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Aproveitamento de água e tratamento de efluentes permite higienização de 200 veículos no Residencial Ecovillaggio em Goiânia

Construir e Sustentar: morar bem e em harmonia com o meio ambiente

Construtoras investem em soluções inteligentes na busca por sustentabilidade. Energia solar, uso racional da água e materiais ecoeficientes são apenas alguns dos atributos que visam melhorar edificações

Um dos desafios é, segundo a ONU Meio Ambiente, melhorar em 30% a eficiência energética até 2030 para manter o Planeta no caminho rumo às metas do Acordo de Paris

 

Deivid Souza

O segmento da construção civil tem adotado diversas inovações para agradar clientes e equilibrar os negócios sob o tripé da sustentabilidade: ambiental, social e econômico. Esta busca tem gerado várias inovações. Por este motivo, o Canal Sustentável publica hoje e nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro três reportagens da série Construir e Sustentar: morar bem e em harmonia com o meio ambiente

As alternativas passam por utilização da energia solar fotovoltaica, aproveitamento de água da chuva, tratamento de esgoto para reuso de água, materiais que minimizam o uso da eletricidade, etc.

Embora não seja uma realidade em todas as construções, o aproveitamento de água das chuvas se tornou praticamente um clichê nos prédios. Agora, as atenções em relação aos recursos hídricos nas edificações se voltam também para as chamadas águas cinzas, provenientes de lavatórios e chuveiros.

Após o tratamento, a água é destinada a rega de plantas, higienização de áreas comuns e até lavagem de carros. É o que acontece em um condomínio da Loft construtora, em Aparecida de Goiânia, onde o lavajato interno possibilita a limpeza de até 200 veículos por mês. “A água é um recurso natural inestimável e está cada vez mais escasso no planeta”, reconhece o diretor da empresa, Gustavo Veras.

Bosque

A empresa decidiu, em 2013, abrir mão de construir uma torre em um empreendimento de Goiânia para preservar uma área permeável equivalente a 2.856 m². O espaço permitiu a manutenção de mangueiras com mais de 50 anos de vida. Veras argumentou que a medida, tomada em 2013, visa agregar “qualidade de vida e manutenção do meio ambiente”.

Verde foi levado para dentro do Residencial Botanic da Consciente Construtora
Verde foi levado para dentro do Residencial Botanic, criando espaço de convivência para moradores / Foto: Divulgação

Também na capital de Goiás, engenheiros e arquitetos inovaram para tornar possível um bosque com 3 mil m², erguido no mezanino de um edifício residencial da Consciente Construtora e Incorporadora. As lajes receberam uma manta especial, impermeabilização diferenciada e um sistema de drenagem com ralos para drenagem da água proveniente da rega. “Uma camada de 50 centímetros de terra será depositada sobre as lajes, o que permite o crescimento de árvores de até 10 metros de altura”, explica o arquiteto e paisagista, Benedito Abudd. O local abriga 1.622 plantas de 30 espécies de médio e pequeno porte. Um lago autolimpante de 148 m² também decora o espaço.

Leia também, no segundo episódio da série Construir e Sustentar: morar bem e em harmonia com o meio ambiente como construtoras investem em energias renováveis e tratamento de esgoto.

 

aud pública PNRS

Empresas cobram desoneração para ampliar reciclagem

Representantes de organizações que atuam no setor de gestão de resíduos sólidos defendem isenção de impostos para crescimento de cadeia

 

Deivid Souza / Foto: Reprodução TV Câmara

Os municípios brasileiros com alguma iniciativa de coleta seletiva passaram de 57,6% em 2010 para 91% em 2016. O crescimento demonstrado pelos números da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) demonstra o quanto a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que entrou em vigor em agosto de 2010, contribuiu para avanços importantes na redução dos problemas ambientais e econômicos causados pelo tratamento inadequado do lixo no Brasil.

No entanto, ainda existem vários pontos de melhoria para serem trabalhados as 7 milhões de toneladas de resíduos que deixam de ser coletadas anualmente. Elas põem 18,5 milhões de brasileiros a problemas de saúde ocasionados pelo lixo.

Empresários do setor defendem que é necessário maior engajamento de todos os parceiros na questão e apoio do setor público na forma de desonerações para a cadeia se desenvolver. O assunto foi tema de uma audiência pública nesta terça-feira (9) na Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Federal.

Diretor presidente da Associação Brasileira para a Gestão da Logística Reversa de Produtos de Iluminação (Reciclus), Márcio Fernando Quintino, defende a cadeia de reciclagem seja desonerada. “Transportar resíduos não representa valor. No caso de uma lâmpada, ela custa para se descartar, não pode ter incidência tributária como se fosse uma lâmpada nova”, questiona.

O Brasil dispõe de um acordo setorial para redução mínima de 22% para a disposição de embalagens em aterros até 2018, questão que preocupa muitas empresas. O presidente do Compromisso Empresarial para Reciclagem, Vitor Bicca, lembrou que aproximadamente 98% das latas de alumínio são reaproveitadas porque há viabilidade econômica para o material, mas outros precisam de incentivo para se tornar sustentáveis. “A gente precisa atacar este ponto senão a reciclagem nunca vai ser competitiva no Brasil”, frisou Bicca.

Contribuinte

Nas contas da Abrelpe, os municípios dispõem de uma contribuição de R$ 9,92/mês por contribuinte para arcar com as despesas de coleta, transporte e destinação de resíduos. O valor é considerado insuficiente pelo presidente da instituição, Carlos Roberto Vieira da Silva Filho. “Não existe nenhum sistema de gestão de resíduos sólidos avançado que hoje esteja funcionando no mundo que não tenha como base a remuneração pelos usuários”, pontuou.

mercúrio

Tratado sobre mercúrio perto da ratificação, diz MMA

O Brasil deu mais um passo no controle do mercúrio para proteger o meio ambiente e a saúde humana. Após articulação liderada pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, e pela Frente Parlamentar Ambientalista, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de decreto legislativo que contém a Convenção de Minamata sobre Mercúrio. O texto segue, agora, para o Senado Federal. Caso aprovado pela Casa, o tratado internacional passará a valer em território brasileiro.

A Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa) já emitiu uma regulamentação em que proíbe a comercialização, em todo o País, de termômetro produzidos com mercúrio.

A urgência do processo é necessária para o país. De acordo com a gerente de Qualidade Ambiental do MMA, Letícia Carvalho, o Brasil pode perder acesso a recursos internacionais para a agenda se não aprovar e depositar o instrumento de ratificação nas Nações Unidas até o fim da próxima semana. O depósito também é necessário para que o Brasil não seja apenas ouvinte na primeira Conferência das Partes, marcada para ocorrer em setembro, em Genebra.

O tratado foi assinado pelo Brasil em 2013. O Congresso Nacional precisa, no entanto, aprovar o projeto de decreto legislativo para que a Convenção entre no ordenamento jurídico brasileiro. “O tratado é um marco no multilaterismo porque vincula questões ambientais, de saúde e de competitividade da indústria”, explicou Letícia Carvalho. “A aprovação pela Câmara é um passo relevante no caminho da ratificação”, acrescentou.

Fatal

O mercúrio é usado em setores como siderurgia e produção de cimento e na mineração artesanal de ouro, além de ser encontrado em termômetros e medidores de pressão. “A Convenção visa a controlar uma substância extremamente letal e banir ou restringir esses produtos que estão em contato direto com o consumidor”, alertou a gerente do MMA. “Existem, hoje, substitutos perfeitos que não utilizam mercúrio.”

A medida tem potencial para promover o desenvolvimento sustentável e para conter o aquecimento do planeta. “A Convenção traz benefícios importantes para agenda do clima com o controle de emissões e alinha a indústria em um caminho para a sustentabilidade, que traz benefícios diretos para a população”, detalhou.

Convenção

Acordada na quinta sessão do Comitê Intergovernamental de Negociação em Genebra, em outubro de 2013, a Convenção de Minamata sobre Mercúrio é um tratado global para proteger a saúde humana e o meio ambiente dos efeitos adversos do mercúrio.

Os principais pontos incluem a proibição de novas minas de mercúrio, a eliminação progressiva das já existentes, medidas de controle sobre as emissões atmosféricas, e a regulamentação internacional sobre o setor informal para mineração artesanal e de ouro em pequena escala.

O nome da convenção homenageia as vítimas por envenenamento de mercúrio ocorrido na cidade japonesa de Minamata, onde uma empresa química lançou no mar dejetos com a substância desde 1930. Devido ao efeito cumulativo na cadeia alimentar, o despejo provocou intoxicação de quase 3 mil pessoas apenas a partir da década de 1950, principalmente em famílias de pescadores.

Do MMA

Isopor

Universidade goiana produz material similar ao isopor, mas biodegradável

Enquanto isopor permanece mais de 150 anos no meio ambiente, similar degrada em menos de um mês

Com resina extraída do tronco do cajueiro, pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) criaram material similar ao isopor, mas que degrada na água em menos de um mês, ao contrário do outro que permanece mais de 150 anos no ambiente. O produto, que pode ser uma opção renovável de embalagens e recipientes, apresenta outras vantagens: matéria-prima de fácil acesso e processo de fabricação rápido, características que devem viabilizar a produção.

De acordo com os resultados do estudo, uma bandeja de quatro gramas do material hidrossolúvel leva aproximadamente 20 dias para se dissolver na água com temperatura a 25°C. Já em regiões de clima quente, com temperaturas de 40°C, o material pode ser reincorporado ao ambiente em torno de dez dias. Os pesquisadores chegaram ao resultado final do produto a partir da extração do polissacarídeo da resina do cajueiro e aprimoramento do plástico biodegradável. “Uma alternativa ecológica para conservação de alimentos e produtos”, afirmou a professora do Instituto de Ciências Biológicas da UFG e coordenadora da pesquisa, Kátia Fernandes.

Segundo a docente, o material, com características similares ao isopor nas propriedades mecânicas, ou seja, na resiliência e resistência à compressão, também tem viabilidade econômica. Com produção fácil e rápida e matéria-prima ampla, disponível e de simples extração, a professora defende a possibilidade da manufatura em ampla escala. “Base do produto, a resina da casca do cajueiro, também conhecida como goma, pode ter a sua produção induzida e tem um aproveitamento de 70%”, explicou.

Pesquisa

Os estudos que resultaram na criação do produto foram iniciados em 2008, quando a pesquisadora se direcionou a criar um filme plástico biodegradável, transparente e não tóxico, que foi apresentado ano passado para comunidade acadêmica e sociedade. “Com a continuidade dos estudos, o plástico combinado ao polímero biodegradável sintético e mais dois componentes deu origem ao isopor genérico”, afirma Kátia.

Parte do projeto de pesquisa Aplicações biotecnológicas e farmacêuticas da goma de cajueiro, os experimentos envolveram oito pesquisadores, entre eles dois alunos de Iniciação Científica, dois mestrandos, dois doutorandos e um pós-doutorando. A equipe comemora o resultado do produto, que tem potencial de ser uma alternativa para produção de embalagens ecológicas.

Da UFG

águas residuais

Países de baixa renda tratam apenas 8% das águas residuais

Tratamento de água deve ficar ainda mais complexo com o passar dos anos.

Apenas 8%, em média, das águas residuais domésticas e industriais são tratadas em países de baixa renda de acordo como Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos. Nos países de renda mais elevada a taxa é de 70%.

Para a Organização das Nações Unidas (ONU) o desrespeito ao meio ambiente também é uma questão de saúde pública. Como resultado, em muitas regiões do mundo, águas contaminadas por bactérias, nitratos, fosfatos e solventes são despejadas em rios e lagos que desaguam nos oceanos, trazendo consequências negativas para o meio ambiente e para a saúde pública.

A expectativa da instituição é que o índice de tratamento deve crescer nos países em desenvolvimento. “A geração de águas residuais é um dos maiores desafios associados ao crescimento de assentamentos informais (favelas) no mundo em desenvolvimento”, afirmam os autores. Uma cidade como Lagos (Nigéria) gera 1,5 milhão de metros cúbicos de águas residuais por dia, sendo que a maior parte acaba sendo despejada sem tratamento na Lagoa de Lagos.

A poluição causada por agentes patogênicos de excrementos humanos e de animais afeta quase um terço dos rios da América Latina, Ásia e África, colocando em risco as vidas de milhões de pessoas.

Em 2012, 842 mil mortes em países de renda baixa e média estiveram ligadas à água contaminada e serviços sanitários inadequados. A falta de tratamento também contribui para a propagação de algumas doenças tropicais como a dengue e a cólera, alertou a ONU.

Solventes e hidrocarbonetos produzidos por atividades industriais e de mineração, bem como a descarga de nutrientes (nitrogênio, fósforo e potássio) da agricultura intensiva aceleram a eutrofização da água potável e dos ecossistemas costeiros e marinhos.

Estima-se que 245 mil km² de ecossistemas marinhos — aproximadamente o tamanho do Reino Unido — são atualmente afetados por esse fenômeno. O despejo de águas residuais não tratadas também estimula a proliferação de algas tóxicas e contribui para o declínio da biodiversidade.

O tratamento de águas residuais é um desafio que terá mais complexidade com o passar dos anos. A água também tem poluentes como hormônios, antibióticos, esteroides e suspensivos endócrinos.

Da Redação com Agência ONU / Foto: Mohammad Rakibul Hasan/PNUD

tratamento de esgoto

Bambu é solução para tratamento de esgoto

Pesquisa da UFG aponta que custo é menor do que o serviço convencional

Deivid Souza

Os bambus que enfeitam paisagens também podem ser aproveitados no tratamento de esgoto. A Universidade Federal de Goiás (UFG) tem estudado a aplicação da planta para este fim, e os resultados, dizem os pesquisadores, são promissores.

O bambu gigante, cujo nome científico é Dendrocalamus giganteus, é a espécie estudada pela universidade. O tratamento acontece quando os resíduos passam pelo solo onde o vegetal é cultivado. As raízes do bambu absorvem a matéria orgânica e devolve o esgoto tratado ao meio ambiente.

Sistemas semelhantes ao pesquisado pela UFG já são utilizados em estabelecimentos como hotéis, clubes e condomínios. O professor responsável pelo projeto, Rogério de Araújo Almeida, afirma a solução pode ser bem aplicada em várias situações. “Como não é necessária uma extensa rede fluvial para conduzir o material, já que ele poderia ser tratado no mesmo local do seu despejo, o custo energético gasto para o tratamento dos resíduos seria menor e o mau cheiro proveniente das estações de tratamento de esgoto que assolam muitos bairros da capital também seria amenizado”, explica.

O engenheiro agrônomo, Paulo Roberto, que atua como técnico de laboratório na UFG afirma que os processos de tratamento de esgoto com bambu são muito mais baratos do que o método que utiliza produtos químicos em estações. “O custo é irrisório quando comparado com o sistema convencional”, destaca.

No Brasil, de acordo com dados do Instituto Trata Brasil, apenas metade (50,3%) da população tem acesso ao serviço de coleta de esgoto. Do total coletado, somente 42,67% é tratado.

Foto: Carlos Siqueira / UFG