Concentração urbana reforça importância da sustentabilidade

Goiânia

Pesquisa do IBGE demonstra crescimento dos municípios brasileiros e chama atenção para desenvolvimento equilibrado das cidades

Deivid Souza

Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quarta-feira (30), aponta que apenas 17 municípios brasileiros concentram 1/5 da população. Outras estimativas do Instituto demonstram que 85% da população do País está no meio urbano. Os números reforçam a preocupação com a necessidade de as cidades se desenvolverem respeitando os conceitos de sustentabilidade.

Assim como o termo sustentabilidade, a aplicação deste conceito numa cidade tem muitas definições. Em Goiânia para apresentar um painel sobre o assunto no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-Go), nesta quarta-feira (30), o engenheiro civil e consultor associado da Baobá Práticas Sustentáveis, Marcelo Linguitte, destacou que existem cinco níveis que precisam ser observados no desenvolvimento das cidades, sendo eles: urbano, intraurbano, edificação, produtos e operação pelos habitantes.

O especialista explica que o cidadão participa atuando na escolha das formas de consumo, economia, ou não, de água e energia e cobrança e monitoramento de políticas públicas. “O primeiro nível de sensibilização é sobre informação, Só que isto não é suficiente. É preciso sensibilizar a conscientização do cidadão sobre determinado aspecto e aí as questões práticas são relevantes. A educação pode ser de duas maneiras: você dá o incentivo ou uma punição, a partir daí pode acontecer a mudança de comportamento”, salienta.

Concentração

Além de estarem no meio urbano, os brasileiros viverão, cada vez mais, em cidades de médio e grande porte. Os dados do IBGE apontam que o grupo de cidades com mais de 100 mil a um milhão de habitantes tiveram a maior proporção de municípios com crescimento acima de 1%: 45% do conjunto.

Se não for bem planejado o crescimento, ele pode vir acompanhado do desordenamento urbano e a vulnerabilidade ambiental. A revista Nature desta semana destaca em um de seus artigos que a ciência ainda não é capaz de prever, com precisão, os eventos climáticos extremos. O periódico cita o furacão Harvey, que pode ter causado prejuízos entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões, de acordo com estimativas iniciais de corretoras de seguros norte-americanas.

Para Linguitte, não há como impedir os desastres, mas a cidade deve se organizar e fazer o “possível” para minimizar os danos e proteger a população. “É preciso fazer uma identificação dos eventos possíveis e se preparar para eles, ou seja, ter uma postura de aprendizado e resiliência. Existem mecanismos de diagnóstico e planejamento para esses eventuais riscos, é algo que tem que ser visto com mais cuidado, gestão de risco e preparação. No nível local, se eu tenho áreas inundáveis de 100 m, por exemplo, eu não vou colocar moradia neste espaço”, pontua.

Redes

Dentro desta proposta, o especialista defende que as Redes de Monitoramento Cidadão (RMC) têm um papel importante e podem contribuir bastante. No Brasil, as capitais Florianópolis, Goiânia, Palmas, Vitória e João Pessoa desenvolvem a implantação do projeto. As Redes de Monitoramento trabalham com uma metodologia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). No Brasil, o financiamento é feito pelo do Fundo Socioambiental da Caixa. O desenvolvimento das redes está a cargo da agência Baobá Práticas Sustentáveis.