Tag: ALIMENTOS

barú

Guia destaca possibilidades de uso de plantas da Região Centro-Oeste

Deivid Souza / Foto: Julcéia Camillo – MMA

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) disponibilizou a edição digital do livro “Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial – Plantas para o Futuro – Região Centro-Oeste”. O segundo volume de uma série de cinco livros que estão sendo publicados dentro da iniciativa “Plantas para o Futuro” e do Projeto BFN (Biodiversidade para Alimentação e Nutrição).

As publicações têm como objetivo a disseminação de conhecimento sobre a biodiversidade brasileira, de modo a contribuir para a preservação dos recursos e aproveitamento do valor financeiro desta riqueza. Com isso, espera-se também o desenvolvimento social.

Nas mais de 1,1 mil páginas são demonstradas as características da Região Centro-Oeste e uma análise de várias espécies. O trabalho aponta a distribuição geográfica das espécies, descreve o habitat das mesmas e o mais importante: especifica como podem ser exploradas comercialmente as plantas e frutos.

Um exemplo são os frutos do baru (Dipteryx alata-foto). A espécie é nativa, mas não endêmica do Brasil, de ampla distribuição no bioma Cerrado. O estudo aponta sugestão de uso comercial com a exploração do fruto e sementes, servindo, respectivamente, para retirada de polpa para consumo de sucos e cremes e extração da seiva para possível produção de medicamentos.

Para acessar a publicação completa basta clicar aqui.

horta-urbana

Parques de Goiânia terão hortas comunitárias

Programa da Prefeitura da Capital visa incentivar o cultivo de alimentos em espaços urbanos de lazer e também nos lotes baldios

Deivid Souza / Fotos: Jackson Rodrigues – Secom Goiânia

Pelo menos 15 parques de Goiânia devem ter hortas comunitárias implantadas. A ideia da Prefeitura é que o cultivo nos parques sirva de incentivo para que moradores da capital criem novos espaços de produção de alimentos.

Os lotes baldios estão no alvo da Prefeitura. Goiânia tem mais de 130 mil deles, que são geradores de problemas para a população e a administração do município. Os espaços servem para acumular lixo, criadouros de mosquitos e outros insetos, mato, e por aí vai, uma série inconvenientes. Mas o que é dor de cabeça, pode se tornar solução se uma inciativa da administração municipal se desenvolver: o Programa Horta Para Todos.

Para instalação das hortas urbanas, podem ser utilizadas áreas públicas e lotes baldios. De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Ciência e Tecnologia (Sedetec), que desenvolve o programa, os interessados podem pedir autorização à pasta para instalar os espaços de cultivo nas áreas públicas. No caso dos lotes baldios, a negociação deve ser feita diretamente entre quem deseja usar o espaço e o proprietário.

O diretor de Abastecimento e Agricultura Familiar, Rodrigo Miranda Ribeiro, explica que após a escolha do local, uma equipe da Prefeitura vai até o local para fazer a análise do solo. Se for necessária correção, a pasta tem condições de dar o suporte, caso seja inviável o cultivo no local proposto, outro espaço deve ser escolhido.

”Os produtos gerados dentro do Programa Horta Para Todos podem ser distribuídos entre quem cultiva ou mesmo comercializados, inclusive, a Prefeitura de Goiânia pode até comprar esses alimentos”, acrescenta Ribeiro.

horta-urbana II
Alunos participam de curso de hortas comunitárias ao lado do Paço Municipal

O programa, que é realizado em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), inclui também: oferta de curso de cultivo, com duração de três dias; suporte técnico; doação de mudas e apoio administrativo. Para tal, foi construída uma horta-modelo em frente ao Paço Municipal.

Para ter o apoio, os agricultores precisam se comprometer a não utilizar agrotóxicos, todo manejo deve ser feito de maneira orgânica nas hortas comunitárias.

Projeto

Para dar incentivo aos proprietários de lotes baldios, a administração municipal pretende enviar à Câmara de Vereadores um projeto de lei que conceda desconto para quem autorizar o uso social dos lotes.

Inscrições:

Os interessados devem efetivar a inscrição presencialmente na própria Diretoria de Abastecimento e Agricultura Familiar, localizada na Avenida do Cerrado, nº 999, Park Lozandes, Bloco B, sede da Sedetec.

Disco Xepa

DiscoXepa: evento lembra importância do combate ao desperdício de alimentos

Evento a ser realizado no próximo dia 29 reúne culinária, música e oficinas de cultivo. Aproximadamente 30% dos alimentos produzidos no mundo vão para o lixo

Deivid Souza

No próximo dia 29, Goiânia recebe mais uma edição do DiscoXepa, evento que culinária e outras atividades para lembrar a importância do combate ao desperdício de alimentos. Estão programadas para o evento: degustação de receitas preparadas por chefs a partir exclusivamente de alimentos da xepa, apresentações de músicos e djs, oficinas de horta em vasos, pintura em vasos e compostagem. O local das ações será a Praça da T-49, no Setor Bueno.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a cada três quilos de comida produzida no mundo, um vai para o lixo. Para mudar esta realidade, empresas e instituições investem em ações. Enquanto isso no Brasil aproximadamente 7 milhões de pessoas não têm o que comer.

O DiscoXepa é realizado por um grupo de voluntários, com a coordenação do Slow Food Ipê. Em Goiânia e em outras cidades do mundo, onde há convívios do Slow Food o evento se repete este ano. Na capital, as atividades acontecem na manhã do sábado (29).

Primeira edição

A primeira edição do DiscoXepa em Goiânia foi realizada no ano passado. No evento, estiveram presentes renomados chefs goianos como Emiliana Azambuja, Pedro Melo e Carol Morais.

Professor Boniek Gontijo Vaz

Pesquisador goiano desenvolve testes rápidos para identificação de agrotóxicos em alimentos

Metodologia, além de mais rápida, também é mais eficiente

Pesquisa da Universidade Federal de Goiás (UFG), desenvolvida no Laboratório de Cromatografia e Espectrometria de Massas – LaCEM do Instituto de Química (IQ), é responsável por desenvolver metodologia mais ágil para análise qualitativa e quantitativa de resíduos de agroquímicos em alimentos. O estudo foi motivado por uma carência de métodos ultrarrápidos e inequívocos para detecção de resíduos em hortaliças, legumes e frutas, que são alimentos ingeridos, em sua maioria, na forma crua.

Duas metodologias desenvolvidas mostraram ser eficientes e atuam de forma super-rápida – a duração da análise é em torno de 30 segundos, explica o professor Boniek Gontijo Vaz, responsável pelo projeto. “Desenvolvemos duas abordagens de espectrometria de massas que consistem em realizar a análise diretamente sobre a amostra em poucos segundos. A própria amostra é o substrato para fazer a análise”, explica. Segundo o pesquisador, a espectrometria de massas é conjunto de recursos que permite identificar moléculas a partir da determinação da massa das mesmas.

Benefícios

Para o pesquisador, o estudo traz alguns benefícios práticos. Entre eles, está o fato de ser uma metodologia mais verde, por minimizar etapas de preparo de amostras. “Tradicionalmente, teríamos que fazer uma extração – macerar o alimento e adicionar solvente –, o que gera um gasto grande de solventes e impacta o meio ambiente de alguma maneira”, explica Boniek Vaz. Além disso, como a técnica é ultrarrápida, torna a metodologia mais eficiente permitindo a análise de mais amostras em menos tempo.

Metodologias
Os pesquisadores fizeram um estudo comparativo das duas metodologias de espectrometria de massas: paper spray ionization e leaf spray, no objeto de análise. O estudo resultou no artigo “Rapid screening of agrochemicals by paper spray ionization and leaf spray mass spectrometry: which technique is more appropriate?”, publicado no periódico britânico Analytical Methods, em agosto de 2016.

O método desenvolvido pelo professor e seus alunos é capaz de gerar resultados de forma bem mais simples. “Em espectrometria de massas, medimos as massas das moléculas e dos átomos em sua forma ionizada. É como se a espectrometria de massas fosse uma balança molecular”, fundamenta o professor.

Além do professor Boniek Vaz, integram o projeto de pesquisa alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado. E também contribuíram os professores Rodinei Augusti da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Wanderson Romão do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES).

Da redação com assessoria / Foto: Carlos Siqueira-UFG

 

churrasco2016

Consumo de carne é vilão do aquecimento global, dizem especialistas

Processo digestivo de animais e abertura de pastagens são responsáveis por emissões de gases

A picanha, a fraldinha e a maminha, bem salgadas, feitas na brasa, símbolos de um bom churrasco, estão se tornando inimigas do clima. É que a carne, desde a criação do gado até a mesa do brasileiro, é responsável pela liberação de grande quantidade de gases que causam o aquecimento global, segundo o Observatório do Clima (OC) – rede que reúne 40 organizações da sociedade civil. A recomendação é que o consumo de carne de boi seja menor e a produção mais eficiente.

Os impactos causados pela agropecuária são responsáveis por 69% das emissões de gases de efeito estufa do Brasil. Estão incluídos na conta poluentes decorrentes do processo digestivo e dejetos de rebanhos, o uso de fertilizantes e o desmatamento (43% das emissões nacionais).

Os números são do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima, divulgados no Rio de Janeiro.

De acordo com a coordenadora de Clima e Agropecuária do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola  (Imaflora), Marian Piatto, que integra a rede do observatório, somente o gado de corte é responsável por 65% das emissões de gases de efeito estufa na agropecuária.

Ela explica que um dos problemas está no sistema digestivo dos animais com dificuldades de processar o capim. “O gado bovino, quando se alimenta do capim, explicando de uma maneira bem simples, elimina metano por meio do arroto e do pum. Não é como nos carros, que vemos uma fumaça cinza, mas são poluentes”.

Marina lembra que o país tem um dos maiores rebanhos do mundo, cerca de 200 milhões de animais, o que agrava o problema. “É quase um por pessoa”, comparou.

Para chegar aos 69% das emissões nacionais do setor agropecuário, o coordenador do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa, Tasso Azevedo, acrescenta que, além dos problemas com o gado, entram na conta o transporte da carga, que, na maioria das vezes, usa diesel, o mais poluente dos combustíveis e o desmatamento para criação de pasto. Na Amazônia, onde avança o uso de terras para a atividade, é comum a ocupação de áreas derrubadas com o gado, denunciou Eron Martins, do Instituto Imazon.

“A relação entre a pecuária e o desmatamento é muito estreita porque a pecuária tem uma fluidez econômica muito rápida, o que facilita colocar a pecuária nos locais de expansão (desmatadas) para ter o direito daquela área mais tarde”, disse Martins. Ele contou que é comum a extração de madeira deixar áreas degradadas que, em seguida, acabam revertidas em pasto.

Soluções visam reduzir emissões

Segundo os especialistas, às vésperas de o acordo de Paris entrar em vigor em 2017, com metas para limitar o aumento da temperatura no planeta, há espaço na agropecuária para redução das emissões, como melhor manejo de pastagens e menor uso de fertilizantes. O governo, por sua vez, deve atrelar a concessão de subsídios, como o Plano Safra, às contrapartidas ambientais. Os ambientalistas, porém, são unânimes em recomendar menor consumo de carne.

“Cada bife que a gente come é responsável por impacto ambiental. Não comemos camarão e lagosta todo o dia, por que temos a necessidade de comer uma quantidade diária de carne bovina?”, questionou Marina. Uma meta internacional para tornar a carne brasileira mais sustentável foi descartada porque o destino de 80% do gado do país é a mesa do brasileiro, disse.

Para quem pensar em adiar uma mudança de hábitos à mesa, Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, alerta que o aquecimento global é responsável por ondas de calor, com sensação térmica de 50º, como no verão, no Rio de Janeiro, falta de chuvas, como em São Paulo, e desastres ambientais. “A gente está falando de qualidade de vida e de economia, mudanças climáticas são um risco para um país que depende da agricultura e da pecuária”, afirmou.

CNA questiona números

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) questionou os dados e disse que a conta do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa é uma “visão parcial” da produção.

“Se a gente for levar em conta que o Brasil emite menos de 4% das emissões globais, que o sistema leva em conta as emissões e não o balanço, se a gente considerar os esforços empreendidos para redução das emissões no Brasil – que vêm diminuindo – e o comprometimento da propriedade rural na conservação da biodiversidade, no estoque de carbono e na recuperação de áreas degradas, [poderá constatar] que a agropecuária é uma atividade muito menos impactante do que se pintou no relatório”, afirmou o coordenador de Sustentabilidade, Nelson Ananias Filho.

“Precisamos promover políticas de recuperação de pastagens em degradação para aumentar produtividade e emitir menos gases, produzindo comida e o nosso churrasco de fim de semana”. Nelson confirma que uma pastagem bem manejada sequestra até 90% de toda emissão da pecuária.

Para incentivar o setor, o Ministério da Fazenda, por meio do Plano Safra, apresenta aos produtores técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de produção sustentável.

“Para o governo, é inviável financiar toda mudança tecnológica do setor. O que fazemos é mostrar as coisas que estão na prateleira e que são viáveis”, disse o coordenador-geral de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Aloisio Lopes Pereira de Melo.

Da Agência Brasil

 

altair-sales-1

Preservação e produção de alimentos precisam andar juntas

Este foi o recado que os especialistas em meio ambiente deram no primeiro dia de discussões do Fórum Ambiental do Fica 2016

Alinhar a produção de alimentos à preservação do Cerrado. Este é o tema central do Fórum Ambiental do XVIII Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2016), que começou nesta terça-feira (16) e segue até domingo (21).

O desafio é mesmo grande. O Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) estima que a produção de comida precisa aumentar 70% até 2050. Do outro lado, está a pressão por mais áreas agricultáveis. No entanto, o recado que os debatedores do Fórum deram nesta quinta-feira (18), primeiro dia do Fórum, é que os interesses podem até parecer antagônicos, mas não são.

O incremento da produção de alimentos no Cerrado está diretamente associado à preservação do mesmo. Tanto que foi lançada a campanha “Cerrado, berço das águas: sem Cerrado, sem água, sem vida”. A campanha é uma iniciativa de 36 organizações, movimentos e entidades nacionais.

O arqueólogo e antropólogo, Altair Sales, que é um dos maiores conhecedores do bioma no Brasil explicou que as características do Cerrado fazem a recuperação de áreas uma vez degradadas quase irrecuperáveis. “Estamos falando do ambiente mais antigo do mundo, tendo em vista as formações mais recentes que conhecemos. Trata-se de um bioma que está desaparecendo e que não poderá ser recuperado jamais”, frisou.

Papel

O representante da etnia Krao/Tocantins, Antônio Apinaje, chamou a atenção para o fato de existirem pessoas que lutam pela manutenção do bioma, mas enfatizou que elas pagam um alto preço por levantar a bandeira. “Temos visto pessoas que defendem o Cerrado e combatem a sua exploração perderem suas vidas por baterem de frente com empresários poderosos que tem interesses claramente econômicos”, explicou Antônio.

Para a coordenadora da Comunidade Fundo e Fecho de Pasto/Bahia, Euziene de Abreu Silva, a ideia de que a vida humana depende da preservação do Cerrado é muito clara. Ela defende que a sociedade civil abra os olhos e arregace as mangas para manter o Cerrado de pé. “O Cerrado só existe de pé onde existe uma comunidade em luta. E não vamos lutar sozinhos. A luta coletiva é muito mais forte”, concluiu.

Saiba mais sobre Fica 2016 clicando aqui.

Por Deivid Souza com Seduce / Foto: Flavio Isaac