Universidade recupera nascentes no interior de Goiás

plantio de espécies nativas

Pesquisadores avaliaram a região e auxiliaram a comunidade local na plantação de centenas de espécies nativas

Um projeto de pesquisa da Universidade Federal de Goiás (UFG) promoveu a recuperação de 12 nascentes do Ribeirão Invernadinha, localizado no assentamento Três Pontes, município de Perolândia, 420 km de Goiânia. Os pesquisadores avaliaram a região com o objetivo de entender o uso da mata pelos pequenos produtores, promoveram ações de conscientização junto aos proprietários das terras e, em parceria com eles, plantaram centenas de espécies nativas. Toda a experiência foi relatada em um livro lançado em fevereiro deste ano.

O local, afetado pela monocultura de soja e cana-de-açúcar, é composto por 43 lotes de famílias há 16 anos assentadas. “O cenário inicialmente encontrado foi de degradação da mata no entorno das nascentes, que consequentemente impacta o volume dos recursos hídricos”, conta a coordenadora do projeto, professora da Escola de Veterinária e Zootecnia, Raquel Maria de Oliveira. Atualmente, os pequenos produtores acompanham o crescimento das espécies do Cerrado e o adensamento da mata que protege as nascentes.

O trabalho de recuperação das nascentes do Ribeirão visa também contribuir para a manutenção da vazão do Rio Claro “De 2012 a 2016 houve uma diminuição considerável do volume do rio”, afirma a professora, que alerta para a necessidade de outras ações de conservação e recuperação do Cerrado para garantir a recarga dos cursos d’água na região: “A localidade está ilhada e suprimida em meio aos mosaicos de monoculturas”.

Troca de saberes

O projeto de pesquisa, formado por quatro professores, quatro mestrandos e um aluno de iniciação científica, possibilitou a troca de saberes entre o campo e a universidade. Os pesquisadores tiveram a oportunidade de aprender com os pequenos produtores que, por sua vez, tiveram acesso aos estudos que contribuíram para a conscientização da conservação da água. “A experiência fora sala de aula permitiu a vivência no campo e o aumento do conhecimento da vegetação, animais, terra e clima”, afirmou o professor Paulo Hellmeister, um dos pesquisadores do projeto.

Iniciada em 2013, a pesquisa também fez o mapeamento do perfil do produtor rural do assentamento Três Pontes, levantamento florístico e o monitoramento do crescimento das mudas. Esse ano, em parceria com a prefeitura de Perolândia, o projeto vai fazer a entrega de um viveiro de mudas e sementes, que serão disponibilizadas aos produtores rurais. A experiência foi relatada no livro Conservando as árvores na mata, a água no rio e o homem na terra, lançado  em 23 de fevereiro.

Da UFG / Foto: UFG