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05-01-2015Climate_Change

Mudança do clima ameaça segurança alimentar

Relatório destaca a mudança climática afetará o rendimento dos cultivos da agricultura e comprometerá a segurança alimentar no Nordeste do Brasil, em parte da região andina e na América Central

 

O impacto das mudanças climáticas na América Latina e no Caribe será considerável devido à dependência econômica da região em relação à agricultura, afirmou novo estudo feito por Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e Associação Latino-Americana de Integração (ALADI).

O estudo foi apresentado no início de agosto em reunião da CELAC realizada em Santiago de los Caballeros, na República Dominicana, com o objetivo de ajudar a fornecer insumos para a gestão das mudanças climáticas no Plano para a Segurança Alimentar, Nutrição e Erradicação da Fome da CELAC 2025.

Segundo as três agências, o setor agrícola é a atividade econômica mais afetada pelas mudanças climáticas, enquanto responde por 5% do PIB regional, 23% das exportações e 16% dos empregos.

“Com uma mudança estrutural em seus padrões de produção e consumo, e um grande impulso ambiental, a América Latina e o Caribe podem alcançar o segundo dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê o fim da fome, a segurança alimentar e a melhora da nutrição e a promoção da agricultura sustentável”, disse Antonio Prado, secretário-executivo adjunto da CEPAL.

Segundo ele, o Plano de Segurança Alimentar da CELAC e o novo Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável serão os pilares fundamentais para este processo.

O relatório das três agências destacou ainda que a mudança climática afetará o rendimento dos cultivos, terá impacto nas economias locais e comprometerá a segurança alimentar no Nordeste do Brasil, em parte da região andina e na América Central.

“O desafio atual para a região é considerável: como continuar seu processo positivo de erradicação da fome à medida que os efeitos das mudanças climáticas se tornam cada vez mais profundos e evidentes em seus sistemas produtivos?”, questionou Raúl Benítez, representante regional da FAO.

Os países cujos setores agrícolas sofrerão os maiores impactos (Bolívia, Equador, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Paraguai) já enfrentam desafios importantes em termos de segurança alimentar.

Alguns países da região, assim como a CELAC, já deram passos importantes no desenho de planos de adaptação às mudanças climáticas para o setor agropecuário, mas o desafio ainda é grande. Apenas em termos de recursos financeiros, sem levar em conta as mudanças necessárias de política, será necessário algo em torno de 0,02% do PIB regional anual.

Impactos sobre o setor agrícola e a segurança alimentar

Paradoxalmente, apesar de a região gerar uma menor contribuição à mudança climática em termos de emissões de gases do efeito estufa na comparação com outras, é especialmente vulnerável a seus efeitos negativos.

O novo relatório projeta deslocamentos, em altitude e latitude, das regiões de cultivo de espécies importantes como café, cana de açúcar, batata, milho, entre outras.

Nacionalmente, esses impactos podem afetar seriamente a segurança alimentar. Segundo o relatório, na Bolívia as mudanças de temperatura e chuva causarão uma redução média de 20% do faturamento rural.

No caso do Peru, as projeções indicam que o impacto da mudança climática na agricultura irá gerar redução da produção de diversos cultivos básicos para a segurança alimentar, em especial daqueles que necessitam de mais água, como o arroz.

Mas o setor agrícola não apenas é afetado pelas mudanças climáticas, como contribui para que elas ocorram, sendo urgente que os países, como o apoio da CELAC, façam uma transição urgente para práticas agrícolas sustentáveis, tanto em termos ambientais como econômicos e sociais.

Segundo as três agências, a erradicação da fome na América Latina e no Caribe requer uma mudança de paradigma para um modelo agrícola plenamente sustentável que proteja seus recursos naturais, gere desenvolvimento socioeconômico equitativo e permita se adaptar às mudanças climáticas e mitigar seus efeitos.

Da Agência ONU

 

soja

Agricultura sofrerá ainda mais com mudança climática

Produção de soja poderá cair até 80%. Pela primeira vez, cientistas brasileiros detalham como alterações no clima vão influenciar País

 

Uma publicação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), pela  primeira, revelou a previsão dos impactos das mudanças climáticas para a agricultura nas próximas décadas. Dados da empresa e modelos do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) foram combinados para descobrir, especificamente o aumento dos riscos para culturas como soja, milho, milho safrinha, feijão e arroz. A longo prazo, produção de soja pode ter mais de 80% de redução até 2085.

De acordo com a análise, a área de risco para o milho, por exemplo, seria reduzida em 9% até 2025. Os estados de Goiás e Mato Grosso passariam a ter um aumento significativo de área com alto risco para plantio nos cenários simulados para 2055. A alteração deve incentivar o aumento do plantio da cultura para o norte de Mato Grosso.

Além da diminuição das chuvas, as mudanças nos regimes hídricos vão tornar, cada vez mais, a agricultura uma atividade delicada e sujeita a prejuízos. O preço do feijão, atualmente, no Brasil é um exemplo de como alterações nos momentos das chuvas podem ter consequências trágicas para a população. Em alguns estados, a chuva não veio quando a planta precisava se desenvolver, em outras regiões, o momento de secagem foi prejudicado pelo excesso de água.

Também foi verificada uma forte tendência no registro de acréscimo na frequência de dias com temperaturas superiores a 34ºC para os próximos anos. Tais situações já estão sendo vividas nas últimas décadas. A ocorrência desses eventos extremos provocam o abortamento de flores de café, feijão, morte de frangos, perda de crias em porcas e diminuição da produção de leite.

 

Variação

“As chances de perda e as condições meteorológicas são muito variáveis. Às vezes você tem anos bons e anos ruins, mas a frequência dos anos ruins está aumentando, e de uma maneira geral implica em produção mais baixa”, pontua o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária que participou do estudo, Eduardo Monteiro.

O encolhimento da produção ou acréscimo no valor do manejo que as circunstâncias podem demandar, caso as previsões se confirmem, influenciarão no preço dos alimentos. No entanto, o assistente técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Cristiano Palavro, explica que existem outras variáveis a serem consideradas como oferta e demanda. “A demanda não deve cair, a população de crescer, ainda que o crescimento no Brasil seja mais estável. Nós temos países que têm níveis de crescimento de população elevada, a gente vai ter pressão sobre o preço e a produção pode ficar limitada”, acrescenta.

 

Tecnologia pode minimizar riscos

Os resultados mais específicos vão contribuir para que pesquisas futuras e outras já andamento possam atacar diretamente os desafios previstos. O melhoramento genético pode tornar as plantas mais resistentes. Um exemplo é o milho. O vegetal que pode ter redução na produção em até 90% poderá minimizar os riscos com exemplares de raízes maiores, que infiltrem mais profundamente no solo e resistam melhor à redução de chuvas.

“Eu tenho muita esperança que a gente consiga, mesmo tendo mudanças climáticas, adaptar as nossas cultura para isso. O histórico que nós temos me leva a acreditar nisso. Hoje temos uma expertise na cultura da soja, que é uma planta tipicamente de clima temperado e subtropical, hoje adaptada ao clima do Cerrado”, exemplifica Palavro.

Em se tratando do manejo, a aplicação de técnicas que propiciem a produção em sombriados, com sistemas agroflorestais por exemplo, é um dos muitos exemplos de como é possível contornar as circunstâncias desfavoráveis que estão por vir. No entanto, há uma preocupação entre os especialistas sobre como vai se dar essa transferência de tecnologia, sobretudo em relação aos pequenos produtores. Palavro lembra que, se não for bem conduzido, este passo importante poderá ampliar a desigualdade social no campo. “O pequeno agricultor depende muito mais de assistência técnica pública. O grande compra o produto e ganha assistência técnica ou ele mesmo tem os profissionais especializados”, destaca.

Papel

Para Monteiro, os governos têm mecanismos que podem contribuir com a inevitável transição para o modelo de agricultura que teremos no futuro. “Um aspecto que tem papel fundamental diz respeito às políticas públicas com adoção de determinadas práticas, seja através da oferta de incentivo como taxas de juros diferenciadas para sistemas mais eficientes de produção ou incentivos na questão do subsídio do seguro rural”, frisa. 

Fonte: Jornal O HOJE / Foto: Larissa Melo-Faeg

feira orgânicos

Prefeitura inscreve para feira de orgânicos

Inscrições estão abertas até o dia 20 de agosto

A Prefeitura de Goiânia já está recebendo as inscrições para a primeira feira de pequenos produtores, que acontecerá no Paço Municipal nos dias 1º e 2 de setembro. Promovido pela Diretoria de Abastecimento e Agricultura Familiar da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Ciência e Tecnologia (Sedetec), o evento tem como objetivo a fomentação da agricultura familiar na capital goiana. Os pequenos produtores e artesãos têm até o dia 20 de agosto para realizar as inscrições.

Segundo a diretora da Sedetec, Raflésia Coelho, durante a feira os consumidores terão a oportunidade de adquirir frutas, verduras, hortaliças frescas e produtos de artesãos com preços acessíveis. “Nos dois dias de feira, os pequenos produtores de Goiânia terão mais uma oportunidade de renda”, diz a diretora, completando que a agricultura familiar é o foco principal da atividade. “Após o término das inscrições, vamos selecionar 35 expositores”, afirma.
A valorização do pequeno produtor é uma das metas do projeto. ‘Com essa ação, estamos fortalecendo a agricultura familiar e incentivando, sobretudo, o aumento da produção, uma vez que os servidores do Paço Municipal são consumidores em potencial”, salienta Raflésia, convidando os pequenos produtores para se inscreverem.
Feiras
De acordo com Raflésia Coelho, outras feiras com o mesmo perfil já aconteceram no Paço Municipal, como a Feira de Orgânicos, ocorrida no mês de junho. “A rotina do trabalho dificulta a procura dos servidores por alimentos orgânicos e, ao trazer uma feira especifica à sede da prefeitura, facilitamos o acesso a esses produtos”, completa.

Da Prefeitura de Goiânia
Serviço
Evento: Inscrições para feira de pequenos produtores
Data: até o dia 20 de agosto
Local: Paço Municipal, localizado na Avenida do Cerrado, 999, Park Lozandes
Contato: (62) 3524- 5730 / 3524-5736

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Festival de cinema discute produção de alimentos no Cerrado

Mostra competitiva está na XVIII edição. Prêmios somam R$ 280 mil

Deivid Souza

A XVIII edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), a ser realizada entre os dias 16 e 21 de agosto, na Cidade de Goiás, que fica a 148 quilômetros de Goiânia, na Região Noroeste do Estado, tem discute este ano a produção de alimentos e a conservação do Cerrado.

A Mostra Competitiva vai distribuir R$ 280 mil. O público poderá conferir 22 produções com temática ambiental, sendo 12 estrangeiras e 10 brasileiras. A participação internacional fica por conta de produções da França, Áustria, Alemanha, Bélgica, Índia, Irã e México. Entre os brasileiros, 4 filmes são goianos. Além de Goiás, participam filmes dos estados do Maranhão, Paraná, Pernambuco, Ceará e São Paulo.

Além de shows musicais, o Fica contempla várias oficinas de cinema, palestras e minicursos a respeito da temática. A programação ficará disponível no site oficial do festival: http://fica.art.br.

O Fórum Ambiental traz o tema: O Caminho para um futuro sustentável: governança territorial, proteção ambiental e segurança alimentar. Na mesa estarão lideranças ambientais e políticos para tratar da questão.

reunião produtores

Mudança no regime de chuvas volta a castigar produtores em Goiás

Período de chuva estendido já deixou prejuízos para agricultores que plantaram milho

Deivid Souza / Foto: Larissa Melo – Faeg

A antecipação do período de estiagem em Goiás já deixou marcas na memória dos produtores. De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) municípios goianos já perderam 40% da produção de milho por causa da seca. O Estado tem plantados 1,23 milhão de hectares de milho.

Abril, que geralmente é um mês com volume de chuvas considerável teve mais de 20 dias de seca. “O produtor que plantou em março para que a planta se desenvolvesse teve prejuízos”, explica o assistente técnico da Faeg, Cristiano Palavro.

No entanto, quem semeou em fevereiro ou no mês de abril deverá ter resultados melhores. Ainda não é possível falar em alta no preço do produto porque outros fatores mercadológicos influenciam no valor de venda do milho. Por causa da estiagem antecipada, lavouras de feijão também foram afetadas, mas o volume de plantio é bem menor e os prejuízos também são menos significativos.

A maior preocupação talvez fique por conta do gado. Com um mês a mais de estiagem, a alimentação do gado ficará mais escassa. Sendo assim, os produtores vão precisar de complementar a alimentação do gado ou até reduzir a velocidade de engorda. Mas para Palavro isso não significará encarecimento para o consumidor final. “Esse é um efeito bastante indireto porque o preço ao consumidor final ainda tem algumas etapas até chegar nele. Tem outros fatores que vão influenciar”, explicou ao Canal Sustentável o assistente.

Os dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) referentes à chuva revelam que o último período chuvoso foi melhor que o anterior. No entanto, algumas regiões do Estado tiveram menos chuva e poderão sofrer mais com a estiagem prolongada. “A Região Norte, município de Posse, por exemplo, sofreu com o início da chuva atrasado. Geralmente, o período de chuva deles já é mais atrasado que para nós, e esse ano foi bem curto o período deles, foi menor que o nosso”, comenta a chefe do Inmet em Goiás, Elizabete Ferreira.

Elizabete revela que os dados do Estado são semelhantes aos da Capital. Os dados apontam que, apesar de alguns meses com chuvas abaixo do esperado, meses como janeiro e fevereiro superaram as expectativas.

Volume de chuvas em Goiânia

2014/2015 (mm) 2015/2016 (mm) esperado (mm)
outubro 69,2 18,2 166,9
novembro 182,9 354,8 219,0
dezembro 339,0 207,7 258,8
janeiro 73,6 484,8 266,8
fevereiro 224,0 155,4 214,8
março 312,5 156,2 206,8
abril 204,2 * 118,9

Até 26/4 não havia chovido na Capital

Fonte: INMET

agricultura

Caminho para agricultura é ser sustentável

Especialistas apontam a pesquisa como protagonista do desenvolvimento na agricultura

Deivid Souza / Foto: ONU – Flickr/vredeseilanden (cc)

Depois de experimentar significativo aumento na produção, sem expandir na mesma proporção a área plantada, o desafio da agricultura agora é ser cada vez mais sustentável. O equilíbrio defendido por especialistas não está restrito apenas ao fator ambiental, mas também econômico e social.

O assunto foi debatido, na última semana, em Goiânia, no encontro A Pesquisa na Agricultura: implicações para a sustentabilidade alimentar global, promovido pela Academia Brasileira de Ciências (ABC). O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), Evaldo Ferreira Vilela, afirmou ao Canal Sustentável que este é um dos grandes desafios para o setor. “Nós temos que atender as necessidades ambientais, fazer uma agricultura mais sustentável, uma produção de alimento de maior qualidade. Nós já atingimos um patamar muito bom, mas nós temos que continuar evoluindo”, ressaltou.

Dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) deixam claro a necessidade de expandir a produção de alimentos no mundo. De acordo com a FAO, 925 milhões de pessoas passam fome no Planeta.  Por outro lado, as cobranças pela redução dos impactos ambientais no campo são grandes. Uma das exigências é o aumento da eficiência de produção de alimentos, reduzindo as perdas e o desperdício do campo à mesa.

Para Evaldo, a pesquisa tem um papel fundamental neste processo. Ele avalia que há um protagonismo grande da ciência nos avanços alcançados. “O que nós precisamos é torná-la mais eficiente e entender como nós vamos transpor esses resultados mais rapidamente para o setor produtivo”, frisa.

Supremacia

Em Goiás, tem havido um predominância grande das pesquisas agropecuárias. Um dos indicadores da realidade é a resposta aos editais da Fundação de Amparo à Pesquisa de Goiás (Fapeg), que apresentam uma predominância das propostas de estudo da agropecuária. “O que significa que nós temos cursos muito bons, seja da Universidade Federal de Goiás (UFG), seja da UEG (Universidade Estadual de Goiás) dos institutos, o Instituto Federal Goiano (IFG) tem inúmeros cursos voltados para a área das (ciências) agrárias”, complementa a presidente da Fapeg, Maria Zaira Turchi.