Preservação e produção de alimentos precisam andar juntas

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Este foi o recado que os especialistas em meio ambiente deram no primeiro dia de discussões do Fórum Ambiental do Fica 2016

Alinhar a produção de alimentos à preservação do Cerrado. Este é o tema central do Fórum Ambiental do XVIII Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2016), que começou nesta terça-feira (16) e segue até domingo (21).

O desafio é mesmo grande. O Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) estima que a produção de comida precisa aumentar 70% até 2050. Do outro lado, está a pressão por mais áreas agricultáveis. No entanto, o recado que os debatedores do Fórum deram nesta quinta-feira (18), primeiro dia do Fórum, é que os interesses podem até parecer antagônicos, mas não são.

O incremento da produção de alimentos no Cerrado está diretamente associado à preservação do mesmo. Tanto que foi lançada a campanha “Cerrado, berço das águas: sem Cerrado, sem água, sem vida”. A campanha é uma iniciativa de 36 organizações, movimentos e entidades nacionais.

O arqueólogo e antropólogo, Altair Sales, que é um dos maiores conhecedores do bioma no Brasil explicou que as características do Cerrado fazem a recuperação de áreas uma vez degradadas quase irrecuperáveis. “Estamos falando do ambiente mais antigo do mundo, tendo em vista as formações mais recentes que conhecemos. Trata-se de um bioma que está desaparecendo e que não poderá ser recuperado jamais”, frisou.

Papel

O representante da etnia Krao/Tocantins, Antônio Apinaje, chamou a atenção para o fato de existirem pessoas que lutam pela manutenção do bioma, mas enfatizou que elas pagam um alto preço por levantar a bandeira. “Temos visto pessoas que defendem o Cerrado e combatem a sua exploração perderem suas vidas por baterem de frente com empresários poderosos que tem interesses claramente econômicos”, explicou Antônio.

Para a coordenadora da Comunidade Fundo e Fecho de Pasto/Bahia, Euziene de Abreu Silva, a ideia de que a vida humana depende da preservação do Cerrado é muito clara. Ela defende que a sociedade civil abra os olhos e arregace as mangas para manter o Cerrado de pé. “O Cerrado só existe de pé onde existe uma comunidade em luta. E não vamos lutar sozinhos. A luta coletiva é muito mais forte”, concluiu.

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Por Deivid Souza com Seduce / Foto: Flavio Isaac