Opinião: Respeito a direitos da mulher é essencial para a sustentabilidade

Banco mundial

Já faz um bom tempo que os relatórios do Banco Mundial, ONU e outras instituições têm destacado a importância da mulher para o desenvolvimento sustentável. Prova disso é que o banco anunciou, em abril de 2016, o investimento no valor de US$ 2,5 bilhões por cinco anos em programas de educação para meninas adolescentes. O objetivo é fortalecer o empoderamento feminino.

Os abismos são mesmo grandes. Na América Latina, por exemplo, a proporção de assentos ocupados por mulheres nos parlamentos nacionais é de 29%.

A mulher pode contribuir com o desenvolvimento sustentável estudando e incrementando as economias mundo afora. Além disso, o controle da natalidade tem forte influência sobre a qualidade de vida e os gastos de saúde dos países, sobretudo os mais pobres.

Em 2009, segundo dados da ONU, 201 milhões de mulheres não tinham acesso a serviços de planejamento familiar. As consequências disso são terríveis. A cada ano, ocorrem 52 milhões de gravidezes indesejadas, 22 milhões de abortos induzidos e 1,4 mortes de recém-nascidos.

Esta realidade está associada também à falta de educação para as mulheres. Em 2013, 26% das mulheres com idade entre 20 e 24 anos se casaram antes de completar 18 anos. Aí fica a pergunta, como uma mulher que se casa tão cedo e não tem as devidas condições para estudar poderá planejar sua fertilidade? Não é difícil perceber que esses fatores vitimam o público feminino.

Neste 8 de março é importante lembrar que essas diferenças existem e que precisam ser desfeitas. Há vários caminhos para isso, mas acredito que o principal é o da educação. Garantir o direito a um ensino de qualidade empodera as mulheres, tão importantes também na economia mundial.

O mundo tem um enorme desafio de ampliar a oferta de alimentos e parte desse caminho pode ser vencido com ajuda de mulheres que vivem na zona rural e podem plantar, ainda que pequenas quantidades de alimento, em pouco espaço de terra. Vale lembrar que este recurso está se tornando cada vez mais raro, o espaço para o plantio está diminuindo em decorrência do aumento das zonas urbanas e da destinação de espaço para a criação de gado.

A mulher também deve buscar esse empoderamento e ocupar os lugares de destaque. Sabemos que há grandes obstáculos a serem vencidos em todas as sociedades, sejam elas desenvolvidas ou não, mas para o bem da humanidade o gênero não pode ser um determinante na vida das pessoas.

Deivid Souza é editor do Canal Sustentável e aluno do MBA Gestão e Tecnologias Ambientais (USP)