.

Deivid Souza é jornalista, editor do site Canal Sustentável e especializando em Gestão e Tecnologias Ambientais (USP)

Artigo publicado no jornal O Popular em 21 de julho de 2017.