Mudança no regime de chuvas volta a castigar produtores em Goiás

reunião produtores

Período de chuva estendido já deixou prejuízos para agricultores que plantaram milho

Deivid Souza / Foto: Larissa Melo – Faeg

A antecipação do período de estiagem em Goiás já deixou marcas na memória dos produtores. De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) municípios goianos já perderam 40% da produção de milho por causa da seca. O Estado tem plantados 1,23 milhão de hectares de milho.

Abril, que geralmente é um mês com volume de chuvas considerável teve mais de 20 dias de seca. “O produtor que plantou em março para que a planta se desenvolvesse teve prejuízos”, explica o assistente técnico da Faeg, Cristiano Palavro.

No entanto, quem semeou em fevereiro ou no mês de abril deverá ter resultados melhores. Ainda não é possível falar em alta no preço do produto porque outros fatores mercadológicos influenciam no valor de venda do milho. Por causa da estiagem antecipada, lavouras de feijão também foram afetadas, mas o volume de plantio é bem menor e os prejuízos também são menos significativos.

A maior preocupação talvez fique por conta do gado. Com um mês a mais de estiagem, a alimentação do gado ficará mais escassa. Sendo assim, os produtores vão precisar de complementar a alimentação do gado ou até reduzir a velocidade de engorda. Mas para Palavro isso não significará encarecimento para o consumidor final. “Esse é um efeito bastante indireto porque o preço ao consumidor final ainda tem algumas etapas até chegar nele. Tem outros fatores que vão influenciar”, explicou ao Canal Sustentável o assistente.

Os dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) referentes à chuva revelam que o último período chuvoso foi melhor que o anterior. No entanto, algumas regiões do Estado tiveram menos chuva e poderão sofrer mais com a estiagem prolongada. “A Região Norte, município de Posse, por exemplo, sofreu com o início da chuva atrasado. Geralmente, o período de chuva deles já é mais atrasado que para nós, e esse ano foi bem curto o período deles, foi menor que o nosso”, comenta a chefe do Inmet em Goiás, Elizabete Ferreira.

Elizabete revela que os dados do Estado são semelhantes aos da Capital. Os dados apontam que, apesar de alguns meses com chuvas abaixo do esperado, meses como janeiro e fevereiro superaram as expectativas.

Volume de chuvas em Goiânia

2014/2015 (mm) 2015/2016 (mm) esperado (mm)
outubro 69,2 18,2 166,9
novembro 182,9 354,8 219,0
dezembro 339,0 207,7 258,8
janeiro 73,6 484,8 266,8
fevereiro 224,0 155,4 214,8
março 312,5 156,2 206,8
abril 204,2 * 118,9

Até 26/4 não havia chovido na Capital

Fonte: INMET