Opinião: Com dados disponíveis, é hora de se prepar para mudança climática

Foto: Agência Brasil

Pela primeira vez, pesquisadores brasileiros identificaram quantitativa e qualitativamente os efeitos das mudanças climáticas, apontando, regionalmente, as consequências para agricultura, biomas, recursos hídricos, energias renováveis, desastres naturais, saúde, entre outros.

A publicação Modelagem Climática e Vulnerabilidades Setoriais à Mudança no Clima no Brasil é fruto do trabalho de cientistas das mais diversas áreas do conhecimento de diversificadas instituições de ensino e pesquisa.

O trabalho descobriu, por exemplo, que a produção da soja, responsável por metade das exportações do estado de Goiás, poderá cair até 80% até o ano de 2085, caso as previsões se confirmem. Além disso, culturas como milho, feijão, arroz e trigo também devem enfrentar uma redução nas áreas de plantio consideradas de baixo risco de perdas. Para as cidades, o risco de enchentes e inundações apresenta variação entre os anos de 2008 e 2030 na faixa dos 46%.

Com este cenário amedrontador as políticas públicas e ações privadas precisam avançar mais rapidamente junto à sustentabilidade. No caso da agricultura, estão em curso várias pesquisas que podem facilitar a adaptação de culturas à redução das chuvas e aumento das temperaturas. Uma delas, vai entregar ao mercado uma variação genética do milho com raízes maiores para que a planta tenha condições de buscar hidratação mais profundamente.

Na contramão da realidade, municípios brasileiros ignoram o perigo. Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que metade dos municípios brasileiros não tinha nenhum mecanismo para prevenir e enfrentar desastres naturais.

Com tantas informações disponíveis, o desafio agora é, sem perder de vista a busca pela sustentabilidade, planejar ações tanto no meio urbano quanto rural para minimizar as os danos que o aquecimento global trará.

Razões para isso não faltam, mas além do planejamento, as ações precisam ser implementadas rapidamente.
Deivid Souza é jornalista e aluno do MBA Gestão e Tecnologias Ambientais (USP)

*Artigo publicado no jornal O HOJE em