Análise do BID enumera temas críticos de sustentabilidade urbana em Goiânia

Goiânia sustentável

Avaliação é tema de seminário. Capital faz parte de programa que busca desenvolvimento que equilibre meio ambiente, economia e sociedade

Deivid Souza

Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), realizado por meio de parcerias, considerou críticos vários aspectos de Goiânia relativos a sustentabilidade ambiental e mudança climática. O banco destaca que, entre as ações urgentes, a capital precisa tratar da elaboração de planos para a gestão de riscos a desastres naturais e adaptação às mudanças climáticas e a identificação mais completa de pontos de vulnerabilidade existentes na cidade, além da necessidade de se elaborar um inventário de gases de efeito estufa.

O estudo, desenvolvido pelo Fundo Sócio Ambiental Caixa, por meio da consultoria Baobá Práticas Sustentáveis, foi apresentado no Seminário de Estruturação da Rede de Monitoramento Cidadão de Goiânia, realizado nesta terça-feira (22). O evento faz parte das ações do BID relativas à adesão de Goiânia à Plataforma Cidades Emergentes e Sustentáveis (CES), trabalho iniciado em 2011 por meio de parceria com a Prefeitura da capital. O acordo resultou no Plano de Ação Goiânia Sustentável.

As questões: transporte limpo e multimodal, gestão do crescimento urbano, competitividade e conectividade, diversificação da base econômica e condições de emprego também foram considerados assuntos delicados.

A avaliação também observa ações relativas à gestão do município, estudando os gastos públicos, gestão da dívida, passivo contingente, auditoria, gestão por resultados, gestão pública moderna e participação dos cidadãos no planejamento.

Após levantar uma ampla base de dados foram definidas as seis áreas que merecem cuidados prioritários que devem ser trabalhados em conjunto. São eles: (1) Transporte Público e Mobilidade Urbana; (2) Competitividade e Conectividade; (3) Modernização da Gestão Pública – Gestão por Resultados; (4) Segurança Pública; (5) Gestão da Expansão Urbana; (6) Gerenciamento de Desastres e Adaptação às Mudanças Climáticas.

O relatório lembra o que o goianiense tem visto durante o período chuvoso: alagamentos, destruição e prejuízos financeiros e sociais. Sem falar na ausência de planos de ação para eventos climáticos extremos.

Seleção

A escolha de Goiânia para participar da Plataforma CES levou em conta as características de Goiânia como cidade de médio porte, a elevada taxa de urbanização e o dinamismo social que esta vive. Outro fator que pesou foi a rede de influência da capital que concentra 3,5% da população e 2,8% do PIB nacional, com PIB per capita de R$ 16,6 mil.

Inventário

A Prefeitura de Goiânia já contratou por meio da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), uma empresa que ficará responsável por apurar as fontes geradoras de Gases do Efeito Estufa (GEE) com base nas diretrizes do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). O trabalho também vai: instituir um programa de monitoramento da qualidade do ar no município; verificar os créditos de carbono das áreas verdes e apurar as emissões do aterro sanitário.

A Empresa Brasileira de Serviços e Consultoria Ambiental (Embrasca), de Goiânia, venceu o processo licitatório e terá oito meses para realizar o trabalho que custará R$ 1,5 milhão. Os serviços devem ser iniciados no início do próximo ano.