Categoria: Ser Sustentável

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Fica começa nesta terça na cidade de Goiás

Começa nesta terça-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, e segue até domingo o 20º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), na cidade de Goiás. De acordo com a organização, o evento é o maior festival de cinema ambiental da América Latina exibe 101 filmes em 8 mostras de cinema.

As duas décadas de existência da mostra são celebradas como tema “A Força de Um Legado”. Serão realizadas, além das exibições de filmes, mesas redondas, fóruns, cursos, workshops e outras atividades alusivas ao meio ambiente.

O Fica 2018 também abre sua programação com um cortejo de lançamento do Projeto Fica Limpo, às 16h30, na Praça do Chafariz, seguido de uma Dança Circular Sagrada com a equipe do Fica Limpo, às 17h30, na Praça do Coreto. Às 17h, na Praça do Chafariz, o Grupo Rosário de Cajá e Ronaldo Oliveira puxam uma Ciranda de Roda.

Logo pela manhã, a partir das 8h, ocorre a abertura da Tenda Goiás – Município Saudável e Sustentável na Praça do Chafariz.

Um dos principais espaços de debate do meio ambiente no Fica é o Fórum Ambiental 2018 que este ano tem a consultoria do jornalista André Trigueiro. Os temas vão permear A Nova EnergiaAs Novas Cidades e A Nova Espiritualidade.

A ideia central do Fórum Ambiental é debater o que há de novo por meio do resgate do que se instigou e influenciou nos últimos anos. Para Trigueiro, o Fica, em duas décadas de existência já abriu caminhos para uma nova visão sobre a defesa do meio ambiente e, neste ano, promove uma “versão sobre a colheita dessa semeadura”.

Cinema

Nesta edição, os cineastas Walter Carvalho, José Vilamarim e George Moura, diretores e roteiristas da série global Onde nascem os fortes, participam do Fórum de Cinema no sábado, 09/06, para uma discussão sobre os novos rumos da dramaturgia brasileira. O festival também contribui para a mudança do cenário de gênero no audiovisual com uma mesa de discussão na sexta-feira, 08/06, encabeçada pela atriz Bruna Linzmeyer e pelas cineastas Laís Bodanzky e Susanna Lira

Cerca de 21% das produções brasileiras em 2017 eram obras seriadas segundo dados da Agência Nacional de Cinema (Ancine). O mercado de produções em série está em franco crescimento no Brasil, posicionado em 10º lugar no ranking dos maiores maratonistas de série no mundo segundo a empresa de vídeo sob demanda Netflix. O segmento recebe atenção especial nesta edição do Fica na mesa de discussão conduzida por Walter Carvalho, cineasta brasileiro responsável por obras como a série Justiça, também exibida pela Globo, e o longa Budapeste.

Walter é consultor de cinema do festival ao lado da produtora Ilda Santiago e participa do Fórum de Cinema do Fica pela segunda vez. O diretor de grandes títulos da televisão brasileira, como a novela recorde de audiência Avenida Brasil, José Villamarim também participa do debate junto com o roteirista seis vezes indicado ao Emmy International George Moura. Os dois atuaram juntos em diversas produções além de Onde Nascem os Fortes.

Na segunda mesa do Fórum, a diretora de filmes como Bicho de Sete Cabeças e Como Nossos Pais, título brasileiro mais premiado em 2017, Laís Bodanzky acompanha Susana Lira, criadora da série Rotas do Ódio em exibição na TV por assinatura, e Bruna Linzmeyer, atriz de O Filme da Minha Vida e Meu Pedacinho de Chão. As três são conhecidas por abordarem temas como o feminismo e a intolerância racial na frente e por trás das câmeras.

 

 

Confira a programação:

Programação – Dia 5 de junho

Mostra de Abertura do Fica 2018

Ex-Pajé (Diretor Luiz Bolognesi): Um poderoso pajé passa a questionar sua fé depois do primeiro contato com brancos, que julgam sua religião como demoníaca. No entanto a missão evangelizadora comandada pelo pastor intolerante é posta em cheque quando a morte passa a rondar a aldeia e a sensibilidade do índio em relação aos espíritos da floresta mostra-se indispensável.

Onde: Cineteatro São Joaquim

Quando: 05/06/2018 às 21h

 

Fica na Comunidade 2018 (Shows, Oficinas, Exposições e Apresentações Culturais)

Cortejo de Lançamento do Projeto Fica Limpo – Fica 2018

Onde: Praça do Chafariz

Quando: 05/05 às 16h30

 

Ciranda de Roda com Grupo Rosário de Cajá e Ronaldo Oliveira

Onde: Praça do Chafariz

Quando: 17h

 

Show com Vila Boa Samba a Toa

Onde: Palco do Coreto

Quando: 22h

 

Exposição Fotográfica Trocando Olhares – Marcelo Dionízio

Onde: Palácio Conde dos Arcos

Quando: 08h às 17h

 

Exposição Fotográfica Canadá – Fauna e Flora – Rosa Berardo

Onde: Palácio Conde dos Arcos

Quando: 08h às 17h

 

Exposição Motirõ – Artes In-Comuns – Exposição que integra diversas expressões de artistas da região goiana

Onde: Pátio do Rosário

Quando: 08h às 17h

 

Fica na Comunidade 2018 (Programação Instituto Bertran Fleury 20º Fica)

Visita Mediada* ao Circuito Completo do Economuseu Cerratense: Canto do Acolhimento, Recantos da História, Caminho de Letras e Árvores, Recanto da Cooperação, Cantos da Criação/Recriação, Caminho da Transformação; acompanhada do “Cafezim Cerratense”: café coado, suco de fruta da estação, pão e biscoito de queijo, mané-pelado ou outro bolo caseiro.

Onde: Instituto Bertran Fleury

Quando: 08 às 17h

 

Mostra Inaugural do Ateliê Elder Rocha Lima

Onde: Instituto Bertran Fleury

Quando: 08 às 17h

 

Instalação Museal Bertran 7.0: memórias de um homem hiperconectado com o Cerrado, no Memorial Paulo Bertran, em homenagem aos 70 anos de Paulo

Onde: Instituto Bertran Fleury

Quando: 08 às 17h

 

Instalação Museal Sinhás, Helenas e Ivanys

Onde: Instituto Bertran Fleury

Quando: 08 às 17h

 

*Agende sua visita: e-mail: economuseucerratense@gmail.com; celular: 62 98127-9273 ou (62)98400-1101. Rua padre Arnaldo n. 13 ao lado da Pousada Dona Sinhá.

 

Tenda Multi Étnica – Povos do Cerrado (UEG / SEDUCE)

III Edição da Tenda Multiétnica – Encontro, diálogo e manifestações culturais entre os diversos povos que compõem o Estado de Goiás (Yni, Avá Canoeiros, Tapirapés, Kalungas, Povos Ciganos, entre vários outros)

 

Exposição Homenagem

Exposição Artista Homenageado Marcelo Solá

Onde: Palácio Conde dos Arcos

Quando: 08h às 17h

 

Exposição Fica 20 anos – A Força de um Legado

Onde: Cine Teatro São Joaquim

Quando: 08h às 22h

 

Programação Geral Fica 2018

Fica na Comunidade – Abertura da Tenda Goiás – Município Saudável e Sustentável

Onde: Praça do Chafariz

Quando: a partir das 8h

 

Dança Circular Sagrada com equipe do Fica Limpo – Fica 2018

Onde: Praça do Coreto

Quando: 17h30

 

Cerimônia de Abertura do Fica

Onde: Cine Teatro Joaquim

Quando: 20h

 

 

Da redação com assessoria

cana de açucar

Compras e sustentabilidade

A adoção de hábitos sustentáveis, neste início de século, tem sido cada vez mais uma tendência na sociedade. Se existem correntes de pensamento que pregam o equilíbrio do consumo, também há inúmeros estímulos comerciais que nos influenciam minuto a minuto por meio da internet, televisão, rádio, outdoor, etc. Ficamos entre a cruz e a espada quando temos que optar entre o consumo de um sapato novo ou o orgulho de remar contra a corrente.

Para o bem da humanidade, existem muitas pessoas que buscam minimizar o impacto ambiental no planeta. Mas adotar hábitos que sejam favoráveis ao meio ambiente, economia e sociedade não é uma tarefa fácil e um dos motivos é a falta de conhecimento sobre o que é realmente sustentável. Para aqueles que se preocupam com essa questão, aqui vai boa uma dica: compre perto de você.

Comprar perto, sempre que possível, é um hábito sustentável. Se você compra perto de casa evita deslocamentos e, assim, gasto de energia e, consequentemente, a emissão de gases do efeito estufa (GEE). Mas não é só isso! Imagine que no seu bairro há um supermercado ou padaria que gera empregos para muitas pessoas que residem nas proximidades. Adquirindo produtos nestes estabelecimentos você promove a redução de deslocamentos e mais qualidade de vida para os trabalhadores, que terão mais tempo com a família ao invés de perdê-lo no trânsito.

O perto não precisa ser necessariamente sob o aspecto geográfico. Comprar do vizinho, amigo ou conhecido também é sustentável. Neste caso, o ganho é com a distribuição de riqueza. Quanto maior o estabelecimento, provavelmente mais ricos são seus proprietários. Então, quando você faz a opção por pequenos empreendedores está mantendo a circulação de capital na base da pirâmide.

Essa troca comercial tem impactos sociais significativos, muitas vezes, latentes. Comprar de quem está próximo possibilita interagir com mais pessoas e abrir oportunidade para que os outros nos conheçam. E por que não, a partir disto, gerar novas oportunidades? Este contato com o próximo pode fazer com que os outros conheçam produtos e serviços nossos.

Deivid Souza é jornalista especializado em sustentabilidade e pós-graduando em Gestão e Tecnologias Ambientais (USP)

Artigo publicado no jornal O Popular em 12 de fevereiro de 2018.

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Artigo: Valor do meio ambiente

No Brasil, assim como em muitas partes do mundo, o conceito de que uma área de preservação é um espaço não produtivo ainda resiste. Essa concepção contribui para que espaços naturais sejam devastados.

No entanto, esta ideia é fruto de desconhecimento de todos os serviços que os ecossistemas proporcionam à humanidade. Só para citar alguns exemplos, podemos relacionar: provisão de alimentos, água doce, madeira, produtos químicos, e ainda a regulação do clima, controle de doenças, entre outros benefícios que nos servem.

Isso quer dizer que quando uma floresta está em pé, ela cumpre um papel importante, e os beneficiados somos nós seres humanos. Reconhecer o valor destes serviços é, talvez, o primeiro passo para nos conscientizarmos da necessidade de preservar.

Por outro lado, quando descaracterizamos um ecossistema, estamos roubando de nós mesmos serviços que são essenciais à economia e ao bem estar. Recentemente, uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Goiás (UFG) demonstrou a diferença de temperatura entre uma região privilegiada com áreas verdes e outra carregada de concreto e áreas impermeabilizadas. Um exemplo de regulação do tempo.

Mensurar o valor financeiro de uma área ambiental conservada que contribui para retirar toneladas de CO2 do ar é um desafio para especialistas. Felizmente, a ciência já desenvolveu mecanismos para esta tarefa. Hoje é possível trabalhar com a valoração ambiental, ou seja, mensurar o retorno financeiro de preservar.

Se por um lado enxergar o valor dos serviços pode ser algo ainda latente, as cifras dos prejuízos pela ausência deles são notáveis. O Banco Mundial apurou que os grandes desastres ocorridos entre 2008 e 2011 em Pernambuco, Santa Catarina, Alagoas e Rio de Janeiro provocaram perdas de R$ 15 milhões.

Programas copiados de outros países têm chegado ao Brasil para remunerar quem preserva ecossistemas. Além disso, projetos desenvolvidos na Amazônia têm recebido aporte financeiro. A maioria dessas iniciativas consiste em sustentar monetariamente programas de uso sustentável dos recursos naturais.

Estas áreas ainda são pouco representativas frente ao tamanho dos desafios que temos pela frente. Mas são um bom sinal que a ideia que conservação significa prejuízo está perdendo força.

Deivid Souza é jornalista, editor do site Canal Sustentável e especializando em Gestão e Tecnologias Ambientais (USP)

Artigo publicado no jornal O Popular em 21 de julho de 2017.

Piar da juriti

Livro sobre Cerrado é a dica de leitura para fim de semana

Uma viagem pelo tempo no Cerrado. Esta é a proposta do livro O piar da Juriti Pepena – Narrativa Ecológica da Ocupação Humana do Cerrado –dos autores: Altair Sales Barbosa, Pedro Ignácio Schmitz S.J., Antônio Teixeira Neto e Horieste Gomes.

O título conta como foi o processo de formação do bioma Cerrado, lista vários animais que povoaram este espaço no passado, lista tribos que habitaram o local, frutas e muito mais. O exemplar é uma oportunidade de entender porque o Cerrado é dono de tamanha biodiversidade, aprender um pouco de história e cultura do Centro-Oeste.

Um dos autores, Altair Sales, dedicou a vida a pesquisar o Cerrado. Hoje professor aposentado da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), é uma das maiores autoridades mundiais no bioma. Vale lembrar, ele é o idealizador do Memorial do Cerrado, que já falamos aqui outras vezes.

O livro é rico em figuras, e isso é importante para compreender como se deu o processo de amadurecimento do bioma.  O título é da Editora PUC-Goiás, onde comprei o meu.  Boa leitura!

Por Deivid Souza

Livraria PUC-GO: 62 3946 1080.

Banco mundial

Opinião: Respeito a direitos da mulher é essencial para a sustentabilidade

Já faz um bom tempo que os relatórios do Banco Mundial, ONU e outras instituições têm destacado a importância da mulher para o desenvolvimento sustentável. Prova disso é que o banco anunciou, em abril de 2016, o investimento no valor de US$ 2,5 bilhões por cinco anos em programas de educação para meninas adolescentes. O objetivo é fortalecer o empoderamento feminino.

Os abismos são mesmo grandes. Na América Latina, por exemplo, a proporção de assentos ocupados por mulheres nos parlamentos nacionais é de 29%.

A mulher pode contribuir com o desenvolvimento sustentável estudando e incrementando as economias mundo afora. Além disso, o controle da natalidade tem forte influência sobre a qualidade de vida e os gastos de saúde dos países, sobretudo os mais pobres.

Em 2009, segundo dados da ONU, 201 milhões de mulheres não tinham acesso a serviços de planejamento familiar. As consequências disso são terríveis. A cada ano, ocorrem 52 milhões de gravidezes indesejadas, 22 milhões de abortos induzidos e 1,4 mortes de recém-nascidos.

Esta realidade está associada também à falta de educação para as mulheres. Em 2013, 26% das mulheres com idade entre 20 e 24 anos se casaram antes de completar 18 anos. Aí fica a pergunta, como uma mulher que se casa tão cedo e não tem as devidas condições para estudar poderá planejar sua fertilidade? Não é difícil perceber que esses fatores vitimam o público feminino.

Neste 8 de março é importante lembrar que essas diferenças existem e que precisam ser desfeitas. Há vários caminhos para isso, mas acredito que o principal é o da educação. Garantir o direito a um ensino de qualidade empodera as mulheres, tão importantes também na economia mundial.

O mundo tem um enorme desafio de ampliar a oferta de alimentos e parte desse caminho pode ser vencido com ajuda de mulheres que vivem na zona rural e podem plantar, ainda que pequenas quantidades de alimento, em pouco espaço de terra. Vale lembrar que este recurso está se tornando cada vez mais raro, o espaço para o plantio está diminuindo em decorrência do aumento das zonas urbanas e da destinação de espaço para a criação de gado.

A mulher também deve buscar esse empoderamento e ocupar os lugares de destaque. Sabemos que há grandes obstáculos a serem vencidos em todas as sociedades, sejam elas desenvolvidas ou não, mas para o bem da humanidade o gênero não pode ser um determinante na vida das pessoas.

Deivid Souza é editor do Canal Sustentável e aluno do MBA Gestão e Tecnologias Ambientais (USP)

Foto: Agência Brasil

Opinião: Com dados disponíveis, é hora de se prepar para mudança climática

Pela primeira vez, pesquisadores brasileiros identificaram quantitativa e qualitativamente os efeitos das mudanças climáticas, apontando, regionalmente, as consequências para agricultura, biomas, recursos hídricos, energias renováveis, desastres naturais, saúde, entre outros.

A publicação Modelagem Climática e Vulnerabilidades Setoriais à Mudança no Clima no Brasil é fruto do trabalho de cientistas das mais diversas áreas do conhecimento de diversificadas instituições de ensino e pesquisa.

O trabalho descobriu, por exemplo, que a produção da soja, responsável por metade das exportações do estado de Goiás, poderá cair até 80% até o ano de 2085, caso as previsões se confirmem. Além disso, culturas como milho, feijão, arroz e trigo também devem enfrentar uma redução nas áreas de plantio consideradas de baixo risco de perdas. Para as cidades, o risco de enchentes e inundações apresenta variação entre os anos de 2008 e 2030 na faixa dos 46%.

Com este cenário amedrontador as políticas públicas e ações privadas precisam avançar mais rapidamente junto à sustentabilidade. No caso da agricultura, estão em curso várias pesquisas que podem facilitar a adaptação de culturas à redução das chuvas e aumento das temperaturas. Uma delas, vai entregar ao mercado uma variação genética do milho com raízes maiores para que a planta tenha condições de buscar hidratação mais profundamente.

Na contramão da realidade, municípios brasileiros ignoram o perigo. Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que metade dos municípios brasileiros não tinha nenhum mecanismo para prevenir e enfrentar desastres naturais.

Com tantas informações disponíveis, o desafio agora é, sem perder de vista a busca pela sustentabilidade, planejar ações tanto no meio urbano quanto rural para minimizar as os danos que o aquecimento global trará.

Razões para isso não faltam, mas além do planejamento, as ações precisam ser implementadas rapidamente.
Deivid Souza é jornalista e aluno do MBA Gestão e Tecnologias Ambientais (USP)

*Artigo publicado no jornal O HOJE em