Sustentabilidade abre oportunidade para novos modelos de negócio em 2017

sustentabilidade-negócio

Momento tem espaço para desenvolvimento de empresas consolidadas e também para criação de novos modelos de serviços que tratem da sustentabilidade

Deivid Souza / Foto: EBC

A sustentabilidade vem influenciando os negócios há um bom tempo. No Brasil, o ano de 2016, marcado pela forte recessão, fez os empreendedores buscarem mais fortemente maneiras de equilibrar as contas para sobreviver. Para 2017 e os próximos anos os especialistas defendem que essa tendência tende a se asseverar cada vez mais, ou seja, é um caminho sem volta.

Se por um lado há a necessidade de se reinventar, por outro, as transformações abrem oportunidades para empresas e profissionais. Para os negócios já em atividade, 2017 deve ser um ano de otimizar recursos, reestruturar processos e redesenhar a missão da empresa. Isso abre oportunidade para organizações, que eventualmente não estejam no mercado, mas que possam contribuir com o aprimoramento de negócios.

O Estudo de Tendências e Oportunidades de Negócios em Goiás, elaborado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), listou 18 macrotendências em 2016. Consumo consciente e sustentabilidade é uma delas. Neste segmento, logística reversa, consultorias para certificação, soluções sustentáveis, comércio justo e produtos e serviços ligados à preservação do meio ambiente despontaram como campos de atuação promissores. O estudo apurou que existe demanda de mercado para brechó, carpintaria verde, coleta e reciclagem de resíduos, organização de eventos carbono neutro e produção de bijóias, por exemplo.

A gerente de Gestão Estratégica do Sebrae-GO, Camilla Carvalho Costa, afirma que além desses modelos de negócios voltados à sustentabilidade há um movimento em busca da racionalização dos recursos empresariais que procura equilibrar preservação ambiental, economia e responsabilidade social. E isso, diz ela, se aplica a todos os ramos da economia. A gerente explica, no entanto, que é preciso se preparar para as mudanças.

“O primeiro movimento deve ser o de conhecer a demanda, fazer um diagnóstico para saber qual é a lacuna de mercado, quais são os pontos básicos e desenvolver soluções. Também é importante saber que este é um capital importante e que deve ser exposto à sociedade”, orienta Camilla.

A especialista conta que às vezes microempresários desconhecem como funcionam os processos de aprimoramento para a sustentabilidade. “Alguns pensam que é caro, que os resultados vão demorar, mas quando eles veem, por exemplo, a economia de água e a redução de outros custos, há uma assimilação melhor da proposta”, exemplifica Camila.

As iniciativas que visam à sustentabilidade corporativa devem se tornar mais fortes nos próximos anos. A entrada em vigência do Acordo de Paris e o aumento da consciência do consumidor sobre o assunto vão provocar cobranças constantes daqui em diante.

Sustentabilidade

A última pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) sobre consumo consciente revelou que os brasileiros dão nota média de 8,8 para a importância do tema, mas em contrapartida, apenas dois (21,8%) em cada dez brasileiros podem ser considerados consumidores plenamente conscientes, sinal de um processo de transformação à vista.

A mudança de perfil fica visível quando é observado outro levantamento. Em um intervalo de dois anos, a pesquisa Rumo à sociedade do bem-estar do Instituto Akatu apurou que saltou de 14% para 24% o interesse da população brasileira sobre consumo consciente.

O consultor Jhon Elkington, autor de Canibais com Garfo e Faca (Makron Books, 88,80 reais) defende que este é o momento de reformar a gestão das organizações e implantar o modelo de governança corporativa, marcado pelo equilíbrio das três forças da sustentabilidade – meio ambiente, economia e sociedade -, foco na finalidade do negócio e relacionamento com os stakeholders – públicos de interesse.

Mercado de trabalho

As transformações nas empresas vão exigir profissionais alinhados com os objetivos das organizações, principalmente no atendimento à necessidade de equilibrar os três botões da sustentabilidade: meio ambiente, economia e sociedade. A coach e psicóloga organizacional, Catarina Portugal, explica que isso faz com que o colaborador precise entender o negócio em um sentido amplo, buscando maior conexão social, flexibilidade e adaptação à dinâmica organizacional.

“É a questão do propósito. Tem muito a ver no modo como o profissional pretende transformar o contexto social em que ele atua”, explica.

A rapidez das mudanças no mundo tem feito com que profissionais estudem para atuar em profissões que ainda nem existem. O Mapa do Trabalho Industrial 2017-2020, elaborado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) lista uma série de funções que ainda não existem, mas que terão demanda nos próximos três anos. Um exemplo é o profissional de tutor de curiosidade, que deve oferecer inspiração e conteúdo para despertar a curiosidade de quem o contrata.

O preparo técnico é importante, mas diante das mudanças tão rápidas, as empresas têm valorizado cada vez mais as competências comportamentais. “A competência técnica é mais facilmente aprendida do que a competência comportamental. Então, é mais conveniente eu treinar alguém que está alinhado com o perfil e os objetivos da empresa”, defende a especialista.