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Corredor ecológico não salva espécies do aquecimento global

As mudanças climáticas representam um grande obstáculo a espécies que estão ameaçadas pela perda de habitat, mesmo quando submetidas a consagradas medidas de conservação, como corredores ecológicos, reforço da vegetação nativa e gerenciamento de áreas protegidas. As indicações são de um estudo publicado nesta segunda-feira (9) na revista científica Nature Climate Change.

De acordo com o biólogo Michael Kuttner, da Universidade de Viena, na Áustria, e um dos autores do estudo, todo o esforço de conservação pode ter efeito nulo diante das alterações causadas pelo aquecimento global. “As mudanças do clima transformam a atmosfera em um ritmo que as espécies não acompanham.”

Para chegar a essa conclusão, Kuttner e um grupo de cientistas austríacos criaram um modelo que mediu os esforços de conservação no comportamento de 51 espécies de plantas, borboletas e gafanhoto comuns na Europa Central. Eles avaliaram a perda de alcance regional e o risco de extinção nas condições climáticas atuais e em dois cenários de mudanças climáticas.

Eles também aplicaram três níveis de esforços de conservação: baixo, médio e alto. Resultado: esforços de conservação no nível mais elevado não foram suficientes para compensar a perda média induzida pela mudança climática em nenhuma das espécies. Quanto mais alto o cenário de aquecimento da Terra, pior para a biodiversidade analisada.

A situação mais crítica foi em espécies de vida curta, como borboletas e gafanhotos. “Animais que vivem pouco costumam ter um alto grau de especialização ecológica, o que torna a situação ainda mais complicada”, afirma Kuttner. “Uma frequência crescente de anos desfavoráveis, portanto, aumenta o risco de extinção local, especialmente em animais.”

O pesquisador reforçou que as medidas de conservação são essenciais para atenuar os efeitos negativos do aquecimento climático, mas alertou que elas não fazem milagre. “A eficiência é limitada. E modificar os habitats pode gerar consequências negativas imprevisíveis. O mais importante não é avançar com corredores, mas conter as emissões de gases de efeito estufa”. A biodiversidade é sensível e algumas espécies têm uma capacidade adaptativa pequena, segundo o diretor da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, Fabio Scarano. “Podemos perder parte das espécies sem que as conheçamos profundamente”, diz Scarano, que também é professor do departamento de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi coautor do último relatório do IPCC, o painel do clima da ONU.

Fonte: Reprodução autorizada do Observatório do Clima / Foto: Gaspar Alves/Wikimedia Commons

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“Corrigirmos o rumo ou pereceremos”

Para o jornalista especializado em meio ambiente, é preciso mudarmos a relação entre a humanidade e o planeta, e “rápido”

Deivid Souza / Foto: Divulgação

Há mais de uma década o jornalista André Trigueiro começou uma jornada profissional diferenciada. Enquanto muitos jornalistas escolhem se especializar em política, saúde, tecnologia, artes, etc. Ele preferiu todas elas sintetizadas em uma palavra: sustentabilidade. A experiência lhe deu conhecimento e segurança para escrever sobre o tema. Em seu mais recente título, ‘Cidades e Soluções: como construir uma sociedade sustentável’ ele levanta mais uma vez a bandeira da urgência de promovermos uma sociedade em equilíbrio ambiental, político e econômico.

O fato do livro ter o mesmo nome do programa semanal que ele comanda na Globo News não é uma simples coincidência. Vários assuntos abordados nos dez anos do ‘Cidades e Soluções’ serviram de base para a narrativa que foi editada e atualizada. Na entrevista concedida ao Canal Sustentável por telefone, Trigueiro chama a atenção para tópicos como água, mobilidade humana, educação, etc.

Para quem foi escrito o livro ‘Cidades e Soluções’?

Difícil responder. Na verdade, meu trabalho como jornalista, de uma maneira geral, mais particularmente na área da sustentabilidade, eu procuro ser muito claro, objetivo, didático, acessível a diferentes segmentos e, portanto, eu construí a convicção de que comunicando com clareza esse tipo de assunto, ele se torna palatável para os mais diferentes públicos.

Mas obviamente há uma sinergia forte entre os conteúdos do livro e escolas ou universidades dos mais diversos cursos, gestores públicos, gestores privados, empresários, empreendedores e quem esteja de alguma forma percebendo a necessidade de fazer algo diferente para reduzir o desperdício, para promover a inteligência no uso do recurso, vale para um síndico de um condomínio, vale para uma dona de casa. Não tem um público alvo específico, ele se espraia na direção de uma sociedade que precisa entender a urgência de uma nova cultura, ou corrigirmos o rumo ou pereceremos.

 

O que é uma cidade sustentável?

Não é um conceito fechado, é um conceito em construção. Eu vou compartilhar a minha definição. É uma cidade que eternamente busca os caminhos que promovam o bem estar das pessoas em primeiro lugar, que procure equacionar o mais rapidamente possível os gravíssimos problemas da exclusão social, da miséria e da pobreza extrema, que tenha planejamento. Do ponto de vista das leis brasileiras, que tenha um plano diretor e uma lei orgânica, que haja participação da sociedade civil organizando as rotinas e não permitindo a descontinuidade administrativa a cada prefeito que se elege. Acho importante que o eixo das políticas públicas seja sustentabilidade.

Então é cuidar das águas, promover os saneamentos, disponibilizar as áreas verdes, se possível na proporção indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS): 12m² por habitante, uma cidade que promova o transporte público de massa eficiente, barato e rápido, reduzindo o espaço do automóvel sempre que possível. Quando eu falei do planejamento, a questão da mobilidade é fundamental porque a gente está vendo no mundo, principalmente no hemisfério norte, mas isso vale para as cidades do Brasil, da Colômbia, Chile. Nós temos um movimento contrário àquele que vinha no século 20, determinando o espaço urbano pelo espaço dos automóveis. Isso não deveria ser a regra. Tem uma frase conhecida de um ex-prefeito de Bogotá [Enrique Peñalosa] na Colômbia que diz ‘cidade inteligente não é aquela em que o pobre anda de carro, é aquela que o rico utiliza transporte público’.

 

“Não é importante apenas mudar hábitos, comportamentos, estilos de vida e padrões de consumo. É importante mudar rápido”

 

Nós precisamos valorizar a inteligência na mobilidade. A cidade sustentável precisa ser uma um espaço que compre o desafio da redução das emissões dos Gases do Efeito Estufa (GEE), e isso pode ser alcançado das mais diferentes maneiras, todas elas conspirando em favor da qualidade de vida na cidade. Os prefeitos precisam, no caso do Brasil cumprir a Política Nacional de Resíduos Sólidos, não pode ter lixão, não pode ter vazadouro de lixo a céu aberto que é a regra na maioria das cidades pequenas do Brasil principalmente, e de alguma maneira interligar setores da administração pública buscando o mesmo objetivo. A educação pública precisa fomentar os conteúdos didáticos que estimulem uma cidadania no século 21 para que as pessoas estejam minimamente bem informadas sobre a maior crise ambiental da humanidade. Você não pode ter novas gerações de analfabetos ambientais, isso não é inteligente.

 

Hoje somos uma sociedade com muito acesso à informação. Como fazer com que esta informação sobre sustentabilidade se transforme em um meio de sensibilizar as pessoas para a mudança de comportamento?

Em primeiro lugar, o excesso de informação remete a equívocos como o fakenews presentes nas últimas eleições americanas, a campanhas que promovem a mentira. Portanto, a questão é acessar qual informação? E aí está a importância do jornalismo, na curadoria das notícias, balizando as informações que mereçam credibilidade. O jornalismo tem uma função muito importante neste período de intensificação do uso da internet.  A informação ajuda, ela é uma ferramenta importante para inspirar as ações. O jornalismo tem que ser inspirador, ele não pode só reportar as notícias de forma fria, e a gente precisa denunciar o senso de urgência. Não é importante apenas mudar hábitos, comportamentos, estilos de vida e padrões de consumo. É importante mudar rápido. E o jornalismo pode sinalizar rumos informar porque devemos mudar, o que deve ser mudado efetivamente, como alcançar esse objetivo e o que se ganha. Se você consegue resolver a equação desta maneira a chance de você sensibilizar as pessoas aumenta exponencialmente.

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Como você vê a sustentabilidade das cidades brasileiras?

A maioria absoluta dos prefeitos no Brasil administra cidades pobres inadimplentes, sem recursos humanos ou materiais suficientes para você fazer o mínimo. Quando você me pergunta: como está sustentabilidade? Ela está fora do radar da maioria absoluta das cidades brasileiras que são, repito, pequenas, pobres, inadimplentes, vivem basicamente de recursos federais, do INSS [Instituto Nacional da Seguridade Social], Bolsa Família. Então, é pedir demais hoje para a realidade desigualdade do Brasil esse tipo de possibilidade ou de competência para você fazer uma gestão sustentável. Agora, curiosamente a evolução da consciência é fato. Nas eleições no ano que vem nós vamos ter eleições para governador e presidente. Dificilmente um político se elege, principalmente nos grandes centros, se não tiver um discurso em que a questão da sustentabilidade ou alguma preocupação com o meio ambiente seja colocada. Isso não quer dizer que a pessoa acredite no que fala, mas os marqueteiros de plantão sabem que sem esse discurso engajado ele não vai longe.

 

“A questão é como a sustentabilidade vem sendo usada também de maneira capciosa por certos grupos que promovem a maquiagem verde”

 

O Brasil tem uma legislação moderna sobre a água. Como explicar o descompasso entre as políticas públicas e o abastecimento deficiente?

Esse é um assunto complexo. Houve avanços importantes da década de 90 para cá com a Política de Recursos Hídricos que criou a Agência Nacional de Águas (ANA), permitiu a formação dos comitês de bacia [hidrográfica], a cobrança pelo uso da água bruta. Tudo isso, portanto ajudou a definir um modelo de gestão que resultou em muitos avanços. De lá para cá, a partir do primeiro Governo Lula, a Agência Nacional de Águas que seria uma agência reguladora passou a ser um braço do Estado.

Nenhuma agência reguladora nos últimos 18 anos pelo menos exerceu a função de regular [recursos hídricos] com autonomia. Esta é uma questão. E temos o problema do código florestal, que agora está sendo questionado no STF [Supremo Tribunal Federal] por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade porque o Código Florestal teve um parecer contrário de cientistas da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Ana, já sob controle do Governo Dilma o Código Florestal foi aprovado por ampla maioria, estimulada principalmente pela bancada do agronegócio. Isso determinou eu diria, um enfraquecimento brutal na capacidade das bacias hidrográficas brasileiras serem resilientes. As regras do Código Florestal enfraqueceram a capacidade destas bacias hidrográficas serem minimamente protegidas, e isso já se manifesta em alguns indicadores de vulnerabilidade, a estiagem assoreamento e outros problemas que vem comprometendo a saúde dos recursos hídricos no Brasil.

O Brasil tem 12 mil rios e córregos é maior país do mundo em quantidade de água doce superficial de rios ou de aquíferos e nós não temos, infelizmente, a garantia de que este patrimônio esteja minimamente protegido. Infelizmente o cenário não é bom neste sentido.

 

Hoje é mais fácil falar do tema sustentabilidade na TV?

Eu não tenho dúvida, hoje é mais fácil. A questão é como a sustentabilidade vem sendo usada também de maneira capciosa por certos grupos que promovem a maquiagem verde, divulgam ações ou campanhas e argumentos que não têm repercussão na prática. Não acontece no mundo real e isso é um problema. Isso acontece no setor público e no setor privado. Então, existem novos desafios e eu acho que ainda estamos muito aquém, mas muito aquém mesmo, de uma contestação frontal a um modelo de desenvolvimento que foi descrito 25 anos atrás na maior conferência da ONU até então, que foi a Rio 92, quando o modelo de desenvolvimento foi descrito nos seguintes termos ‘ecologicamente predatório, socialmente perverso e politicamente injusto’, 25 anos depois eu não acho que esta definição tenha perdido o sentido.

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Programa investe R$ 6,6 milhões para preservar Cerrado

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a organização não governamental Conservation International lançaram na segunda-feira (7), em Brasília, o projeto “Reduzindo o Desmatamento na Cadeia Produtiva de Soja”. Com investimentos de 6,6 milhões de dólares, iniciativa visa promover padrões sustentáveis na exploração da commodity, em regiões do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde predomina o bioma cerrado.

“Por meio desse projeto, pretendemos criar uma visão comum para a expansão e a produção no Cerrado brasileiro”, anunciou o diretor de país do PNUD, Didier Trebucq, no evento, que marcou não apenas o início da iniciativa, como também a abertura de um workshop de dois dias, encerrado na terça-feira (8), na Casa da ONU, na capital federal.

O Cerrado brasileiro é o segundo maior bioma da América do Sul. Berço das três maiores bacias hidrográficas da região e um polo mundial de biodiversidade, esse ecossistema abriga povos e comunidades tradicionais que sobrevivem do manejo dos recursos naturais. No entanto, o Cerrado é o bioma nacional com menor porcentagem de unidades de conservação, tanto de uso integral — apenas 2,8% de seu território —, quanto de uso sustentável — 5,3%.

Com duração prevista de três anos, a iniciativa do PNUD atuará diretamente em dez municípios no Tocantins e na Bahia. Nessas cidades, a produção agrícola incluirá critérios socioambientais que estimulem a promoção e a reprodução de boas práticas. A área visada pelo programa é conhecida pela sigla MATOPIBA, usada para indicar as zonas de produção ao longo da fronteira entre os dois estados e também entre Maranhão e Piauí.

O projeto também prevê o desenvolvimento de técnicas de restauração de áreas degradadas e desmatadas. Ferramentas deverão ter potencial de replicação em outras partes do País, além de estarem alinhadas ao cumprimento das metas firmadas pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris.

Combinadas ao planejamento de corredores ecológicos e zoneamento, o PNUD afirma que as estratégias do programa promoverão as parcerias necessárias para o desenvolvimento sustentável da região, numa coalizão entre sociedade civil organizada, setor produtivo local e governos em todas suas esferas. O workshop realizado em Brasília reuniu representantes desses três setores que estarão à frente da iniciativa.

A implementação do projeto ficará a cargo da Conservation International, que trabalhará em parceria com a Sociedade Rural Brasileira (SRB), a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), a Fundação de Apoio à Pesquisa para o Corredor de Exportação Norte (FAPCEN), a Associação de Agricultores e Irrigantes de Bahia (AIBA) e a Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado do Tocantins (FAET).

Da ONU / Foto: Agência Brasil/Elza Fiúza

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Artigo: Valor do meio ambiente

No Brasil, assim como em muitas partes do mundo, o conceito de que uma área de preservação é um espaço não produtivo ainda resiste. Essa concepção contribui para que espaços naturais sejam devastados.

No entanto, esta ideia é fruto de desconhecimento de todos os serviços que os ecossistemas proporcionam à humanidade. Só para citar alguns exemplos, podemos relacionar: provisão de alimentos, água doce, madeira, produtos químicos, e ainda a regulação do clima, controle de doenças, entre outros benefícios que nos servem.

Isso quer dizer que quando uma floresta está em pé, ela cumpre um papel importante, e os beneficiados somos nós seres humanos. Reconhecer o valor destes serviços é, talvez, o primeiro passo para nos conscientizarmos da necessidade de preservar.

Por outro lado, quando descaracterizamos um ecossistema, estamos roubando de nós mesmos serviços que são essenciais à economia e ao bem estar. Recentemente, uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Goiás (UFG) demonstrou a diferença de temperatura entre uma região privilegiada com áreas verdes e outra carregada de concreto e áreas impermeabilizadas. Um exemplo de regulação do tempo.

Mensurar o valor financeiro de uma área ambiental conservada que contribui para retirar toneladas de CO2 do ar é um desafio para especialistas. Felizmente, a ciência já desenvolveu mecanismos para esta tarefa. Hoje é possível trabalhar com a valoração ambiental, ou seja, mensurar o retorno financeiro de preservar.

Se por um lado enxergar o valor dos serviços pode ser algo ainda latente, as cifras dos prejuízos pela ausência deles são notáveis. O Banco Mundial apurou que os grandes desastres ocorridos entre 2008 e 2011 em Pernambuco, Santa Catarina, Alagoas e Rio de Janeiro provocaram perdas de R$ 15 milhões.

Programas copiados de outros países têm chegado ao Brasil para remunerar quem preserva ecossistemas. Além disso, projetos desenvolvidos na Amazônia têm recebido aporte financeiro. A maioria dessas iniciativas consiste em sustentar monetariamente programas de uso sustentável dos recursos naturais.

Estas áreas ainda são pouco representativas frente ao tamanho dos desafios que temos pela frente. Mas são um bom sinal que a ideia que conservação significa prejuízo está perdendo força.

Deivid Souza é jornalista, editor do site Canal Sustentável e especializando em Gestão e Tecnologias Ambientais (USP)

Artigo publicado no jornal O Popular em 21 de julho de 2017.

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MP sancionada por presidente anistia grilagem

Deivid Souza / Foto: Divulgação Planalto

O presidente Michel Temer sancionou nesta terça-feira (11), sem nenhum veto, a Medida Provisória 759, que permite a regularização de terras públicas invadidas até 2011.

Na prática, a medida anistia a grilagem. Além de conceder tempo maior para a regularização, o tamanho das unidades a serem regularizadas também teve acréscimo, passando de 1,5 mil para 2,5 mil hectares.

A MP que havia sido aprovada no Congresso Nacional aguardava a sanção presidencial. Participaram da cerimônia os ministros Bruno Araújo (Cidades), Dyogo Oliveira (Planejamento) e Eliseu Padilha (Casa Civil).

Em uma rede social do presidente Michel Temer, foram divulgados vídeos que contam a história de “famílias que serão beneficiadas com o Novo Programa de Regularização Fundiária”, destaca a postagem.

A preocupação após a sanção da MP 759 recai sobre áreas que foram invadidas e desmatadas, mas que agora poderão ser regularizadas e os grileiros isentos do cumprimento de penalidades.

Araucária

Ameaçada, Floresta com Araucárias ainda é motivo de preocupação

Produção sustentável de pinhão e erva-mate agrega valor ao ecossistema e contribui para sua conservação

Um dos ecossistemas mais característicos da Região Sul do Brasil e bastante ameaçado, a Floresta Ombrófila Mista (FOM), ou Floresta com Araucárias, tem hoje menos de 3% da sua área original. O motivo são os anos de degradação e o corte de seus pinheiros que a levaram a essa situação crítica. Como consequência, uma das espécies mais emblemáticas do ecossistema, o pinheiro-do-paraná ou araucária (Araucaria angustifolia) entrou na Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas de Extinção da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

Na Região Sul, local que tinha grande parte de sua extensão coberta por essa floresta, Santa Catarina foi o estado que mais conseguiu conservar o ecossistema, mesmo com o desmatamento de quase 75% da área original. De acordo com o biólogo e engenheiro agrônomo Jaime Martinez, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), são 25% de área original que restaram e que formam a maior área preservada de Floresta com Araucárias no mundo.

“Embora a ocorrência da espécie seja majoritária na região Sul do País, existem populações naturais da espécie na Região Sudeste, mais precisamente nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro e localizadas, em sua maioria, dentro de uma unidade de conservação, a APA Serra da Mantiqueira, classificada em estudo publicado na revista Science como a oitava área insubstituível do mundo”, destaca Martinez.

Valorizar

Para contribuir na conservação da Floresta com Araucárias, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI), implantaram no estado de Santa Catarina uma iniciativa  que agrega valor  aos produtos extraídos desse ecossistema de acordo com um padrão sustentável de produção – como o pinhão, semente da araucária, e a erva-mate, ambas espécies nativas. A iniciativa Araucária+ reúne produtores do Planalto Serrano catarinense, indústria, varejo e sociedade, criando uma rede sustentável de produção, venda e consumo.

Desde o seu início, em 2014, a iniciativa contabiliza 50 instituições envolvidas (entre empresas, ONGs, governos e instituições de pesquisa), 83 produtores articulados, 470 hectares de floresta conservados, e quatro transações comerciais com três empresas.

Para Martinez, ações que colocam a Araucária em evidência, são uma excelente forma de agregar valor à floresta. “Além do cuidado dos consumidores com a compra do pinhão maduro, outras estratégias complementares são fundamentais para promover a conservação dos remanescentes de Floresta com Araucárias. Entre elas estão a coibição do desmatamento ilegal e a agregação de valor à produção não madeireira, mantendo a floresta em pé”, garante.

Planejamento

Matérias-primas vindas da Floresta de Araucária, o pinhão e a erva-mate, devem seguir algumas normas na hora da extração. Um dos indicativos do momento adequado para a colheita do pinhão, por exemplo, é a queda de temperatura. Se feita antes da hora, pode gerar prejuízos tanto para o consumidor, como para o meio ambiente, pois interfere na manutenção da árvore e de todo seu ecossistema.

Martinez afirma que a prática da coleta do pinhão no tempo certo é um fator positivo no que diz respeito à conservação da Floresta com Araucárias. “Enquanto os produtores locais tiverem retorno econômico com o pinhão, eles vão assegurar a existência da Araucária. Porém, para que a atividade seja sustentável, a coleta deve manter em torno de 50% dos pinhões. Dessa forma, há sobra suficiente para as aves e outros animais que se alimentam da semente, e também para a germinação de novas plantas”, diz o biólogo.

O que ocorre é que muitos coletores se adiantam e removem a pinha ainda na árvore, afetando a germinação de novas plantas. A semente que não amadurece na Araucária perde em sabor para aquela que foi colhida no tempo certo, e os animais que se alimentam do pinhão também são afetados, pois têm menos alimento disponível, gerando um efeito em cadeia.  Por isso o ideal é que a colheita seja feita no solo, buscando os pinhões que realmente estão maduros.

Já a erva-mate não deve ser colhida no período da floração (de setembro a dezembro) e as árvores precisam ficar com, pelo menos, 30% das folhas. “Outra medida muito importante que o Araucária+ incentiva, e que também vale para o pinhão, é a retirada do gado de dentro da floresta. O gado pisoteia o solo, deixando-o compacto, e dificultando a germinação de sementes das espécies vegetais nativas da floresta. Além de também comer as mudas que já estão estabelecidas”, explica o coordenador de Estratégias e Conservação da Fundação Grupo Boticário, Guilherme Karam.

Sobre a Fundação

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento.

 

Da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza / Foto: Haroldo Palo Junior