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Governo federal prioriza monitoramento da Amazônia

Escolha está associada a cumprimento de compromisso firmado na COP21

Deivid Souza / Foto: Flickr / Eduardo Duarte-ONU

A Estratégia do Programa de Monitoramento Ambiental do Biomas, lançada pelo governo federal este mês deixa clara a priorização do acompanhamento da Amazônia em detrimento de outros biomas. A escolha está associada ao compromisso brasileiro assumido na Conferência do Clima, a COP21, em Paris.

Os dados gerados pelo programa se referem a desmatamento, cobertura e uso da terra e queimadas. Os indicadores servirão para acompanhar o desempenho de políticas públicas orientadas ao atingimento da meta de redução das emissões totais de gases de efeito estufa de 37% até 2025, e de 43% até 2030, com relação ao total de emissões do Brasil em 2005.

A priorização está evidente no prazo de implantação de um dos monitoramentos e na peridiocidade deles. A Amazônia será o primeiro bioma a ter concluídos os monitoramentos e também o bioma que terá intervalos menores na aplicação da sistematização do levantamento de dados. Em seguida, o Cerrado aparece como o segundo bioma a ter a estratégia implantada mais rápido.

Prazo

Enquanto o monitoramento anual do desmatamento já está implementado na Amazônia, este deve acontecer ao longo de 2016 para o Cerrado e até 2018 para os outros biomas. Apesar disso, indicadores como a extração seletiva de madeira a ser implantada em 2017 na Amazônia não está prevista para as outras florestas.

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Caminho para agricultura é ser sustentável

Especialistas apontam a pesquisa como protagonista do desenvolvimento na agricultura

Deivid Souza / Foto: ONU – Flickr/vredeseilanden (cc)

Depois de experimentar significativo aumento na produção, sem expandir na mesma proporção a área plantada, o desafio da agricultura agora é ser cada vez mais sustentável. O equilíbrio defendido por especialistas não está restrito apenas ao fator ambiental, mas também econômico e social.

O assunto foi debatido, na última semana, em Goiânia, no encontro A Pesquisa na Agricultura: implicações para a sustentabilidade alimentar global, promovido pela Academia Brasileira de Ciências (ABC). O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), Evaldo Ferreira Vilela, afirmou ao Canal Sustentável que este é um dos grandes desafios para o setor. “Nós temos que atender as necessidades ambientais, fazer uma agricultura mais sustentável, uma produção de alimento de maior qualidade. Nós já atingimos um patamar muito bom, mas nós temos que continuar evoluindo”, ressaltou.

Dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) deixam claro a necessidade de expandir a produção de alimentos no mundo. De acordo com a FAO, 925 milhões de pessoas passam fome no Planeta.  Por outro lado, as cobranças pela redução dos impactos ambientais no campo são grandes. Uma das exigências é o aumento da eficiência de produção de alimentos, reduzindo as perdas e o desperdício do campo à mesa.

Para Evaldo, a pesquisa tem um papel fundamental neste processo. Ele avalia que há um protagonismo grande da ciência nos avanços alcançados. “O que nós precisamos é torná-la mais eficiente e entender como nós vamos transpor esses resultados mais rapidamente para o setor produtivo”, frisa.

Supremacia

Em Goiás, tem havido um predominância grande das pesquisas agropecuárias. Um dos indicadores da realidade é a resposta aos editais da Fundação de Amparo à Pesquisa de Goiás (Fapeg), que apresentam uma predominância das propostas de estudo da agropecuária. “O que significa que nós temos cursos muito bons, seja da Universidade Federal de Goiás (UFG), seja da UEG (Universidade Estadual de Goiás) dos institutos, o Instituto Federal Goiano (IFG) tem inúmeros cursos voltados para a área das (ciências) agrárias”, complementa a presidente da Fapeg, Maria Zaira Turchi.

 

Acordo do clima

Mudanças climáticas ameaçam saúde pública

Informação foi divulgada nesta quarta-feira por um relatório dos Estados Unidos

O governo dos Estados Unidos publicou nesta quarta-feira (5) os resultados de um estudo que conclui que as alterações climáticas terão efeitos nocivos na saúde pública da população nas próximas décadas.

Desenvolvido durante três anos por órgãos federais, o estudo mostra que no verão de 2030 serão registradas cerca de 11 mil mortes, em comparação com os números atuais, por causa do “calor extremo”, e que em 2100 o número de mortes devido às altas temperaturas chegará a 27 mil, caso não seja feito um esforço “acelerado” para conter as alterações climáticas.

A Casa Branca citou o aumento das doenças transmitidas por insetos e a redução do valor nutricional dos alimentos como exemplos de perigos derivados das mudanças climáticas para os seres humanos.

“A necessidade de passar à ação contra as alterações climáticas é muito explícita quando se olha para a saúde pública. Não se trata apenas dos glaciares e dos ursos polares. É sobre a saúde dos nossos filhos”, disse, na apresentação do estudo, a administradora da Agência de Proteção do Meio Ambiente dos Estados Unidos, Gina McCarthy.

O relatório mostra ainda a necessidade de ir além dos acordos alcançados em Paris, em dezembro do ano passado, por quase 200 países em relação à luta contra as alterações climáticos, ao considerar que eles são insuficientes para evitar grande parte das consequências.

Da Agência Brasil / Foto: PNUMA

 

cana de açucar

Adubação e irrigação aumentam produtividade da cana no Cerrado

Resultados foram observados em usinas de Goiás e Minas Gerais

Deivid Souza/ Foto: Breno Lobato/Embrapa Cerrados

Estudos de práticas de melhoria da produtividade da cana-de-açúcar, realizados pela Embrapa Cerrados (DF), demonstraram ganhos entre 10 e 20 toneladas por hectare (t/ha) nos rendimentos de colmos por corte. O incremento é atribuído à adubação fosfatada anual de manutenção soqueira.

CC
Melhor produtividade reduz impactos ambientais.Foto: Embrapa Cerrados/Fabiano Bastos

 

O trabalho foi realizado nas usinas Goiasa (Goiatuba, GO), Anicuns (Anicuns, GO) e Destilaria Veredas (João Pinheiro, MG) em áreas sob pastagem e áreas de primeira reforma, cujos solos têm baixa disponibilidade de fósforo. Outras pesquisas demonstraram ainda outras vantagens para a cultura como redução da perda de água do solo por meio de evaporação em determinadas fases de crescimento da planta.

Água

Também foram realizados outros experimentos de irrigação. Com a irrigação, a cana-planta atinge produtividade de colmos de até 255 t/ha e a primeira soca até 220 t/ha para as melhores variedades. Os índices são muito superiores à média da região Centro-Sul do País, onde normalmente tem-se menos que 80 t/ha. Em produtividade de açúcar, o sistema irrigado tem atingido 38 t/ha na cana planta e 31 t/ha na cana soca, enquanto a Região Centro-Sul produz em média 12 t/ha.

 

 

Foto: Agência Brasil

Pequi pode ajudar na cura do Câncer diz pesquisa da UNB

Fruto típico do Cerrado pode ser usado como coadjuvante no tratamento de câncer

A pesquisa foi realizada pelo Laboratório de Genética do Instituto de Ciências Biológicas (IB) da Universidade de Brasília (UNB) e concluiu que o pequi, fruto típico do Cerrado, pode ser indicado como eficiente redutor da ação dos chamados radicais livres (moléculas que se formam no organismo humano e reagem de forma danosa às células sadias) e está qualificado como coadjuvante no tratamento do câncer. O estudo é coordenado pelo professor, Cêsar Koppe Grisólia, que pesquisa a fruta há 18 anos.

Rico em vitaminas A, C e E e betacarotenóides (componentes com propriedades antioxidantes, que têm a capacidade de proteger o organismo da ação danosa dos radicais livres), o extrato de polpa de pequi foi aplicado em células de ovário de hamster que estavam submetidas também a uma combinação de substâncias como ciclofosfamida e bleomicina (drogas usadas no tratamento de pacientes com câncer). Os testes estatísticos revelaram que o pequi exerceu efeito protetor contra os danos causados às células por essa combinação.

Além disso, o pequi também amenizou a ação degenerativa das drogas. A pesquisa do professor Grisólia não chega a mensurar essa ação protetora. “Mas já é considerável comprovarmos que o pequi tem essa propriedade. Medir o quanto ele protege as células, aí já é outra pesquisa”, esclarece.

Em pé

Para o professor Grisólia, o resultado da pesquisa chama a atenção para a necessidade de preservação do Cerrado. “A madeira do pequizeiro tem sido usada para fazer carvão e nossa pesquisa mostra que essa planta tem mais valor em pé do que dentro de um saco de carvão. O Cerrado tem sido destruído pela agricultura, mas assim como o pequizeiro deve haver muitas outras espécies que ainda não foram devidamente estudadas”, afirma.

Na verdade, a pesquisa sobre o pequi, que vem sendo desenvolvida desde 2001 por Grisólia, à parte de um projeto maior desenvolvido pelo professor. Ele pretende pesquisar o potencial das plantas do Cerrado em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia (MG) e com o Laboratório de Biofísica da UNB. Para Grisólia, é preciso conscientizar o homem do campo sobre o valor da planta e chamar atenção para suas utilidades. “Não basta proibir ou dizer que não pode cortar”.

Deivid Souza com informações da UNB