Categoria: Econômico

placa solar

Mais energia solar, menos peso no bolso

Estudo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) demonstra que maior participação da fonte renovável reduziria preço da energia para consumidor

 

Deivid Souza

A ABSOLAR calculou que se uma inserção planejada da energia solar fotovoltaica tivesse sido inserida na matriz energética do Brasil entre janeiro de 2013 e maio 2017, haveria economia de R$ 2 bilhões na conta de luz.

A economia seria motivada pelo menor uso das usinas termelétricas que funcionam graças aos combustíveis fósseis. Estas estruturas são acionadas sempre que as hidrelétricas enfrentam o problema da escassez de água. Esse estado de alerta faz com que o governo brasileiro ative o sistema de cobrança das bandeiras tarifárias, uma espécie de compensação para as distribuidoras que pagam mais caro pelo acionamento das termelétricas. Todo aumento é repassado ao consumidor final.

Atualmente, a energia solar fotovoltaica responde pela oferta de 0,02% da energia da matriz energética brasileira. A ABSOLAR acredita que este modal pode apoiar as hidrelétricas na época mais crítica do ano: a estação da seca. É neste período, defende a organização, que o sol brilha forte e pode suprir a deficiência das hidrelétricas.

“A inserção planejada da fonte solar fotovoltaica na matriz elétrica brasileira contribuiria significativamente para reduzir o acionamento das termelétricas fósseis mais onerosas ao país, diminuindo custos para os consumidores, reduzindo emissões de gases de efeito estufa e aliviando a pressão sobre os recursos hídricos na geração de energia elétrica. Simultaneamente, a medida promoveria a geração de empregos locais qualificados”, destaca o presidente executivo da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia.

O setor tem motivos para celebrar. Em dezembro deste ano, o Brasil atingiu a marca histórica de 150 MW de potência instalada acumulada em sistemas de microgeração distribuída solar fotovoltaica instalados em residências, comércios, indústrias, edifícios públicos e na zona rural. O volume representa 75,5% do total de potência instalada da microgeração e minigeração distribuída, que neste mês chegou a 200 MW.

A fonte solar fotovoltaica tende a crescer ainda mais. Programas de incentivo têm se expandido. Atualmente, 89% do território já isenta o ICMS sobre a energia elétrica produzida a partir de fontes renováveis.

Na Região Centro-Oeste, o programa Goiás Solar, lançado em fevereiro de 2017 fez o Estado triplicar o número de instalações. Agora elas são 412. O programa consiste em isenções fiscais e concessão de linhas de crédito especiais. “Os equipamentos ainda são caros, mas temos trabalhado forte para baratear esses custos e criar linhas de financiamento específicos para a energia solar”, afirma o secretário de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos, Vilmar Rocha.

banco mundial

Banco Mundial não financiará mais combustíveis fósseis

O presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim, anunciou na terça-feira (12) que o banco cessará o financiamento a atividades de prospecção e extração de petróleo e gás a partir de 2019 e que passará a reportar no ano que vem as emissões geradas pelos projetos que financia no mundo todo.

O anúncio foi feito em conjunto com o secretário-geral da ONU, António Guterres, na abertura do One Planet Summit, a cúpula climática convocada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, para celebrar os dois anos da assinatura do Acordo de Paris.

No encontro, Macron afirmou que o mundo está “perdendo a batalha” contra a mudança climática e exortou países, governos locais e corporações a agir mais depressa. Celebridades do mundo ambiental, como o ex-secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o presidente da Tesla, Elon Musk, compareceram à reunião.

A restrição anunciada pelo Bird afeta as chamadas atividades “upstream”, ou seja, o que ocorre antes do refino e da distribuição.

Segundo o banco informou, somente serão financiados projetos do tipo em “caráter excepcional” e em países muito pobres, nos quais o investimento tenha comprovadamente efeito no acesso à energia.

A medida tem caráter sobretudo simbólico, já que o grosso do investimento público em exploração de petróleo hoje é feito por bancos e agências nacionais de desenvolvimento, como os da China, que têm US$ 20 bilhões investidos somente no pré-sal. Segundo a campanha The Big Shift, que busca acelerar a transição para além dos combustíveis fósseis, entre 2015 e 2016 o Banco Mundial investiu apenas US$ 1 bilhão por ano nessas atividades.

No entanto, o movimento do banco foi saudado por ambientalistas como mais um acorde da marcha fúnebre do petróleo, já que é a primeira vez que uma instituição como o Bird, porta-voz da ortodoxia econômica global, adota uma medida do tipo.

“Isso é um grande passo à frente para o Banco Mundial fazer jus à sua retórica de apoio ao Acordo de Paris”, disse Jon Sward, porta-voz da Big Shift. “Esse anúncio manda um sinal claro para outros bancos de desenvolvimento públicos de que a mudança climática precisa ser levada a sério.”

Em sua fala durante uma das mesas-redondas da cúpula em Paris, a CEO do banco, Kristalina Georgieva, foi aplaudida ao dizer que é “absolutamente inaceitável” que subsídios a combustíveis fósseis permaneçam em tantos países.

Enquanto isso, em Brasília, o Senado aprovava uma ampliação maciça dos subsídios à indústria do petróleo.

 

Republicado do Observatório do Clima por meio de parceria de compartilhamento de conteúdo

Acordo do clima

Congresso aprova MP do Trilhão para petroleiras

Câmara derruba emenda do Senado que limitava a farra das desonerações à indústria do petróleo, produzindo um texto imoral e ilegal que será questionado na Justiça

Em desafio ao Senado Federal e à legalidade, a Câmara dos Deputados derrubou nesta quarta-feira (13) a emenda que restringia por cinco anos as isenções fiscais da MP 795, a MP do Trilhão. O texto que agora segue para a sanção presidencial mantém o subsídio de centenas de bilhões de reais às empresas de petróleo até 2040. A quem interessa dar dinheiro a petroleiras?

Michel Temer promove a farra do óleo com o dinheiro do contribuinte durante mais de duas décadas enquanto corta recursos da saúde, da educação e da ciência e se esforça para explicar à população que precisa mexer nas aposentadorias para economizar. Além de escarnecer da sociedade brasileira, o presidente desponta como o inimigo número 1 do combate às mudanças climáticas: apenas o petróleo do pré-sal contém carbono o suficiente para estourar a meta do Acordo de Paris de estabilizar o aquecimento global em 1,5ºC.

A nova lei é evidentemente inconstitucional, visto que nenhuma isenção tributária fixada em lei pode durar mais de cinco anos no Brasil. Ela pode ser, está sendo e será questionada na Justiça. Uma vez que os representantes eleitos da população preferem defender interesses de meia-dúzia de grandes multinacionais, a sociedade civil confia em que o Judiciário defenderá os interesses dos brasileiros desta e das próximas gerações, anulando o texto aprovado.

Republicado do Observatório do Clima por meio de parceria de compartilhamento de conteúdo

Condomínio da MRV Engenharia em Salvador (BA)

Gestão de mudança climática de construtora brasileira é reconhecida internacionalmente

Da redação | Foto: divulgação

Os investimentos e projetos de sustentabilidade da MRV Engenharia renderam à empresa, nesta segunda-feira (11), a concessão do conceito “A” por parte da Carbon Disclosure Program, instituição sem fins lucrativos que oferece informações que auxiliam investidores, empresas e governos a mitigar riscos e identificarem oportunidades relacionadas às emissões de gases de efeito estufa (GEE).

A instituição sem fins lucrativos avaliou os dados relativos à gestão das mudanças climáticas de mais de 4.500 empresas em todo o mundo. No Brasil, outras sete companhias alcançaram pontuação semelhante à da construtora.

No Brasil, esta é a quarta vez que a organização internacional pontua as companhias pela Transparência e pelo Desempenho em relação ao assunto. O CDP  é mantido por 827 investidores institucionais com ativos na ordem de US$ 100 trilhões.

Uma das frentes atacadas pela MRV Engenharia tem sido o incremento de fontes renováveis de energia por meio de placas fotovoltaicas em empreendimentos. Na Bahia, a energia gerada pelo sistema fotovoltaico será suficiente para atender 30% da demanda das moradias, em um projeto-piloto. Em Goiás, uma das obras vai ter capacidade de atender a 100% do consumo das unidades habitacionais.

aud pública PNRS

Empresas cobram desoneração para ampliar reciclagem

Representantes de organizações que atuam no setor de gestão de resíduos sólidos defendem isenção de impostos para crescimento de cadeia

 

Deivid Souza / Foto: Reprodução TV Câmara

Os municípios brasileiros com alguma iniciativa de coleta seletiva passaram de 57,6% em 2010 para 91% em 2016. O crescimento demonstrado pelos números da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) demonstra o quanto a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que entrou em vigor em agosto de 2010, contribuiu para avanços importantes na redução dos problemas ambientais e econômicos causados pelo tratamento inadequado do lixo no Brasil.

No entanto, ainda existem vários pontos de melhoria para serem trabalhados as 7 milhões de toneladas de resíduos que deixam de ser coletadas anualmente. Elas põem 18,5 milhões de brasileiros a problemas de saúde ocasionados pelo lixo.

Empresários do setor defendem que é necessário maior engajamento de todos os parceiros na questão e apoio do setor público na forma de desonerações para a cadeia se desenvolver. O assunto foi tema de uma audiência pública nesta terça-feira (9) na Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Federal.

Diretor presidente da Associação Brasileira para a Gestão da Logística Reversa de Produtos de Iluminação (Reciclus), Márcio Fernando Quintino, defende a cadeia de reciclagem seja desonerada. “Transportar resíduos não representa valor. No caso de uma lâmpada, ela custa para se descartar, não pode ter incidência tributária como se fosse uma lâmpada nova”, questiona.

O Brasil dispõe de um acordo setorial para redução mínima de 22% para a disposição de embalagens em aterros até 2018, questão que preocupa muitas empresas. O presidente do Compromisso Empresarial para Reciclagem, Vitor Bicca, lembrou que aproximadamente 98% das latas de alumínio são reaproveitadas porque há viabilidade econômica para o material, mas outros precisam de incentivo para se tornar sustentáveis. “A gente precisa atacar este ponto senão a reciclagem nunca vai ser competitiva no Brasil”, frisou Bicca.

Contribuinte

Nas contas da Abrelpe, os municípios dispõem de uma contribuição de R$ 9,92/mês por contribuinte para arcar com as despesas de coleta, transporte e destinação de resíduos. O valor é considerado insuficiente pelo presidente da instituição, Carlos Roberto Vieira da Silva Filho. “Não existe nenhum sistema de gestão de resíduos sólidos avançado que hoje esteja funcionando no mundo que não tenha como base a remuneração pelos usuários”, pontuou.

unnamed

ONU Meio Ambiente e parceiros lançam movimento por separação e descarte correto de lixo

A ONU Meio Ambiente e a Coalizão Embalagens, formada por 23 associações empresariais signatárias do Acordo Setorial de Embalagens em Geral, lançaram nesta segunda-feira (28) na Casa da ONU, em Brasília (DF), o movimento “Separe. Não Pare” com o objetivo de informar, inspirar e mobilizar a população brasileira a separar e descartar corretamente os resíduos domésticos.

A coalizão tem como missão reduzir em 22% a quantidade de embalagens encaminhadas para aterros sanitários no Brasil até 2018. Para atingir esse resultado, ressalta a responsabilidade compartilhada, disseminada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos com a participação de empresas, prefeituras e da população. Um dos focos é sensibilizar a sociedade sobre a separação do lixo doméstico entre orgânico e reciclável e destinar corretamente para catadores do bairro, em pontos de entrega, ou por caminhões de coleta seletiva.

O lançamento do movimento teve a presença do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, da representante da ONU Meio Ambiente, Denise Hamú, e de representantes das associadas. Para o presidente do Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE), entidade que coordena a coalizão, Victor Bicca, o movimento representa um importante passo para a conscientização da população em relação ao resíduo pós-consumo.

“Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas hoje reforçamos a relevância da participação da população em contribuir com o processo da reciclagem. Vamos conscientizar de que é simples reciclar e descartar corretamente o lixo”, afirmou Bicca.

Movimento ‘Separe. Não pare.’

A divulgação será feita por uma campanha digital, desenvolvida pelo Grupo TV1, com a participação de influenciadores e o portal informativo www.separenaopare.com.br. Nele, a população pode encontrar conteúdos como o passo a passo da separação e o descarte corretos de diferentes tipos de embalagens; onde encontrar pontos de entrega; iniciativas já existentes; detalhes sobre quais materiais são recicláveis ou não, entre outros.

O movimento começará como um projeto-piloto na cidade de São Paulo. Entre as ações que serão realizadas, estão a distribuição de panfletos informativos para a população e colaboradores das empresas participantes da coalizão, além de parceria com o SECOVI-SP (Sindicato da Habitação) para comunicação direta com os condomínios.

A campanha também ressalta a importância da ação dos catadores na cadeia da reciclagem. Eles são responsáveis por mais de 50% do material recolhido e encaminhado às cooperativas, em São Paulo, e têm papel fundamental na cadeia. Atualmente, cerca de 80 mil pessoas trabalham em cooperativas e associações de catadores.

Para Denise Hamú, da ONU Meio Ambiente, o “Separe. Não Pare” vai ajudar a transformar a forma como o brasileiro olha para seu lixo. “Estamos muito entusiasmados com esse movimento. Acreditamos ser um importante passo para um Brasil mais sustentável. Quando as pessoas reparam no lixo que geram, passam a adotar outros valores e hábitos de consumo consciente, e isso é o que muda nossos padrões de produção e consumo para outros mais sustentáveis”.

Sobre a Coalizão Embalagens

A Coalizão Embalagens é resultado de um acordo setorial, assinado em 25 de novembro de 2015, que busca alternativas para ampliar a reciclagem no país. Conta a participação de produtores, importadores, usuários e comerciantes de embalagens, com apoio do CEMPRE, da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Sobre o CEMPRE

O Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE) é uma associação sem fins lucrativos dedicada à promoção da reciclagem dentro do conceito de gerenciamento integrado do lixo. Fundado em 1992, o CEMPRE é mantido por empresas privadas de diversos setores.

A organização trabalha para conscientizar a sociedade sobre a importância da redução, reutilização e reciclagem de lixo através de publicações, pesquisas técnicas, seminários e bancos de dados. Os programas de conscientização são dirigidos principalmente para formadores de opinião, tais como prefeitos, diretores de empresas, acadêmicos e organizações não governamentais (ONGs).

Sobre a ONU Meio Ambiente

O ONU Meio Ambiente, principal autoridade global em meio ambiente, é a agência do Sistema das Nações Unidas (ONU) responsável por promover a conservação do meio ambiente e o uso eficiente de recursos no contexto do desenvolvimento sustentável.

No Brasil, o escritório trabalha para disseminar, entre seus parceiros e a sociedade em geral, informações sobre acordos ambientais, programas, metodologias e conhecimentos em temas ambientais relevantes da agenda global e regional e, por outro lado, para promover uma participação e contribuição mais intensa de especialistas e instituições brasileiras em fóruns, iniciativas e ações internacionais.

Entre as principais áreas de atuação no país, estão o Manejo de Ecossistemas, Mudança Climática, Substâncias Nocivas e Resíduos e Eficiência de Recursos, sendo este último guarda-chuva das ações como a campanha “Separe. Não Pare”.

Da ONU.