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Praça Consciente

Construtoras investem em sustentabilidade para a vizinhança

Projetos inovadores aproveitam materiais desenvolvidos para minimizar impactos ambientais das construções. Até plantas se integram às iniciativas para harmonizar empreendimentos e meio ambiente são destaques na segunda parte da série Construir e Sustentar: morar bem e em harmonia com o meio ambiente

 

Deivid Souza | Fotos: Divulgação

Piso permeável, reaproveitamento de materiais, uso de madeira de reflorestamento e um bananeiras que tratam esgoto. Estes são alguns dos atributos de uma praça localizada no Setor Bueno, bairro da região Sul de Goiânia, que qualquer arquiteto se orgulharia em falar.

A fossa biosséptica foi projetada por profissionais da Consciente Construtora. A estrutura utiliza bananeiras para tratar o esgoto de dois banheiros na praça que leva o nome da empresa. A raiz da bananeira se encarrega de absorver a parte líquida do esgoto.

O preço dos equipamentos de implantação de sistemas de geração de energia solar fotovoltaica tem caído. E esta é uma das razões para o incremento da potência instalada. Os estabelecimentos residenciais respondem por 77,8% das unidades com geração distribuída, que detém 32,2% da potência instalada.

A MRV Engenharia tem a meta de incluir em todos os lançamentos, até 2021, a energia solar fotovoltaica nas áreas comuns. O investimento é bom para o bolso dos condôminos. A economia da conta de eletricidade das áreas comuns pode chegar a 80%. A taxa de condomínio pode ficar até 13,6% mais barata.

Desafio

Relatório divulgado pela ONU Meio Ambiente, em dezembro, aponta que segmento de construção e edificações precisará melhorar em 30% sua eficiência energética até 2030 para manter o planeta na caminho rumo às metas do Acordo de Paris.

Condomínio da MRV Engenharia em Salvador (BA)
Condomínio da MRV Engenharia em Salvador (BA): 30% da energia da área comum provém de placas solares fotovoltaicas

“Embora a intensidade energética do setor de construções tenha melhorado, isso não foi suficiente para compensar a crescente demanda por energia. Uma ação ambiciosa é necessária sem postergações a fim de evitar o congelamento de ativos em prédios ineficientes, de longa vida, por décadas”, avaliou o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, durante a divulgação do relatório elaborado pela Aliança Global.

Certificação

O Canal Sustentável publica, desde o dia 25 de janeiro a série Construir e Sustentar: morar bem e em harmonia com o meio ambiente que visa abordar os desafios e soluções que engenheiros e arquitetos enfrentam para modernizar habitações e responder às necessidades contemporâneas. Na terceira e última parte da série, a ser publicada no próximo dia 8, você confere os benefícios econômicos da sustentabilidade.

 

Leia também, no primeiro episódio da série Construir e Sustentar: morar bem e em harmonia com o meio ambiente como construtoras desenvolveram tecnologias para levar o verde para dentro de condomínios e aproveitar água da chuva para reduzir alagamentos.

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“Corrigirmos o rumo ou pereceremos”

Para o jornalista especializado em meio ambiente, é preciso mudarmos a relação entre a humanidade e o planeta, e “rápido”

Deivid Souza / Foto: Divulgação

Há mais de uma década o jornalista André Trigueiro começou uma jornada profissional diferenciada. Enquanto muitos jornalistas escolhem se especializar em política, saúde, tecnologia, artes, etc. Ele preferiu todas elas sintetizadas em uma palavra: sustentabilidade. A experiência lhe deu conhecimento e segurança para escrever sobre o tema. Em seu mais recente título, ‘Cidades e Soluções: como construir uma sociedade sustentável’ ele levanta mais uma vez a bandeira da urgência de promovermos uma sociedade em equilíbrio ambiental, político e econômico.

O fato do livro ter o mesmo nome do programa semanal que ele comanda na Globo News não é uma simples coincidência. Vários assuntos abordados nos dez anos do ‘Cidades e Soluções’ serviram de base para a narrativa que foi editada e atualizada. Na entrevista concedida ao Canal Sustentável por telefone, Trigueiro chama a atenção para tópicos como água, mobilidade humana, educação, etc.

Para quem foi escrito o livro ‘Cidades e Soluções’?

Difícil responder. Na verdade, meu trabalho como jornalista, de uma maneira geral, mais particularmente na área da sustentabilidade, eu procuro ser muito claro, objetivo, didático, acessível a diferentes segmentos e, portanto, eu construí a convicção de que comunicando com clareza esse tipo de assunto, ele se torna palatável para os mais diferentes públicos.

Mas obviamente há uma sinergia forte entre os conteúdos do livro e escolas ou universidades dos mais diversos cursos, gestores públicos, gestores privados, empresários, empreendedores e quem esteja de alguma forma percebendo a necessidade de fazer algo diferente para reduzir o desperdício, para promover a inteligência no uso do recurso, vale para um síndico de um condomínio, vale para uma dona de casa. Não tem um público alvo específico, ele se espraia na direção de uma sociedade que precisa entender a urgência de uma nova cultura, ou corrigirmos o rumo ou pereceremos.

 

O que é uma cidade sustentável?

Não é um conceito fechado, é um conceito em construção. Eu vou compartilhar a minha definição. É uma cidade que eternamente busca os caminhos que promovam o bem estar das pessoas em primeiro lugar, que procure equacionar o mais rapidamente possível os gravíssimos problemas da exclusão social, da miséria e da pobreza extrema, que tenha planejamento. Do ponto de vista das leis brasileiras, que tenha um plano diretor e uma lei orgânica, que haja participação da sociedade civil organizando as rotinas e não permitindo a descontinuidade administrativa a cada prefeito que se elege. Acho importante que o eixo das políticas públicas seja sustentabilidade.

Então é cuidar das águas, promover os saneamentos, disponibilizar as áreas verdes, se possível na proporção indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS): 12m² por habitante, uma cidade que promova o transporte público de massa eficiente, barato e rápido, reduzindo o espaço do automóvel sempre que possível. Quando eu falei do planejamento, a questão da mobilidade é fundamental porque a gente está vendo no mundo, principalmente no hemisfério norte, mas isso vale para as cidades do Brasil, da Colômbia, Chile. Nós temos um movimento contrário àquele que vinha no século 20, determinando o espaço urbano pelo espaço dos automóveis. Isso não deveria ser a regra. Tem uma frase conhecida de um ex-prefeito de Bogotá [Enrique Peñalosa] na Colômbia que diz ‘cidade inteligente não é aquela em que o pobre anda de carro, é aquela que o rico utiliza transporte público’.

 

“Não é importante apenas mudar hábitos, comportamentos, estilos de vida e padrões de consumo. É importante mudar rápido”

 

Nós precisamos valorizar a inteligência na mobilidade. A cidade sustentável precisa ser uma um espaço que compre o desafio da redução das emissões dos Gases do Efeito Estufa (GEE), e isso pode ser alcançado das mais diferentes maneiras, todas elas conspirando em favor da qualidade de vida na cidade. Os prefeitos precisam, no caso do Brasil cumprir a Política Nacional de Resíduos Sólidos, não pode ter lixão, não pode ter vazadouro de lixo a céu aberto que é a regra na maioria das cidades pequenas do Brasil principalmente, e de alguma maneira interligar setores da administração pública buscando o mesmo objetivo. A educação pública precisa fomentar os conteúdos didáticos que estimulem uma cidadania no século 21 para que as pessoas estejam minimamente bem informadas sobre a maior crise ambiental da humanidade. Você não pode ter novas gerações de analfabetos ambientais, isso não é inteligente.

 

Hoje somos uma sociedade com muito acesso à informação. Como fazer com que esta informação sobre sustentabilidade se transforme em um meio de sensibilizar as pessoas para a mudança de comportamento?

Em primeiro lugar, o excesso de informação remete a equívocos como o fakenews presentes nas últimas eleições americanas, a campanhas que promovem a mentira. Portanto, a questão é acessar qual informação? E aí está a importância do jornalismo, na curadoria das notícias, balizando as informações que mereçam credibilidade. O jornalismo tem uma função muito importante neste período de intensificação do uso da internet.  A informação ajuda, ela é uma ferramenta importante para inspirar as ações. O jornalismo tem que ser inspirador, ele não pode só reportar as notícias de forma fria, e a gente precisa denunciar o senso de urgência. Não é importante apenas mudar hábitos, comportamentos, estilos de vida e padrões de consumo. É importante mudar rápido. E o jornalismo pode sinalizar rumos informar porque devemos mudar, o que deve ser mudado efetivamente, como alcançar esse objetivo e o que se ganha. Se você consegue resolver a equação desta maneira a chance de você sensibilizar as pessoas aumenta exponencialmente.

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Como você vê a sustentabilidade das cidades brasileiras?

A maioria absoluta dos prefeitos no Brasil administra cidades pobres inadimplentes, sem recursos humanos ou materiais suficientes para você fazer o mínimo. Quando você me pergunta: como está sustentabilidade? Ela está fora do radar da maioria absoluta das cidades brasileiras que são, repito, pequenas, pobres, inadimplentes, vivem basicamente de recursos federais, do INSS [Instituto Nacional da Seguridade Social], Bolsa Família. Então, é pedir demais hoje para a realidade desigualdade do Brasil esse tipo de possibilidade ou de competência para você fazer uma gestão sustentável. Agora, curiosamente a evolução da consciência é fato. Nas eleições no ano que vem nós vamos ter eleições para governador e presidente. Dificilmente um político se elege, principalmente nos grandes centros, se não tiver um discurso em que a questão da sustentabilidade ou alguma preocupação com o meio ambiente seja colocada. Isso não quer dizer que a pessoa acredite no que fala, mas os marqueteiros de plantão sabem que sem esse discurso engajado ele não vai longe.

 

“A questão é como a sustentabilidade vem sendo usada também de maneira capciosa por certos grupos que promovem a maquiagem verde”

 

O Brasil tem uma legislação moderna sobre a água. Como explicar o descompasso entre as políticas públicas e o abastecimento deficiente?

Esse é um assunto complexo. Houve avanços importantes da década de 90 para cá com a Política de Recursos Hídricos que criou a Agência Nacional de Águas (ANA), permitiu a formação dos comitês de bacia [hidrográfica], a cobrança pelo uso da água bruta. Tudo isso, portanto ajudou a definir um modelo de gestão que resultou em muitos avanços. De lá para cá, a partir do primeiro Governo Lula, a Agência Nacional de Águas que seria uma agência reguladora passou a ser um braço do Estado.

Nenhuma agência reguladora nos últimos 18 anos pelo menos exerceu a função de regular [recursos hídricos] com autonomia. Esta é uma questão. E temos o problema do código florestal, que agora está sendo questionado no STF [Supremo Tribunal Federal] por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade porque o Código Florestal teve um parecer contrário de cientistas da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Ana, já sob controle do Governo Dilma o Código Florestal foi aprovado por ampla maioria, estimulada principalmente pela bancada do agronegócio. Isso determinou eu diria, um enfraquecimento brutal na capacidade das bacias hidrográficas brasileiras serem resilientes. As regras do Código Florestal enfraqueceram a capacidade destas bacias hidrográficas serem minimamente protegidas, e isso já se manifesta em alguns indicadores de vulnerabilidade, a estiagem assoreamento e outros problemas que vem comprometendo a saúde dos recursos hídricos no Brasil.

O Brasil tem 12 mil rios e córregos é maior país do mundo em quantidade de água doce superficial de rios ou de aquíferos e nós não temos, infelizmente, a garantia de que este patrimônio esteja minimamente protegido. Infelizmente o cenário não é bom neste sentido.

 

Hoje é mais fácil falar do tema sustentabilidade na TV?

Eu não tenho dúvida, hoje é mais fácil. A questão é como a sustentabilidade vem sendo usada também de maneira capciosa por certos grupos que promovem a maquiagem verde, divulgam ações ou campanhas e argumentos que não têm repercussão na prática. Não acontece no mundo real e isso é um problema. Isso acontece no setor público e no setor privado. Então, existem novos desafios e eu acho que ainda estamos muito aquém, mas muito aquém mesmo, de uma contestação frontal a um modelo de desenvolvimento que foi descrito 25 anos atrás na maior conferência da ONU até então, que foi a Rio 92, quando o modelo de desenvolvimento foi descrito nos seguintes termos ‘ecologicamente predatório, socialmente perverso e politicamente injusto’, 25 anos depois eu não acho que esta definição tenha perdido o sentido.

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Pesquisa avalia sustentabilidade em Goiânia

Levantamento indédito em Goiânia vai levantar a visão da sustentabilidade do ponto de vista dos habitantes da capital

A Rede de Monitoramento Cidadão (RMC) de Goiânia realiza, no mês de setembro, uma pesquisa de opinião pública para entender como os moradores percebem o avanço, ou não, do desenvolvimento sustentável da cidade e quais os temas que consideram mais importantes para o futuro de onde moram. A pesquisa é uma das principais ações da RMC, uma organização, independente e apartidária, criada com o objetivo de acompanhar, de forma técnica e imparcial, o desempenho da cidade em questões que impactam sua sustentabilidade e a qualidade de vida de seus cidadãos.

A pesquisa está sendo executada pela Baobá – Práticas Sustentáveis, agência executora do Projeto Redes de Monitoramento Cidadão, que conta com o apoio financeiro do Fundo Socioambiental da Caixa e parceria do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). As entrevistas serão realizadas por estudantes da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Universidade Federal de Goiás, Centro Universitário Alves Faria e Instituto Federal de Goiás, integrantes da RMC de Goiânia, sob coordenação de um grupo de professores.

A ferramenta possibilita levantar a opinião dos cidadãos sobre mais de 20 temas relacionados ao desenvolvimento sustentável da cidade e da qualidade de vida de seus moradores. Além disso, ao final do questionário, o entrevistado ainda tem a oportunidade de enumerar os problemas que mais afetam a sua qualidade de vida, como serviços de água potável, serviço de coleta de resíduos, ruídos incômodos, emprego e qualidade de moradia. “É muito importante para a Rede de Monitoramento Cidadão saber o que as pessoas pensam, para que possa continuar trabalhando, de forma assertiva, pela melhoria da qualidade da vida urbana, apontando para o governo o que realmente é uma prioridade para os moradores da cidade”, ressalta o coordenador geral do Projeto Redes de Monitoramento Cidadão, Fernando Penedo.

A metodologia possui uma margem de erro pequena e determina que a pesquisa seja realizada nas diferentes regiões da cidade. “A espacialização da pesquisa possibilita conhecermos as necessidades não só da cidade como um todo, mas das suas diferentes localidades”, explica Penedo.

Qualificação do debate público

Além do levantamento de indicadores de percepção, possibilitados pela pesquisa de opinião pública, a Rede de Monitoramento Cidadão também realiza a coleta, junto ao poder público, de uma série de indicadores técnicos que retratam a sustentabilidade da cidade e a qualidade de vida de seus cidadãos. Após estes levantamentos, a Rede de Monitoramento faz uma análise dos resultados e avalia as políticas públicas do município relacionadas aos temas apontados como críticos. “A Pesquisa de Opinião Pública é uma importante ferramenta de participação cidadã. Seus resultados possibilitam qualificar o debate público em relação às demandas da cidade, bem como nortear futuras políticas públicas”, finaliza Penedo. Os resultados da pesquisa também fortalecem e empoderam os trabalhos de cidadãos e organizações comunitárias, bem como estimulam que as pessoas reflitam e compreendam a qualidade de vida e a sustentabilidade da sua cidade.

Comparação internacional

A estruturação da Rede de Monitoramento Cidadão faz parte da quinta etapa do Programa Cidades Emergentes e Sustentáveis (CES), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), presente em mais de 70 cidades da América Latina e Caribe (ALC). No Brasil, conta com o apoio financeiro do Fundo Socioambiental da CAIXA e tem a Baobá Prática Sustentáveis como agência executora do projeto nas cidades de Florianópolis (SC), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Palmas (TO) e Vitória (ES).

Por utilizar uma metodologia aplicada internacionalmente, a Pesquisa de Opinião Pública, que será realizada anualmente em Goiânia, permitirá não só a comparação da evolução, ou não, da percepção dos moradores da cidade ao longo dos anos, como também a comparação de seus resultados com os de outras cidades brasileiras, da América Latina e do Caribe.

Conheça a Rede de Monitoramento Cidadão

A Rede de Monitoramento Cidadão é uma organização, independente e apartidária, criada com o objetivo de acompanhar, de forma técnica e imparcial, o desempenho das cidades brasileiras em temas que impactam sua sustentabilidade e a qualidade de vida de seus cidadãos. Composta por representantes da sociedade civil, setor produtivo, academia e mídia, a RMC também realiza pesquisas e estudos, dissemina informações e análises, e desenvolve iniciativas com diferentes setores da sociedade, por meio de projetos e estímulo à ação política responsável, que promovem a sustentabilidade da cidade.

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Artigo: Valor do meio ambiente

No Brasil, assim como em muitas partes do mundo, o conceito de que uma área de preservação é um espaço não produtivo ainda resiste. Essa concepção contribui para que espaços naturais sejam devastados.

No entanto, esta ideia é fruto de desconhecimento de todos os serviços que os ecossistemas proporcionam à humanidade. Só para citar alguns exemplos, podemos relacionar: provisão de alimentos, água doce, madeira, produtos químicos, e ainda a regulação do clima, controle de doenças, entre outros benefícios que nos servem.

Isso quer dizer que quando uma floresta está em pé, ela cumpre um papel importante, e os beneficiados somos nós seres humanos. Reconhecer o valor destes serviços é, talvez, o primeiro passo para nos conscientizarmos da necessidade de preservar.

Por outro lado, quando descaracterizamos um ecossistema, estamos roubando de nós mesmos serviços que são essenciais à economia e ao bem estar. Recentemente, uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Goiás (UFG) demonstrou a diferença de temperatura entre uma região privilegiada com áreas verdes e outra carregada de concreto e áreas impermeabilizadas. Um exemplo de regulação do tempo.

Mensurar o valor financeiro de uma área ambiental conservada que contribui para retirar toneladas de CO2 do ar é um desafio para especialistas. Felizmente, a ciência já desenvolveu mecanismos para esta tarefa. Hoje é possível trabalhar com a valoração ambiental, ou seja, mensurar o retorno financeiro de preservar.

Se por um lado enxergar o valor dos serviços pode ser algo ainda latente, as cifras dos prejuízos pela ausência deles são notáveis. O Banco Mundial apurou que os grandes desastres ocorridos entre 2008 e 2011 em Pernambuco, Santa Catarina, Alagoas e Rio de Janeiro provocaram perdas de R$ 15 milhões.

Programas copiados de outros países têm chegado ao Brasil para remunerar quem preserva ecossistemas. Além disso, projetos desenvolvidos na Amazônia têm recebido aporte financeiro. A maioria dessas iniciativas consiste em sustentar monetariamente programas de uso sustentável dos recursos naturais.

Estas áreas ainda são pouco representativas frente ao tamanho dos desafios que temos pela frente. Mas são um bom sinal que a ideia que conservação significa prejuízo está perdendo força.

Deivid Souza é jornalista, editor do site Canal Sustentável e especializando em Gestão e Tecnologias Ambientais (USP)

Artigo publicado no jornal O Popular em 21 de julho de 2017.

Posigraf

Empresas trabalham para fazer da sustentabilidade um diferencial competitivo

Estabelecimento de programas de eficiência ainda pode ser considerado
atrativo frente à concorrência

Deivid Souza

Faz tempo que a palavra sustentabilidade figura nos discursos de CEOs e apresentações das organizações mundo afora. Com o passar dos anos, muitas empresas têm adotado ações neste campo e tentado fazer disto um diferencial competitivo.

Uma pesquisa da consultoria britânica Verdantix,realizada com 250 líderes de sustentabilidade em empresas globais de 13 países, apontou em 2013, que quase metade das corporações investe 1% das receitas em iniciativas de sustentabilidade; 28% das empresas investe entre 1 e 2%; e 26% investem mais de 2% das receitas.

Gestão de resíduos, investimento na comunidade, programas de eficiência energética e reuso de água são alguns exemplos que se repetem em muitas empresas brasileiras. As empresas estão de olho nas demandas do cliente.

Levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revelou que os consumidores dão nota média de 8,9 para a importância do tema consumo consciente. Existem empresas atentas a esta demanda da sociedade, mas elas estão em graus diferentes de desenvolvimento.

Para o engenheiro florestal, diretor da Permian Brasil, integrante dos conselhos diretores do Instituto LIFE e da Fundação Boticário de Proteção à Natureza e Membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Miguel Milano, as empresas formariam uma espécie de linha em que a grande maioria não compreendeu ou desenvolve ações de sustentabilidade, outra parte considerável já têm projetos na área com algumas iniciativas acertadas ou “equivocadas”, e um número menor, que figura na ponta, onde o assunto é levado bastante a sério.

“Você tem poucas empresas na ponta, mas elas têm um impacto muito significativo, seja por causa de sua representativa participação no mercado ou por influenciar fornecedores e concorrência”, disse ao Milano ao Canal Sustentável, lembrando a iniciativa da Unilever que não compra soja produzida em áreas de desmatamento. A empresa processa 1% do grão no mundo.

Perspectiva

Praça revitalizada pela MRV em Aparecida de Goiânia
Praça revitalizada pela MRV em Aparecida de Goiânia

Plantar mais de 800 mil mudas de árvore, tratamento de efluentes, geração de energia por meio de placas fotovoltaicas e construção de praças. Esses poderiam ser os objetivos de um médio município brasileiro, mas são as ações e metas que o gestor executivo de segurança e meio ambienta da MRV
Engenharia, José Luiz Esteves Fonseca, se orgulha em citar como exemplo das iniciativas da empresa na busca de diferencial competitivo.

“A aplicação da sustentabilidade em nossos projetos começa na concepção. Pensamos nestas questões para termos um produto diferenciado para que o nosso pessoal de venda possa apresentar estes itens ao consumidor”, enfatiza Fonseca.

A construtora desenvolve um projeto piloto em Salvador (BA), onde um prédio de 20 apartamentos terá 30% da energia gerada por placas fotovoltaicas. A empresa espera alcançar a marca de 100% do consumo nos próximos anos.

Dos entrevistados na pesquisa Estilo de Vida Sustentável, 80% disse estar disposto a pagar mais por produtos que sejam ambientalmente responsáveis e produzidos por empresas que mantém práticas comerciais éticas.

O desenvolvimento de programas de sustentabilidade não é exclusividade de grandes corporações e pode agregar valor às empresas de pequeno e médio porte. “Para elas, torna-se ainda mais interessante, uma vez que normalmente possuem estruturas enxutas e necessitam ser eficientes para assegurar sua competitividade no mercado”, defende o coordenador do MBA Perícia, Auditoria e Gestão Ambiental do Instituto de Pós-Graduação e Graduação (IPOG), Carlos Eduardo Tirlone.

Para muitas empresas, o aspecto ambiental tem um grande apelo, pois sua sobrevivência está condicionada à existência de matéria prima, água de qualidade, energia e outros recursos naturais. Ou seja, a sustentabilidade pode ser um diferencial competitivo, mas antes de tudo uma necessidade.

Assessora executiva de meio ambiente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Elaine Farinelli avalia que as empresas entenderam isso e têm se organizado e atuado junto ao setor público para promover um desenvolvimento com equilíbrio. “A indústria amadureceu muito a consciência da preservação porque se você não pensar no futuro, pode estar inviabilizando sua matéria prima. Pelo menos há cerca de dez anos nós temos visto, por parte do setor empresarial, toda uma mudança de
postura”, considera.

 

Escolha de áreas prioritárias carece de estudo, dizem especialistas

A definição das áreas a serem priorizadas em um programa de sustentabilidade é um dos maiores desafios para os gestores. Embora exista uma legislação pertinente à questão, sobretudo em relação ao meio ambiente, e muitos manuais, saber escolher quais atividades são mais importantes para o negócio ainda é um dos aspectos mais delicados.

Especialistas ouvidos pelo Canal Sustentável afirmam que cada empresa tem suas particularidades, e isso precisa ser respeitado. “A solução é trabalhar com inteligência para você chegue a uma boa resposta. Isto é principalmente para negar qualquer chavão de receita que possa existir”, frisa Milano.

Esse foi o caminho adotado pela Posigraf Gráfica e Editora. Há mais de 15 anos a empresa fortaleceu as ações de sustentabilidade. Um dos resultados alcançados foi a compensação das emissões de CO2.

Gráfica investe em ações para minimizar impacto ambiental
Gráfica investe em ações para minimizar impacto ambiental

“A sustentabilidade abrange muito mais do que a questão ambiental.
Nós buscamos aumento da eficiência dos processos, procurando reduzir o consumo de matéria prima para aumentar a competitividade”, afirma a supervisora do Sistema Gestão Integrado da empresa, Andréa Luiza Silva Arantes.

A empresa de Andréa também reflete um comportamento comum hoje no mercado: a exigência de parceiros sustentáveis. A gráfica desenvolveu um planejamento para que as práticas ambientais, econômicas e sociais dos fornecedores se alinhem às da empresa. No entanto, a situação se inverte quando a gráfica é o fornecedor. Ela também é demandada e auditada por parceiros comerciais que também desenvolvem programas de sustentabilidade e precisam garantir a sustentabilidade em todas as fases do processo produtivo.

Conquista

Ao mesmo tempo em que os clientes dizem valorizar produtos responsáveis, quem produz vive o desafio de demonstrar que trabalha aspectos de sustentabilidade. Essa conquista, diz a coordenadora do MBA Engenharia Sanitária e Ambiental do Ipog, Andréa Tirlone, depende das ações de comunicação da organização.

“Empresas sérias devem agir com transparência junto a seus consumidores, apresentando em seus rótulos e propagandas, informações relativas aos impactos ambientais causados por seus produtos e/ou serviços os quais devem apresentar impactos menores dos que seus concorrentes. Isto permite uma melhor escolha por parte dos consumidores, que poderão basear suas escolhas em empresas que apresentem maior responsabilidade socioambiental”, explica a especialista.

A MRV Engenharia, por exemplo, treina os colaboradores que atuam na venda, e ao entregar os imóveis, oferece uma espécie de capacitação aos clientes para que eles conheçam e saibam utilizar a moradia para minimizar o impacto ambiental da família.

As iniciativas, em diferentes ramos da economia são sinal de novos tempos e deixam claro que o futuro será de quem enxergar e souber se adaptar às transformações no mundo.

 

Fotos: Zig Koch (Posigraf); Divulgação (MRV Engenharia)

Fica 2017-600

Fica 2017 tem programação variada

Festival terá 100 filmes em mostras diversas. Além de cinema, mesas redondas, mini-cursos e apresentações musicais são atrativos para público

Deivid Souza

 

Começa nesta terça-feira (20) e segue até domingo (25), na cidade de Goiás, na Região Norte do Estado, o 19º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2017). Na mostra principal, 25 filmes concorrem à premiação total de R$ 280 mil.

Além da mostra competitiva, em que serão apresentados os 25 filmes, sendo 15 estrangeiros e 10 ambientais, o evento têm várias exibições paralelas, shows, mesas redondas, oficinas e mini-cursos, entre outras atividades.

O tema do Fica 2017 é “Cidades sustentáveis: Os Desafios do Século XXI”. A escolha está relacionada ao fenômeno da urbanização e a falta de planejamento que tem resultado em graves problemas ambientais e sociais inter-relacionados.

Os filmes do festival, que é realizado pelo Governo de Goiás, tratam de temas variados. O público poderá acompanhar títulos como Tarja-Preta, que trata da cidade Itacuruba (PE), onde existe a maior incidência de casos de depressão no País. Do Irã, Roozegari Hamoun conta a história da secagem de um lago e as consequências para a população vizinha do manancial.

O principal local de exibição da mostra competitiva é o Cineteatro São Joaquim, que foi reformado e entregue à comunidade vilaboense no início de junho.

Duas mostras competitivas, também prometem agradar o público. A Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas promoverá exibições com premiação de R$ 130 mil. A empresa de saneamento de Goiás, Saneago, patrocina uma mostra sobre água. A premiação é de R$ 30 mil.

O Governo de Goiás também oferece premiação de R$ 130 mil para os 20 filmes que concorrem na Mostra da ABD – Cine Goiás e de R$ 30 mil na Mostra da Saneago.

Apesar dos shows musicais ainda atraírem boa parte do público, nos últimos anos a organização do Fica se preocupou em dar foco à mostra. Por este motivo, as apresentações musicais estão voltadas para atrações locais, embora o último artista a subir ao palco seja o sambista Diogo Nogueira.

Convidados

O Fica 2017 terá a presença da atriz Dira Paes, do jornalista André Trigueiro (Globo News), que vai lançar o livro Cidades e Soluções, e de grandes cineastas como José Luiz Villamarim, Eduardo Escorel, Manoel Rangel.  O tema Cidades Sustentáveis – Os Desafios do Século XXI será debatido em cinco mesas durante o Fórum Ambiental. O júri da Mostra Competitiva será composto apenas por mulheres, grandes profissionais como Ilda Santiago, Marília Rocha, Sandra Kogut, Dora Jobim e a norte-americana Michelle Stethenson.

Os vencedores do Fica 2017 devem ser conhecidos no final da manhã do domingo (25).

Acesse a programação completa no site do evento.