Categoria: Ser Sustentável

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Opinião: O futuro das cidades

Em 2050, 75% da população mundial estará concentrada nas cidades. Boa parte dessa população viverá constrita em bairros marginais, sem condições mínimas de vida. O desafio, hoje, é construir centros urbanos onde possamos conviver sem discriminação.

A 3ª cúpula da Organização das Nações Unidas sobre moradia e urbanismo, Habitat III — que ocorrerá em outubro, em Quito — é a última oportunidade para definir a agenda urbana global. Embora durante a cúpula anterior — Istambul, em 1996 — tenha sido apresentada uma visão de cidades sustentáveis, ela fracassou ao não ter integrado uma perspectiva de direitos humanos, e os compromissos assumidos na ocasião viraram letra morta.

Vinte anos mais tarde, face a uma enorme desigualdade, os direitos humanos voltam à discussão. Desta vez, os estados têm a responsabilidade histórica de mostrar seu compromisso na matéria.

Para isso, a Habitat III deve se basear nas normas de direitos humanos e nos princípios de participação, transparência e prestação de contas, bem como na não discriminação e no respeito à diversidade. Só assim seremos capazes de planejar espaços onde as pessoas desfrutem do direito a viver sem discriminação, sejam homens, mulheres, crianças, jovens, idosos, migrantes, indígenas, afrodescendentes, LGBTI, com deficiência e outros.

A Habitat III é também um cenário ideal para assegurar o direito a uma moradia adequada, com acesso a serviços básicos, saúde e educação, inclusive em assentamentos informais, assim como para frear os despejos forçados, remoções e a segregação por especulação imobiliária ou pela realização de megaeventos esportivos.

Além do mais, a cúpula deve projetar cidades seguras, onde a ordem Ae a segurança cidadã convivam com a liberdade de expressão e a manifestação pacífica; onde seja possível convergir em atividades sociais e culturais sem suspeição ou susceptibilidade a políticas de limpeza social ou mão pesada.

A Habitat III deve nos comprometer a produzir e consumir em harmonia com o meio ambiente, respondendo à necessidade de um entorno livre de contaminação e ao desafio dos assentamentos em áreas de risco de desastres, onde o Estado deve agir considerando as pessoas em todas as suas caraterísticas.

Ao contrário de Istambul 1996, felizmente, os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris sobre a Mudança Climática estão baseados nas obrigações em direitos humanos dos estados. Além disso, há novas relações público-privadas que devem ser desenvolvidas segundo os Princípios Orientadores da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos, entre outras normas.

Aproveitando o impulso, os governos da América do Sul têm a possibilidade de formar na Habitat III seu compromisso de construir as cidades do futuro, onde seus povos vivam livres de penúrias e onde possamos exercer nossos direitos em igualdade de condições. Só assim seremos capazes de alcançar o maior objetivo da Agenda 2030: não deixar ninguém para trás.

Por: Amerigo Incalcaterra, representante regional para América do Sul do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH)

Da ONU / Foto: EBC

 

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Uma palavra sobre a auditoria social

As empresas nada mais valem hoje do que sua marca e o que ela significa. Equipamentos, processos, tecnologias e etc, praticamente tudo pode ser equiparado rapidamente pela concorrência. No entanto, o valor que a marca carrega costuma ser construído ao longo de décadas, às vezes centenas de anos.  Mas a velocidade das mudanças atuais, proporcionadas principalmente pelo advento da internet, podem transformar em pó algo valioso.

Para evitar que isso aconteça, e melhor que isso, traçar um plano de crescimento, as organizações podem, e devem, fazer a auditoria social. Esse termo, que pode ser novo para muitos, nada mais é de um levantamento que possa apurar as exigências e expectativas da sociedade e avaliar sua capacidade de resposta a essas demandas por parte da organização.

Sem dúvida, a sustentabilidade corporativa depende de um alinhamento entre expectativas da sociedade e o que a empresa é capaz de oferecer. Se não é sabido o que o cliente deseja, como atendê-lo?. A sustentabilidade precisa ser acompanhada com atenção sob a ótica dos três pilares: ambiental, econômico e social. Ou seja, não estamos falando apenas de preço, produto, praça e promoção.

Dica

Um bom começo para quem quer saber um pouco sobre expectativas é consultar o relatório Mercados Inclusivos no Brasil – Desafios e Oportunidades do Ecossistema de Negócios.  Cada vez mais as empresas serão cobradas por resultados sustentáveis e nem sempre será possível visualizar isso, a menos que sejam desenvolvidas metodologias de auditoria social.

Por quê um site sobre sustentabilidade?

A sustentabilidade sempre foi um assunto que atraiu minha atenção. No entanto, este site e o conjunto de mídias digitais que o acompanha nasceram da vontade de abrir espaço para falarmos do assunto. Este é um ideal, mas não deixa de ser um negócio. Por este motivo, o investimento foi pensado para atender de cerca de 24% da população brasileira que tem interesse em buscar informações sobre o tema. O dado é da “Pesquisa Akatu 2012: Rumo à sociedade do bem-estar” e o que mais chamou a atenção não é o percentual, e sim o crescimento deste interesse. No levantamento anterior, feito dois anos antes, esta parcela era de 14%.

Se por um lado há interesse pelo assunto, por outro existe também um espaço considerável para ser preenchido pelos meios de comunicação.  De 2010 para 2012, aumentou fortemente (de 44% para 60%) o contingente de brasileiros que “ouviram falar” no termo sustentabilidade, segundo o levantamento em questão. Por outro lado, temos 40% que ser dizem ter ouvido falar no termo mencionado.

A pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) sobre consumo consciente revelou que os brasileiros dão nota média de 8,8 para a importância do tema consumo consciente, mas em contrapartida, apenas dois (21,8%) em cada dez brasileiros podem ser considerados consumidores plenamente conscientes. Falta de informação? Talvez. Seja a resposta sim ou não, o fato é que o assunto precisa ser discutido.

Os avanços da COP21 são significativos e começam a pavimentar o caminho para a estrada da sustentabilidade – falarei sobre o assunto em outra oportunidade –, mas este é um caminho muito extenso que não envolve apenas os aspectos superficiais do tripé: ambiental, social e econômico. Em momentos como o que o Brasil atravessa, a crise tende a abrir oportunidades, mas por outro lado haverá aqueles que decidem contingenciar investimento em práticas verdes.

Seja em qualquer momento, lugar ou situação que uma pessoa, empresa, país ou pessoa se encontre, a informação será fundamental para tomadas de decisão. Então este site foi criado para contribuir com o acompanhamento deste momento de transição.

 

Deivid Souza é jornalista, criador do Canal Sustentável