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Presidente deve apresentar ratificação de acordo na ONU

Presidente interino, Michel Temer, deve apresentar documento em conferência marcada para 21 de setembro

O presidente interino, Michel Temer, terá a chance de apresentar a ratificação do acordo do clima pelo Brasil na ONU em setembro deste ano. Já o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, está otimista com o encaminhamento da validação do pacto em defesa do clima pelo  Brasil. O acordo de Paris, fechado no ano passado, foi aprovado pelo Senado Federal na quinta-feira (11). O projeto de decreto-legislativo, que valida a adesão brasileira ao pacto, já havia sido apreciado, em julho, pela Câmara dos Deputados.

“A ratificação pelo Congresso significa a confirmação dos ambiciosos compromissos do Brasil assumidos em Paris”, declarou. “Agora, depois dessa aprovação, o País assume, como um todo, a agenda de baixo carbono tão necessária para combater o aquecimento global.”, ressalta Filho.

Para entrar em vigor, o Acordo de Paris precisa da ratificação nacional de pelo menos 55 países responsáveis por 55% das emissões globais de gases de efeito estufa. Nesse contexto, o Brasil responde por 2,48% das emissões a nível mundial e, após a ratificação contribuirá, em números expressivos, para o início do período de vigência do pacto.

Compromisso

A meta brasileira de redução de emissões de gases de efeito estufa prevê mudanças em todos os setores da economia e, por isso, é considerada internacionalmente como uma das mais ambiciosas. O objetivo é cortar as emissões de carbono em 37% até 2025, com o indicativo de redução de 43% até 2030 – ambos em comparação aos níveis de 2005.

O momento agora é de passar do papel para a ação. O País tem um enorme desafio para atender ao compromisso firmado, pois há várias áreas a serem atacadas. “Temos agora de passar a falar sério sobre desmatamento zero associado a muita restauração florestal, sobre matriz energética sem fósseis e sobre massificação do crédito agrícola para agricultura e pecuária de baixo carbono. E sem medo, porque este caminho não é bom apenas para o clima”, enfatiza o secretário executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl.

Ajuda

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) estuda uma maneira de ajudar os municípios brasileiros a realizarem programas ambientais que possam contribuir com o atendimento ao compromisso nacional.

Deivid Souza com MMA

05-01-2015Climate_Change

Mudança do clima ameaça segurança alimentar

Relatório destaca a mudança climática afetará o rendimento dos cultivos da agricultura e comprometerá a segurança alimentar no Nordeste do Brasil, em parte da região andina e na América Central

 

O impacto das mudanças climáticas na América Latina e no Caribe será considerável devido à dependência econômica da região em relação à agricultura, afirmou novo estudo feito por Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e Associação Latino-Americana de Integração (ALADI).

O estudo foi apresentado no início de agosto em reunião da CELAC realizada em Santiago de los Caballeros, na República Dominicana, com o objetivo de ajudar a fornecer insumos para a gestão das mudanças climáticas no Plano para a Segurança Alimentar, Nutrição e Erradicação da Fome da CELAC 2025.

Segundo as três agências, o setor agrícola é a atividade econômica mais afetada pelas mudanças climáticas, enquanto responde por 5% do PIB regional, 23% das exportações e 16% dos empregos.

“Com uma mudança estrutural em seus padrões de produção e consumo, e um grande impulso ambiental, a América Latina e o Caribe podem alcançar o segundo dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê o fim da fome, a segurança alimentar e a melhora da nutrição e a promoção da agricultura sustentável”, disse Antonio Prado, secretário-executivo adjunto da CEPAL.

Segundo ele, o Plano de Segurança Alimentar da CELAC e o novo Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável serão os pilares fundamentais para este processo.

O relatório das três agências destacou ainda que a mudança climática afetará o rendimento dos cultivos, terá impacto nas economias locais e comprometerá a segurança alimentar no Nordeste do Brasil, em parte da região andina e na América Central.

“O desafio atual para a região é considerável: como continuar seu processo positivo de erradicação da fome à medida que os efeitos das mudanças climáticas se tornam cada vez mais profundos e evidentes em seus sistemas produtivos?”, questionou Raúl Benítez, representante regional da FAO.

Os países cujos setores agrícolas sofrerão os maiores impactos (Bolívia, Equador, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Paraguai) já enfrentam desafios importantes em termos de segurança alimentar.

Alguns países da região, assim como a CELAC, já deram passos importantes no desenho de planos de adaptação às mudanças climáticas para o setor agropecuário, mas o desafio ainda é grande. Apenas em termos de recursos financeiros, sem levar em conta as mudanças necessárias de política, será necessário algo em torno de 0,02% do PIB regional anual.

Impactos sobre o setor agrícola e a segurança alimentar

Paradoxalmente, apesar de a região gerar uma menor contribuição à mudança climática em termos de emissões de gases do efeito estufa na comparação com outras, é especialmente vulnerável a seus efeitos negativos.

O novo relatório projeta deslocamentos, em altitude e latitude, das regiões de cultivo de espécies importantes como café, cana de açúcar, batata, milho, entre outras.

Nacionalmente, esses impactos podem afetar seriamente a segurança alimentar. Segundo o relatório, na Bolívia as mudanças de temperatura e chuva causarão uma redução média de 20% do faturamento rural.

No caso do Peru, as projeções indicam que o impacto da mudança climática na agricultura irá gerar redução da produção de diversos cultivos básicos para a segurança alimentar, em especial daqueles que necessitam de mais água, como o arroz.

Mas o setor agrícola não apenas é afetado pelas mudanças climáticas, como contribui para que elas ocorram, sendo urgente que os países, como o apoio da CELAC, façam uma transição urgente para práticas agrícolas sustentáveis, tanto em termos ambientais como econômicos e sociais.

Segundo as três agências, a erradicação da fome na América Latina e no Caribe requer uma mudança de paradigma para um modelo agrícola plenamente sustentável que proteja seus recursos naturais, gere desenvolvimento socioeconômico equitativo e permita se adaptar às mudanças climáticas e mitigar seus efeitos.

Da Agência ONU

 

soja

Agricultura sofrerá ainda mais com mudança climática

Produção de soja poderá cair até 80%. Pela primeira vez, cientistas brasileiros detalham como alterações no clima vão influenciar País

 

Uma publicação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), pela  primeira, revelou a previsão dos impactos das mudanças climáticas para a agricultura nas próximas décadas. Dados da empresa e modelos do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) foram combinados para descobrir, especificamente o aumento dos riscos para culturas como soja, milho, milho safrinha, feijão e arroz. A longo prazo, produção de soja pode ter mais de 80% de redução até 2085.

De acordo com a análise, a área de risco para o milho, por exemplo, seria reduzida em 9% até 2025. Os estados de Goiás e Mato Grosso passariam a ter um aumento significativo de área com alto risco para plantio nos cenários simulados para 2055. A alteração deve incentivar o aumento do plantio da cultura para o norte de Mato Grosso.

Além da diminuição das chuvas, as mudanças nos regimes hídricos vão tornar, cada vez mais, a agricultura uma atividade delicada e sujeita a prejuízos. O preço do feijão, atualmente, no Brasil é um exemplo de como alterações nos momentos das chuvas podem ter consequências trágicas para a população. Em alguns estados, a chuva não veio quando a planta precisava se desenvolver, em outras regiões, o momento de secagem foi prejudicado pelo excesso de água.

Também foi verificada uma forte tendência no registro de acréscimo na frequência de dias com temperaturas superiores a 34ºC para os próximos anos. Tais situações já estão sendo vividas nas últimas décadas. A ocorrência desses eventos extremos provocam o abortamento de flores de café, feijão, morte de frangos, perda de crias em porcas e diminuição da produção de leite.

 

Variação

“As chances de perda e as condições meteorológicas são muito variáveis. Às vezes você tem anos bons e anos ruins, mas a frequência dos anos ruins está aumentando, e de uma maneira geral implica em produção mais baixa”, pontua o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária que participou do estudo, Eduardo Monteiro.

O encolhimento da produção ou acréscimo no valor do manejo que as circunstâncias podem demandar, caso as previsões se confirmem, influenciarão no preço dos alimentos. No entanto, o assistente técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Cristiano Palavro, explica que existem outras variáveis a serem consideradas como oferta e demanda. “A demanda não deve cair, a população de crescer, ainda que o crescimento no Brasil seja mais estável. Nós temos países que têm níveis de crescimento de população elevada, a gente vai ter pressão sobre o preço e a produção pode ficar limitada”, acrescenta.

 

Tecnologia pode minimizar riscos

Os resultados mais específicos vão contribuir para que pesquisas futuras e outras já andamento possam atacar diretamente os desafios previstos. O melhoramento genético pode tornar as plantas mais resistentes. Um exemplo é o milho. O vegetal que pode ter redução na produção em até 90% poderá minimizar os riscos com exemplares de raízes maiores, que infiltrem mais profundamente no solo e resistam melhor à redução de chuvas.

“Eu tenho muita esperança que a gente consiga, mesmo tendo mudanças climáticas, adaptar as nossas cultura para isso. O histórico que nós temos me leva a acreditar nisso. Hoje temos uma expertise na cultura da soja, que é uma planta tipicamente de clima temperado e subtropical, hoje adaptada ao clima do Cerrado”, exemplifica Palavro.

Em se tratando do manejo, a aplicação de técnicas que propiciem a produção em sombriados, com sistemas agroflorestais por exemplo, é um dos muitos exemplos de como é possível contornar as circunstâncias desfavoráveis que estão por vir. No entanto, há uma preocupação entre os especialistas sobre como vai se dar essa transferência de tecnologia, sobretudo em relação aos pequenos produtores. Palavro lembra que, se não for bem conduzido, este passo importante poderá ampliar a desigualdade social no campo. “O pequeno agricultor depende muito mais de assistência técnica pública. O grande compra o produto e ganha assistência técnica ou ele mesmo tem os profissionais especializados”, destaca.

Papel

Para Monteiro, os governos têm mecanismos que podem contribuir com a inevitável transição para o modelo de agricultura que teremos no futuro. “Um aspecto que tem papel fundamental diz respeito às políticas públicas com adoção de determinadas práticas, seja através da oferta de incentivo como taxas de juros diferenciadas para sistemas mais eficientes de produção ou incentivos na questão do subsídio do seguro rural”, frisa. 

Fonte: Jornal O HOJE / Foto: Larissa Melo-Faeg

boi

Walmart pretende controlar procedência de 100% da carne bovina até 2017

Empresa divulga política em que se compromete a não comprar carne bovina produzida em áreas desmatadas

Deivid Souza / Foto: Seapa

O Walmart Brasil divulgou nesta quarta-feira (25) uma política na qual se compromete a não comercializar carne originária de áreas de desmatamento. A empresa, assim como outras grandes varejistas do Brasil, vinha sofrendo pressões de ONG’s para adotar a medida.

O compromisso divulgado pela rede estabelece, entre outras medidas, que os fornecedores respeitem a legislação ambiental e trabalhista. Os fornecedores que tenham áreas embargadas pelo IBAMA serão vetados. A expectativa da rede varejista é que até 2017, 100% da carne bovina seja monitorada.

Greenpeace

Em 2015, o Greenpeace publicou um relatório sobre a análise das políticas de compra de carne bovina da Amazônia das grandes redes de varejo do Brasil. Os resultados ainda estão disponíveis no site da ONG e há uma campanha em andamento pressionando outros varejistas a melhorarem a política de compra de carne bovina no País.

Análise

Em 2009, um grande escândalo colocou na berlinda os maiores frigoríficos do País, e por consequência, as grandes redes varejistas. Eles foram denunciados por uma ONG por comercializar carne bovina produzida em área de desmatamento na Amazônia.

Na época, várias empresas se comprometeram publicamente a acompanhar a origem da carne para evitar o desmatamento na Amazônia. O Walmart e outros varejistas chegaram a suspender temporariamente a compra de vários fornecedores até que a situação fosse esclarecida.

amazônia

Governo federal prioriza monitoramento da Amazônia

Escolha está associada a cumprimento de compromisso firmado na COP21

Deivid Souza / Foto: Flickr / Eduardo Duarte-ONU

A Estratégia do Programa de Monitoramento Ambiental do Biomas, lançada pelo governo federal este mês deixa clara a priorização do acompanhamento da Amazônia em detrimento de outros biomas. A escolha está associada ao compromisso brasileiro assumido na Conferência do Clima, a COP21, em Paris.

Os dados gerados pelo programa se referem a desmatamento, cobertura e uso da terra e queimadas. Os indicadores servirão para acompanhar o desempenho de políticas públicas orientadas ao atingimento da meta de redução das emissões totais de gases de efeito estufa de 37% até 2025, e de 43% até 2030, com relação ao total de emissões do Brasil em 2005.

A priorização está evidente no prazo de implantação de um dos monitoramentos e na peridiocidade deles. A Amazônia será o primeiro bioma a ter concluídos os monitoramentos e também o bioma que terá intervalos menores na aplicação da sistematização do levantamento de dados. Em seguida, o Cerrado aparece como o segundo bioma a ter a estratégia implantada mais rápido.

Prazo

Enquanto o monitoramento anual do desmatamento já está implementado na Amazônia, este deve acontecer ao longo de 2016 para o Cerrado e até 2018 para os outros biomas. Apesar disso, indicadores como a extração seletiva de madeira a ser implantada em 2017 na Amazônia não está prevista para as outras florestas.

foto ministra meio ambiente

Brasil quer ser o primeiro a aprovar lei que trata de acordo do clima

MMA afirma que projeto de lei será encaminhado em breve ao legislativo

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) prepara para os próximos dias a entrega do projeto de lei que visa aprovar o Acordo de Paris. O Brasil se comprometeu a empenhar esforços no sentido de assumir metas para conter o aquecimento global.

O compromisso brasileiro é reduzir 37% das emissões até 2025 e 43%, até 2030 – ambos em comparação aos níveis de 2005. Para passar a valer em território nacional, é necessário que seja transformado em legislação pelo Congresso Nacional. “Essa agenda tem caminhos próprios”, destacou a ministra do MMA, Izabella Teixeira, na abertura da Reunião do Comitê Orientador do Fundo Amazônia. “A mobilização é para que a aprovação ocorra ainda neste ano.”

Primeiro
O papel de destaque desempenhado pelo Brasil nas negociações diplomáticas do Acordo de Paris deve impulsionar a ratificação do documento. “É inaceitável que o Brasil não esteja no primeiro time de países a tomarem essa medida”, defendeu a ministra. Pelo menos 55 países responsáveis por 55% das emissões mundiais de gases de efeito estufa precisam transformar o Acordo em leis nacionais para que comece a vigorar.

Atualmente, o Brasil é responsável por 2,5% das emissões globais, o que dá ao País a posição número 18 no ranking de maiores poluidores. Para cortar o carbono de sua economia, o país prevê intervenções em todo o setor econômico. Entre elas, estão as metas de reflorestar 12 milhões de hectares de florestas e de alcançar a participação de 28% a 33% das fontes renováveis, além da geração hidráulica.

As principais ações do País para conter as emissões de carbono estão firmadas na redução do desmatamento. O acordo do clima foi firmado na COP21, que aconteceu no final de 2015 em Paris. O acordo estabelece um esforço mundial para limitar o aumento da temperatura da Terra em até 1,5ºC até 2100.

Deivid Souza, com MMA / Foto: Jorge Cardoso-MMA