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foto mercado de são paulo

Produtos do Cerrado e Caatinga são destaque em mercado paulista

Iniciativa é resultado de parceria entre Prefeitura e chef Alex Atala

O Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo inaugurou no início deste mês o box dos biomas. A iniciativa da Prefeitura do município em parceria com o instituto Atá, do chef Alex Atala, tem o objetivo de abrir espaço para produtos da Caatinga e do Cerrado.

Entre os artigos à venda estão produtos feitos a partir de pequi, licuri, umbu, macaúba e babaçu. Embora tenha a participação de um chef, o local visa o atendimento ao público em geral.

Instalados no primeiro pavimento do Mercado, os novos espaços têm o mesmo projeto gráfico e exibem cerca de 600 alimentos e produtos vindos de pequenos produtores. Os boxes são administrados por diferentes parceiros. A organização Central do Cerrado é responsável pelo box da Caatinga e do Cerrado, que contou com o apoio do Ministério do Meio Ambiente  (MMA).

O Departamento de Combate à Desertificação da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural do MMA (DCD/SEDR) articulou a seleção dos agricultores familiares que vão expor seus produtos no local. Outros dois boxes vão atender aos biomas: Pampa, Mata Atlântica e Amazônia.

Para o agricultor Valmir Erlem, da Associação dos Agricultores Familiares da Serra dos Paus Doías (Agrodoia), o box é uma oportunidade de o público experimentar saberes e sabores de cada região. “Mostramos os produtos ecológicos que valorizam a gestão ambiental e social, e comercializamos com preço justo. São produtos que têm uma história por trás”, afirmou ele. “A Caatinga é sempre considerada um patinho feio, que não produz, que sofre com a seca. Mas aqui teremos a chance de mostrar o trabalho dos agricultores, a organização das comunidades, a integração, o comprometimento, produtos de qualidade”.

O mercado

O Mercado Municipal de Pinheiros fica no bairro de mesmo nome e foi inaugurado em 10 de agosto de 1910, à época em outra região da Capital. Atualmente, o espaço possui 39 boxes nos 4.000 m² do local que abrigam lanchonete, açougue, peixaria, mercearia, charutaria, entre outros.

Deivid Souza, com informações do MMA/ Foto: Marta Moraes-MMA

cana de açucar

Adubação e irrigação aumentam produtividade da cana no Cerrado

Resultados foram observados em usinas de Goiás e Minas Gerais

Deivid Souza/ Foto: Breno Lobato/Embrapa Cerrados

Estudos de práticas de melhoria da produtividade da cana-de-açúcar, realizados pela Embrapa Cerrados (DF), demonstraram ganhos entre 10 e 20 toneladas por hectare (t/ha) nos rendimentos de colmos por corte. O incremento é atribuído à adubação fosfatada anual de manutenção soqueira.

CC
Melhor produtividade reduz impactos ambientais.Foto: Embrapa Cerrados/Fabiano Bastos

 

O trabalho foi realizado nas usinas Goiasa (Goiatuba, GO), Anicuns (Anicuns, GO) e Destilaria Veredas (João Pinheiro, MG) em áreas sob pastagem e áreas de primeira reforma, cujos solos têm baixa disponibilidade de fósforo. Outras pesquisas demonstraram ainda outras vantagens para a cultura como redução da perda de água do solo por meio de evaporação em determinadas fases de crescimento da planta.

Água

Também foram realizados outros experimentos de irrigação. Com a irrigação, a cana-planta atinge produtividade de colmos de até 255 t/ha e a primeira soca até 220 t/ha para as melhores variedades. Os índices são muito superiores à média da região Centro-Sul do País, onde normalmente tem-se menos que 80 t/ha. Em produtividade de açúcar, o sistema irrigado tem atingido 38 t/ha na cana planta e 31 t/ha na cana soca, enquanto a Região Centro-Sul produz em média 12 t/ha.

 

 

Foto: Agência Brasil

Pequi pode ajudar na cura do Câncer diz pesquisa da UNB

Fruto típico do Cerrado pode ser usado como coadjuvante no tratamento de câncer

A pesquisa foi realizada pelo Laboratório de Genética do Instituto de Ciências Biológicas (IB) da Universidade de Brasília (UNB) e concluiu que o pequi, fruto típico do Cerrado, pode ser indicado como eficiente redutor da ação dos chamados radicais livres (moléculas que se formam no organismo humano e reagem de forma danosa às células sadias) e está qualificado como coadjuvante no tratamento do câncer. O estudo é coordenado pelo professor, Cêsar Koppe Grisólia, que pesquisa a fruta há 18 anos.

Rico em vitaminas A, C e E e betacarotenóides (componentes com propriedades antioxidantes, que têm a capacidade de proteger o organismo da ação danosa dos radicais livres), o extrato de polpa de pequi foi aplicado em células de ovário de hamster que estavam submetidas também a uma combinação de substâncias como ciclofosfamida e bleomicina (drogas usadas no tratamento de pacientes com câncer). Os testes estatísticos revelaram que o pequi exerceu efeito protetor contra os danos causados às células por essa combinação.

Além disso, o pequi também amenizou a ação degenerativa das drogas. A pesquisa do professor Grisólia não chega a mensurar essa ação protetora. “Mas já é considerável comprovarmos que o pequi tem essa propriedade. Medir o quanto ele protege as células, aí já é outra pesquisa”, esclarece.

Em pé

Para o professor Grisólia, o resultado da pesquisa chama a atenção para a necessidade de preservação do Cerrado. “A madeira do pequizeiro tem sido usada para fazer carvão e nossa pesquisa mostra que essa planta tem mais valor em pé do que dentro de um saco de carvão. O Cerrado tem sido destruído pela agricultura, mas assim como o pequizeiro deve haver muitas outras espécies que ainda não foram devidamente estudadas”, afirma.

Na verdade, a pesquisa sobre o pequi, que vem sendo desenvolvida desde 2001 por Grisólia, à parte de um projeto maior desenvolvido pelo professor. Ele pretende pesquisar o potencial das plantas do Cerrado em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia (MG) e com o Laboratório de Biofísica da UNB. Para Grisólia, é preciso conscientizar o homem do campo sobre o valor da planta e chamar atenção para suas utilidades. “Não basta proibir ou dizer que não pode cortar”.

Deivid Souza com informações da UNB