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Praça Consciente

Construtoras investem em sustentabilidade para a vizinhança

Projetos inovadores aproveitam materiais desenvolvidos para minimizar impactos ambientais das construções. Até plantas se integram às iniciativas para harmonizar empreendimentos e meio ambiente são destaques na segunda parte da série Construir e Sustentar: morar bem e em harmonia com o meio ambiente

 

Deivid Souza | Fotos: Divulgação

Piso permeável, reaproveitamento de materiais, uso de madeira de reflorestamento e um bananeiras que tratam esgoto. Estes são alguns dos atributos de uma praça localizada no Setor Bueno, bairro da região Sul de Goiânia, que qualquer arquiteto se orgulharia em falar.

A fossa biosséptica foi projetada por profissionais da Consciente Construtora. A estrutura utiliza bananeiras para tratar o esgoto de dois banheiros na praça que leva o nome da empresa. A raiz da bananeira se encarrega de absorver a parte líquida do esgoto.

O preço dos equipamentos de implantação de sistemas de geração de energia solar fotovoltaica tem caído. E esta é uma das razões para o incremento da potência instalada. Os estabelecimentos residenciais respondem por 77,8% das unidades com geração distribuída, que detém 32,2% da potência instalada.

A MRV Engenharia tem a meta de incluir em todos os lançamentos, até 2021, a energia solar fotovoltaica nas áreas comuns. O investimento é bom para o bolso dos condôminos. A economia da conta de eletricidade das áreas comuns pode chegar a 80%. A taxa de condomínio pode ficar até 13,6% mais barata.

Desafio

Relatório divulgado pela ONU Meio Ambiente, em dezembro, aponta que segmento de construção e edificações precisará melhorar em 30% sua eficiência energética até 2030 para manter o planeta na caminho rumo às metas do Acordo de Paris.

Condomínio da MRV Engenharia em Salvador (BA)
Condomínio da MRV Engenharia em Salvador (BA): 30% da energia da área comum provém de placas solares fotovoltaicas

“Embora a intensidade energética do setor de construções tenha melhorado, isso não foi suficiente para compensar a crescente demanda por energia. Uma ação ambiciosa é necessária sem postergações a fim de evitar o congelamento de ativos em prédios ineficientes, de longa vida, por décadas”, avaliou o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, durante a divulgação do relatório elaborado pela Aliança Global.

Certificação

O Canal Sustentável publica, desde o dia 25 de janeiro a série Construir e Sustentar: morar bem e em harmonia com o meio ambiente que visa abordar os desafios e soluções que engenheiros e arquitetos enfrentam para modernizar habitações e responder às necessidades contemporâneas. Na terceira e última parte da série, a ser publicada no próximo dia 8, você confere os benefícios econômicos da sustentabilidade.

 

Leia também, no primeiro episódio da série Construir e Sustentar: morar bem e em harmonia com o meio ambiente como construtoras desenvolveram tecnologias para levar o verde para dentro de condomínios e aproveitar água da chuva para reduzir alagamentos.

Aproveitamento de água e tratamento de efluentes permite higienização de 200 veículos no Residencial Ecovillaggio em Goiânia

Construir e Sustentar: morar bem e em harmonia com o meio ambiente

Construtoras investem em soluções inteligentes na busca por sustentabilidade. Energia solar, uso racional da água e materiais ecoeficientes são apenas alguns dos atributos que visam melhorar edificações

Um dos desafios é, segundo a ONU Meio Ambiente, melhorar em 30% a eficiência energética até 2030 para manter o Planeta no caminho rumo às metas do Acordo de Paris

 

Deivid Souza

O segmento da construção civil tem adotado diversas inovações para agradar clientes e equilibrar os negócios sob o tripé da sustentabilidade: ambiental, social e econômico. Esta busca tem gerado várias inovações. Por este motivo, o Canal Sustentável publica hoje e nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro três reportagens da série Construir e Sustentar: morar bem e em harmonia com o meio ambiente

As alternativas passam por utilização da energia solar fotovoltaica, aproveitamento de água da chuva, tratamento de esgoto para reuso de água, materiais que minimizam o uso da eletricidade, etc.

Embora não seja uma realidade em todas as construções, o aproveitamento de água das chuvas se tornou praticamente um clichê nos prédios. Agora, as atenções em relação aos recursos hídricos nas edificações se voltam também para as chamadas águas cinzas, provenientes de lavatórios e chuveiros.

Após o tratamento, a água é destinada a rega de plantas, higienização de áreas comuns e até lavagem de carros. É o que acontece em um condomínio da Loft construtora, em Aparecida de Goiânia, onde o lavajato interno possibilita a limpeza de até 200 veículos por mês. “A água é um recurso natural inestimável e está cada vez mais escasso no planeta”, reconhece o diretor da empresa, Gustavo Veras.

Bosque

A empresa decidiu, em 2013, abrir mão de construir uma torre em um empreendimento de Goiânia para preservar uma área permeável equivalente a 2.856 m². O espaço permitiu a manutenção de mangueiras com mais de 50 anos de vida. Veras argumentou que a medida, tomada em 2013, visa agregar “qualidade de vida e manutenção do meio ambiente”.

Verde foi levado para dentro do Residencial Botanic da Consciente Construtora
Verde foi levado para dentro do Residencial Botanic, criando espaço de convivência para moradores / Foto: Divulgação

Também na capital de Goiás, engenheiros e arquitetos inovaram para tornar possível um bosque com 3 mil m², erguido no mezanino de um edifício residencial da Consciente Construtora e Incorporadora. As lajes receberam uma manta especial, impermeabilização diferenciada e um sistema de drenagem com ralos para drenagem da água proveniente da rega. “Uma camada de 50 centímetros de terra será depositada sobre as lajes, o que permite o crescimento de árvores de até 10 metros de altura”, explica o arquiteto e paisagista, Benedito Abudd. O local abriga 1.622 plantas de 30 espécies de médio e pequeno porte. Um lago autolimpante de 148 m² também decora o espaço.

Leia também, no segundo episódio da série Construir e Sustentar: morar bem e em harmonia com o meio ambiente como construtoras investem em energias renováveis e tratamento de esgoto.

 

RMC - 1000

RMC Goiânia finaliza coleta de indicadores de sustentabilidade fiscal e governabilidade

Da redação

Na segunda-feira (13), integrantes do Grupo de Trabalho de Indicadores da Rede de Monitoramento Cidadão (RMC) de Goiânia se reuniram com o secretário municipal de Finanças, Oseias Pacheco, para tratar do acesso da Rede aos dados que vão alimentar os indicadores relativos à sustentabilidade fiscal e governabilidade da capital.

A reunião de trabalho resultou na consolidação de dados referentes aos 21 indicadores de sustentabilidade fiscal e governabilidade. Com este trabalho, a RMC de Goiânia avança para a reta final da coleta dos indicadores e se prepara para analisá-los em evento que contará com a participação de especialistas.

Os indicadores coletados para a capital serão analisados por especialistas em um evento previsto para o próximo dia 26. No total, são aproximadamente mais de 150 indicadores, agrupados em mais de 20 temas distintos que tratam de aspectos ambientais, sociais e econômicos.

Conheça a Rede de Monitoramento Cidadão

A Rede de Monitoramento Cidadão é uma organização, independente e apartidária, criada com o objetivo de acompanhar, de forma técnica e imparcial, o desempenho das cidades brasileiras em temas que impactam sua sustentabilidade e a qualidade de vida de seus cidadãos. Composta por representantes da sociedade civil, setor produtivo, academia e mídia, a RMC também realiza pesquisas e estudos, dissemina informações e análises, e desenvolve iniciativas com diferentes setores da sociedade, por meio de projetos e estímulo à ação política responsável, que promovem a sustentabilidade da cidade.

 

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Em 13 anos, Centros de Triagem do Ibama recebem 570 mil animais silvestres

Exemplares são provenientes de tráfico e criação irregular. Pena branda favorece mercado, que no mundo fatura US$ 2,5 bilhões

Deivid Souza / Foto: Ibama

Entre 2002 e 2014, os Centros de Triagem de Animais (Cetas) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) receberam 568.645 animais silvestres. A grande maioria (64%) dos exemplares destinados aos Cetas é proveniente de apreensões realizadas pelo órgão federal e unidades estaduais de fiscalização. As outras origens dos animais são: entrega voluntária (14%), resgate (13%) e motivo não informado (9%).

A retirada dos animais, muitas vezes, é para o tráfico. Este é um mercado que movimenta cerca de US$ 2,5 bilhões por ano no mundo com a movimentação de cerca de 38 milhões de exemplares. A ganância dos exploradores é cruel, para o comércio de animais vivos, apenas um entre cada dez exemplares retirados da natureza sobrevive. Os dados são de um relatório da Renctas, organização não governamental de proteção da flora. No Brasil, de acordo com o relatório técnico do Cetas, oito entre cada dez animais apreendidos nas fiscalizações são aves.

Apesar do número exorbitante, o volume de animais retirados da natureza parece ser muito maior do que o computado. Existe um descompasso entre o trabalho de apreensão e o balanço dos dados. Os números de 2015 e 2016 ainda não estão fechados. Para este período, até agora consta que foram destinados aos Cetas 24.626 e 21.802 animais para os respectivos anos.

Chefe nacional das Operações de Fiscalização do Ibama, Roberto Cabral, explica que desde 2011, a Lei Complementar nº 140 estabeleceu a primazia de fiscalização sobre a fauna para o órgão nacional, mas não impediu os entes federados de também exercerem este papel. “Na verdade, nós atuamos em conjunto não só com as polícias Federal, Militar e Rodoviária Federal, como também temos ações conjuntas com a Polícia Civil e outras instituições”, explica.

Nas alturas

gráfico-cetasNo período do relatório, os números oscilam bastante. Entre 2010 e 2014, há uma aparente tendência de queda, passando de 57.861 para 39.637. Mas 2013 é o ponto fora da curva com mais de 59 mil atendimentos dos Cetas.

Entre 2010 e 2014, a média de animais recebidos pelos Cetas ficou em 52.218 exemplares. O número indica que a pena de detenção de seis meses a um ano e multa, prevista na Lei de Crimes Ambientais – 9.605 de 1998 – não preocupa caçadores e traficantes.

“É preciso reforçar a questão da legislação. Enquanto não tiver a figura do traficante na lei vai continuar difícil, senão impossível coibir o tráfico. Porque, simplesmente eles não se sentem demovidos de continuar com a prática porque dá lucro. É uma punição irrisória, faz-se um TCO (Termo Circunstancial de Ocorrência) e às vezes acontece a troca da pena por uma cesta básica ou algo mais simples”, critica Cabral.

Tragédia

O objetivo dos Cetas é promover a reintegração dos animais ao seu habitat. No entanto, 19,6% dos exemplares acaba indo a óbito. Pouco mais da metade é devolvida à natureza (54,6%). A outra parte é encaminhada para cativeiros e outros destinos. O Ibama possui 22 unidades dos Cetas.

 

036 Pça Cívica - foto Edilson Pelikano-1000

Pesquisa avalia sustentabilidade em Goiânia

Levantamento indédito em Goiânia vai levantar a visão da sustentabilidade do ponto de vista dos habitantes da capital

A Rede de Monitoramento Cidadão (RMC) de Goiânia realiza, no mês de setembro, uma pesquisa de opinião pública para entender como os moradores percebem o avanço, ou não, do desenvolvimento sustentável da cidade e quais os temas que consideram mais importantes para o futuro de onde moram. A pesquisa é uma das principais ações da RMC, uma organização, independente e apartidária, criada com o objetivo de acompanhar, de forma técnica e imparcial, o desempenho da cidade em questões que impactam sua sustentabilidade e a qualidade de vida de seus cidadãos.

A pesquisa está sendo executada pela Baobá – Práticas Sustentáveis, agência executora do Projeto Redes de Monitoramento Cidadão, que conta com o apoio financeiro do Fundo Socioambiental da Caixa e parceria do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). As entrevistas serão realizadas por estudantes da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Universidade Federal de Goiás, Centro Universitário Alves Faria e Instituto Federal de Goiás, integrantes da RMC de Goiânia, sob coordenação de um grupo de professores.

A ferramenta possibilita levantar a opinião dos cidadãos sobre mais de 20 temas relacionados ao desenvolvimento sustentável da cidade e da qualidade de vida de seus moradores. Além disso, ao final do questionário, o entrevistado ainda tem a oportunidade de enumerar os problemas que mais afetam a sua qualidade de vida, como serviços de água potável, serviço de coleta de resíduos, ruídos incômodos, emprego e qualidade de moradia. “É muito importante para a Rede de Monitoramento Cidadão saber o que as pessoas pensam, para que possa continuar trabalhando, de forma assertiva, pela melhoria da qualidade da vida urbana, apontando para o governo o que realmente é uma prioridade para os moradores da cidade”, ressalta o coordenador geral do Projeto Redes de Monitoramento Cidadão, Fernando Penedo.

A metodologia possui uma margem de erro pequena e determina que a pesquisa seja realizada nas diferentes regiões da cidade. “A espacialização da pesquisa possibilita conhecermos as necessidades não só da cidade como um todo, mas das suas diferentes localidades”, explica Penedo.

Qualificação do debate público

Além do levantamento de indicadores de percepção, possibilitados pela pesquisa de opinião pública, a Rede de Monitoramento Cidadão também realiza a coleta, junto ao poder público, de uma série de indicadores técnicos que retratam a sustentabilidade da cidade e a qualidade de vida de seus cidadãos. Após estes levantamentos, a Rede de Monitoramento faz uma análise dos resultados e avalia as políticas públicas do município relacionadas aos temas apontados como críticos. “A Pesquisa de Opinião Pública é uma importante ferramenta de participação cidadã. Seus resultados possibilitam qualificar o debate público em relação às demandas da cidade, bem como nortear futuras políticas públicas”, finaliza Penedo. Os resultados da pesquisa também fortalecem e empoderam os trabalhos de cidadãos e organizações comunitárias, bem como estimulam que as pessoas reflitam e compreendam a qualidade de vida e a sustentabilidade da sua cidade.

Comparação internacional

A estruturação da Rede de Monitoramento Cidadão faz parte da quinta etapa do Programa Cidades Emergentes e Sustentáveis (CES), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), presente em mais de 70 cidades da América Latina e Caribe (ALC). No Brasil, conta com o apoio financeiro do Fundo Socioambiental da CAIXA e tem a Baobá Prática Sustentáveis como agência executora do projeto nas cidades de Florianópolis (SC), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Palmas (TO) e Vitória (ES).

Por utilizar uma metodologia aplicada internacionalmente, a Pesquisa de Opinião Pública, que será realizada anualmente em Goiânia, permitirá não só a comparação da evolução, ou não, da percepção dos moradores da cidade ao longo dos anos, como também a comparação de seus resultados com os de outras cidades brasileiras, da América Latina e do Caribe.

Conheça a Rede de Monitoramento Cidadão

A Rede de Monitoramento Cidadão é uma organização, independente e apartidária, criada com o objetivo de acompanhar, de forma técnica e imparcial, o desempenho das cidades brasileiras em temas que impactam sua sustentabilidade e a qualidade de vida de seus cidadãos. Composta por representantes da sociedade civil, setor produtivo, academia e mídia, a RMC também realiza pesquisas e estudos, dissemina informações e análises, e desenvolve iniciativas com diferentes setores da sociedade, por meio de projetos e estímulo à ação política responsável, que promovem a sustentabilidade da cidade.

Araucária

Ameaçada, Floresta com Araucárias ainda é motivo de preocupação

Produção sustentável de pinhão e erva-mate agrega valor ao ecossistema e contribui para sua conservação

Um dos ecossistemas mais característicos da Região Sul do Brasil e bastante ameaçado, a Floresta Ombrófila Mista (FOM), ou Floresta com Araucárias, tem hoje menos de 3% da sua área original. O motivo são os anos de degradação e o corte de seus pinheiros que a levaram a essa situação crítica. Como consequência, uma das espécies mais emblemáticas do ecossistema, o pinheiro-do-paraná ou araucária (Araucaria angustifolia) entrou na Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas de Extinção da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

Na Região Sul, local que tinha grande parte de sua extensão coberta por essa floresta, Santa Catarina foi o estado que mais conseguiu conservar o ecossistema, mesmo com o desmatamento de quase 75% da área original. De acordo com o biólogo e engenheiro agrônomo Jaime Martinez, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), são 25% de área original que restaram e que formam a maior área preservada de Floresta com Araucárias no mundo.

“Embora a ocorrência da espécie seja majoritária na região Sul do País, existem populações naturais da espécie na Região Sudeste, mais precisamente nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro e localizadas, em sua maioria, dentro de uma unidade de conservação, a APA Serra da Mantiqueira, classificada em estudo publicado na revista Science como a oitava área insubstituível do mundo”, destaca Martinez.

Valorizar

Para contribuir na conservação da Floresta com Araucárias, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI), implantaram no estado de Santa Catarina uma iniciativa  que agrega valor  aos produtos extraídos desse ecossistema de acordo com um padrão sustentável de produção – como o pinhão, semente da araucária, e a erva-mate, ambas espécies nativas. A iniciativa Araucária+ reúne produtores do Planalto Serrano catarinense, indústria, varejo e sociedade, criando uma rede sustentável de produção, venda e consumo.

Desde o seu início, em 2014, a iniciativa contabiliza 50 instituições envolvidas (entre empresas, ONGs, governos e instituições de pesquisa), 83 produtores articulados, 470 hectares de floresta conservados, e quatro transações comerciais com três empresas.

Para Martinez, ações que colocam a Araucária em evidência, são uma excelente forma de agregar valor à floresta. “Além do cuidado dos consumidores com a compra do pinhão maduro, outras estratégias complementares são fundamentais para promover a conservação dos remanescentes de Floresta com Araucárias. Entre elas estão a coibição do desmatamento ilegal e a agregação de valor à produção não madeireira, mantendo a floresta em pé”, garante.

Planejamento

Matérias-primas vindas da Floresta de Araucária, o pinhão e a erva-mate, devem seguir algumas normas na hora da extração. Um dos indicativos do momento adequado para a colheita do pinhão, por exemplo, é a queda de temperatura. Se feita antes da hora, pode gerar prejuízos tanto para o consumidor, como para o meio ambiente, pois interfere na manutenção da árvore e de todo seu ecossistema.

Martinez afirma que a prática da coleta do pinhão no tempo certo é um fator positivo no que diz respeito à conservação da Floresta com Araucárias. “Enquanto os produtores locais tiverem retorno econômico com o pinhão, eles vão assegurar a existência da Araucária. Porém, para que a atividade seja sustentável, a coleta deve manter em torno de 50% dos pinhões. Dessa forma, há sobra suficiente para as aves e outros animais que se alimentam da semente, e também para a germinação de novas plantas”, diz o biólogo.

O que ocorre é que muitos coletores se adiantam e removem a pinha ainda na árvore, afetando a germinação de novas plantas. A semente que não amadurece na Araucária perde em sabor para aquela que foi colhida no tempo certo, e os animais que se alimentam do pinhão também são afetados, pois têm menos alimento disponível, gerando um efeito em cadeia.  Por isso o ideal é que a colheita seja feita no solo, buscando os pinhões que realmente estão maduros.

Já a erva-mate não deve ser colhida no período da floração (de setembro a dezembro) e as árvores precisam ficar com, pelo menos, 30% das folhas. “Outra medida muito importante que o Araucária+ incentiva, e que também vale para o pinhão, é a retirada do gado de dentro da floresta. O gado pisoteia o solo, deixando-o compacto, e dificultando a germinação de sementes das espécies vegetais nativas da floresta. Além de também comer as mudas que já estão estabelecidas”, explica o coordenador de Estratégias e Conservação da Fundação Grupo Boticário, Guilherme Karam.

Sobre a Fundação

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento.

 

Da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza / Foto: Haroldo Palo Junior